A JOVEM QUE VOLTOU PARA CASA

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Uma mulher viúva tinha duas filhas com quem aparentemente se dava muito bem. Foi surpreendida quando a filha mais nova, de vinte e um anos apenas, disse que queria sua parte na herança deixada pelo pai, pois pretendia viver de forma independente, sem mais ter que dar satisfações dos seus atos para a mãe. 

Seu pedido foi atendido, até porque a jovem tinha direito legal à parte da herança deixada pelo pai. Ela recebeu então um valor próximo a quatro milhões de reais e resolveu morar na Inglaterra, onde a vida lhe parecia mais interessante. Nem se despediu direito da mãe e da irmã mais velha, pois sabia que ambas discordavam da sua escolha.

A jovem viveu em Londres por quatro anos, sem se preocupar em economizar. Sua vida somente teve como objetivo o divertimento, sem se preocupar muito com as consequências. A jovem experimentou um pouco de tudo, inclusive drogas variadas. Relacionou-se com vários homens, tentando encontrar em algum deles quem viesse a preencher suas carências emocionais, mas somente experimentou decepções.

Ao fim desse período, a jovem ficou em situação difícil, depois de desperdiçar todo o seu dinheiro. Sem qualquer formação profissional e não podendo contar com a ajuda de amigos sinceros e/ou família, foi caindo de padrão de vida e acabou como moradora de rua. 

Certa noite, andava pelas ruas de Londres sem saber bem o que fazer. Sem esperança ou perspectiva. Passou então por uma igreja, ainda aberta naquela hora da noite. Entrou e começou a orar, pedindo ajuda para sair daquela situação difícil. Sabia que tinha errado muito e estava pagando o preço das suas escolhas ruins. 

Foi aí que o pastor da igreja se aproximou, ao perceber as lágrimas que rolavam pelo rosto da jovem. E perguntou-lhe o que estava acontecendo. A jovem praticamente “vomitou” sua história.  E não escondeu as besteiras que tinha feito e nem tentou se justificar. Confessou ainda que sua única vontade era conseguir uma passagem de volta para o Brasil.

O pastor disse-lhe que conhecia um programa do governo inglês para repatriar imigrantes na situação dela. A jovem foi levada pelo pastor para um abrigo, onde pelo menos teria um teto pelos próximos dias, enquanto esperava a passagem ser emitida.

Poucos dias depois a jovem pegou o avião de volta para o Brasil. E durante as quase dez horas de viagem ficou pensando como seria recebida pela mãe – as críticas que precisaria enfrentar e a vergonha que iria sentir. Mas ainda assim seria melhor do que continuar a viver quase como mendiga em Londres. 

Chegou ao Rio de Janeiro e, como não tinha dinheiro, pediu carona até o centro da cidade. Depois teve que andar por quase duas horas até a zona sul, onde ficava a casa da mãe. Chegou no prédio em que a mãe morava e foi reconhecida pela porteiro que a conhecia desde pequena. 

O porteiro deixou-a entrar no prédio, mesmo espantado ao ver as condições em que a jovem estava – magra, abatida e usando roupas envelhecidas. Com o coração batendo forte, a jovem bateu na porta do apartamento da mãe. E aguardou, olhando para o chão, pois lhe faltou coragem para encarar a mãe de frente. 

Quando a mãe abriu a porta, tomou um grande susto. Ali estava sua filha querida, que julgava perdida para sempre. E sentiu seu coração apertar ao ver o estado da filha. Sem mais hesitar, a mãe atirou-se no pescoço da filha, chorando de alegria e dando graças a Deus por tê-la de volta. Foi um daqueles momentos em que a vida das pessoas envolvidas muda para sempre. 

Mãe e filha entraram no apartamento abraçadas. Conversaram por horas, matando as saudades e, algumas vezes, choraram juntas. Mágoas foram superadas e feridas emocionais finalmente começaram a cicatrizar. 

Horas depois, a filha mais velha chegou do trabalho e viu a irmã, já de roupa nova, cabelo cortado, muito mais apresentável, abraçada à mãe. Revoltou-se, pois entendeu que a mãe estava sendo feita de boba e nem quis falar com a irmã mais nova. Mas com ela seria diferente: algumas lágrimas derramadas e um pedido de perdão nunca seriam suficientes. Seria preciso mais, muito mais. 

A mãe, ao perceber o que estava acontecendo, chamou a filha mais velha para conversar e tentou explicar: “Sua irmã voltou e é isso que mais importa. Por que você não entende isso?” 

O final do caso 

O relato acima foi baseado na famosa parábola do “filho pródigo”, que Jesus contou para seus discípulos – se você quiser saber o final do caso, leia Lucas capítulo 15, versículos 11 a 32

A figura do pai (ou da mãe) representa Deus. O(a) filho(a) pródigo(a) é a pessoa que se afasta de Deus e se “perde” no mundo, passando a viver de forma errada. E o(a) filho(a) mais velho(a) é aquele(a) que nunca se afastou de Deus.

Essa parábola é uma fantástica lição sobre o perdão e a misericórdia de Deus. Mostra também como essa misericórdia muitas vezes não é compreendida pelas demais pessoas, menos capazes de perdoar e dar outra oportunidade para aqueles que se afastam do caminho certo, do que o próprio Deus.  

Com carinho

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