A “DOENÇA” DA FALTA DE TEMPO

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Um dos maiores problemas atuais é a falta de tempo. E ele é tão grande que chega a ser como uma “doença”. Vivemos num mundo onde há muitas informações, muitas escolhas possíveis e muitas decisões a tomar, desde as mais simples (que marca de molho de tomate devo comprar) até as mais complexas (qual igreja devo frequentar ou em que empresa trabalhar).  

São muitos os compromissos, muitas as tarefas a serem desenvolvidas, muita tensão e pouco o tempo disponível. Vivemos com quase nenhuma margem de folga, em constante estado de sobrecarga. Na época do Natal, então, com todos os compromissos que são agregados – festas de fim de ano, compras de presentes, etc -, a situação chaga a ficar insuportável.   

Agora, é parte do “sintoma” dessa doença que muitas pessoas pensem que, se sua agenda não estiver sobrecarregada, estarão desperdiçando suas vidas. Assim, se fazem três atividades, querem ter mais uma, para aprender uma coisa nova ou ganhar um dinheiro extra ou outra razão qualquer.  

Tempo, uma barreira para o crescimento espiritual

Por conta da falta de tempo, é muito mais fácil conseguir que muitas pessoas contribuam financeiramente para a obra de Deus do que doem do seu tempo. Afinal, tempo é a coisa
mais escassa para elas. 

 Acredito que a falta de tempo pode ser tornar uma grande barreira para o crescimento espiritual das pessoas. Amadurecimento espiritual requer mudança de vida e isso requer tempo para meditar, estudar a Bíblia, cultivar relações com o próximo, fazer assistência social (exercendo a caridade) e assim por diante. 

Na prática, como as pessoas estão tão distraídas, preocupadas e sobrecarregadas por outras coisas, acabam construindo e aceitando uma vida espiritual medíocre. 

Portanto, talvez a coisa mais espiritual que você possa fazer de imediato, como um primeiro passo para avançar na sua vida espiritual, seja abrir folga na sua agenda para Deus.   

Talvez você pense que não pode fazer isso, que os seus compromissos atuais são fundamentais e inadiáveis. E aí cabe a você tomar uma decisão: você quer (ou não) crescer espiritualmente? Se quiser, vai precisar achar tempo, caso contrário vai continuar com dificuldades para avançar.

O papel das disciplinas espirituais

É aí que entram as chamadas disciplinas espirituais. Eu não gosto muito desse nome, pois “disciplina” é uma palavra que gera pensamentos desagradáveis – por isso, toda vez que pensamos numa vida boa, pensamos logo em não precisar seguir horários, normas, etc. Um nome melhor, portanto, seria “hábitos espirituais”, mas o nome adotado pelos teólogos foi outro e não tenho muito como fugir dele. 

O fato é que seguir disciplinas espirituais é muito importante. Não se trata de fazer sacrifício e sim de criar alguns hábitos novos importantes. Na verdade, eles podem se tornar um “oásis” dentro do mundo complicado em que vivemos – as práticas esportivas têm esse papel para muitas pessoas. 

Quando comecei a escrever este blog, tive que me disciplinar para conseguir fazer isso com frequência. Comecei escrevendo cerca de um texto a cada três dias. Com o tempo, o processo acabou se tornado parte da minha vida – faço isso com prazer. Chego a escrever dois textos num dia só, dependendo da inspiração.  

Ao escrever nesse espaço, preciso refletir sobre a minha vida – sobre o que faço ou deixo de fazer -, sobre o que Deus espera de mim, etc. É como o “oásis” a que me referi acima. 

 

Algumas disciplinas espirituais

Aí vão três exemplos de disciplinas espirituais simples mas que podem ter resultado muito bom:  

  • Comunhão com Deus                            Periodicamente (faço uma vez por semana), procure um lugar onde você possa ficar quieto(a) por algum tempo. Se não for possível fazer isso em casa, vá a um parque público, a uma biblioteca ou ainda a uma igreja (fora do horário de cultos). Sente-se, desligue o celular e afaste-se de qualquer outra fonte de distração – afinal, o mundo não vai acabar na próxima hora – e deixe seu pensamento rolar, sem muita preocupação de seguir um roteiro pré-estabelecido. Tente ouvir sua “voz” interior e entrar em contacto com Deus. Pense em coisas como: para onde sua vida parece estar indo e se esse é um bom caminho, as bençãos que Deus tem lhe dado as quais você nunca agradeceu (p. ex. saúde, e família), etc. Fale com Deus, sem fórmulas prontas. Apenas abra seu coração e diga o que sente. E peça ajuda a Ele.
  • Louvor                                                                Procure aprender alguns “corinhos” que lhe falem ao coração pelo significado da sua letra. E se acostume a cantá-los, baixinho, onde estiver: na condução, em casa, no trabalho, onde seja possível. Quanto pior for o seu dia, mais você deve cantar. Louvar a Deus quando você não sente qualquer vontade de fazer isso (a Bíblia chama isso de “sacrifício de louvor”), pode mudar de forma poderosa os momentos ruins – posso dar testemunho pessoal disso.
  • Ajuda ao próximo                                                    A organização dos escoteiros tem um lema: fazer pelo menos uma boa ação por dia. Crie você também esse hábito. Pode ser ouvir os problemas de um colega de trabalho, dar alimento para um morador de rua, telefonar para alguém que esteja doente ou em dificuldades. E assim por diante.

Palavras finais

Seguir algumas disciplinas espirituais pode significar mudança na sua rotina – talvez sair de casa mais cedo ou ver menos televisão. Mas pode ter certeza que as recompensas serão enormes: você vai crescer espiritualmente e se aproximar de Deus.  

E isso é o melhor que pode acontecer na sua vida – não há investimento melhor do seu tempo. 

Com carinho

1 Comentário


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    Daziele

    Muitoooo bom! 🙂

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