O PODER DO PERDÃO

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Morreu ontem, aos 95 anos, Nelson Mandela, talvez o maior líder político mundial dos últimos 30 anos. Sua trajetória, de prisioneiro político, até Presidente da República, parece enredo de filme. Sua grande contribuição para a África do Sul foi a política de reconciliação entre as populações branca e negra, que ele instituiu e dirigiu.

A África do Sul seguiu durante séculos uma política de discriminação racial oficial, que deixava os negros, maioria da população, sem boa parte dos seus direitos políticos e econômicos. E para manter os negros na linha, os dirigentes brancos cometeram inúmeras e muito sérias violações contra os direitos humanos.

Mas, a política do apartheid foi ficando cada vez mais difícil de manter, até porque a ONU decretou um embargo econômico contra a África do Sul, e a elite branca percebeu que seria preciso promover uma abertura política. os brancos temiam que os negros, ao tomarem o controle do governo, viesse a retaliar a população branca, em vingança por tudo que tinham sofrido, como aconteceu em outros países da África, como a Rodésia (hoje Zimbabwe).

Aí entrou em cena Mandela. Ele estava preso havia décadas, por conta da sua luta contra o apartheid e era um ídolo para os negros. O governo racista o procurou e perguntou se ele toparia conduziru um processo de transição do poder, que desse aos negros os direitos que eles tanto queriam, mas que garantisse a integridade física e econômica da população branca.

E Mandela aceitou, mesmo contra a opinião de mutios dos seus seguidores, que estavam sedentos por vingança. Foi libertado da cadeia, concorreu em eleições livres e foi eleito Presidente. E tornou-se, a partir daí, o garantidor da paz social na África do Sul.

Ele teve a grandeza de saber perdoar aqueles que lhe tinham causado sofrimento (foi torturado na cadeia) e pregou a conciliação para todoa a população. E, por conta da sua liderança e popularidade, os negros aceitaram esse compromisso e a transição foi feita de forma pacífica.

Para facilitar esse processo, Mandela instituiu tribunais onde as violações dos direitos humanos feitas pelos brancos racistas eram colocadas a nú, mas as pessoas que tinham cometido esses delitos não sofriam qualquer punição física ou monetária. A punição era apenas moral. Com isso, aquelas pessoas que sofreram violência tiveram o direito a ter sua voz ouvida, mas isso foi feito sem desequilibrar a delicada construção política que precisava ser mantida, para conseguir reconciliar o país.

Philip Yancey fez, num dos seus livros, o relato de uma sessão de um tribunal desse tipo, onde uma mulher negra se levantou para acusar um policial branco de ter matado seu marido e filho e tocado fogo nos corpos, tudo isso na frente dela. Ao falar no tribunal, olhando para o criminoso, sentado à sua frente, a mulher disse que o perdoava e comentou que esperava receber visitas dele, pois não tinha mais família e queria fazer daquele homem parte da sua nova família. Aí o criminoso e aquela mulher se abraçaram e reconciliaram, dando um grande exemplo para todos.

Foi exatamente por usar a arma do perdão e da tolerância que Nelson Mandela conseguiu evitar um banhi de sangue na África do Sul. E, por causa disso, ganhou o Prêmio Nobel da Paz. Ao longo do tempo, até os brancos passaram a amá-lo, e hoje ele é o Madiba, o pai de toda a nação.

Mandela era cristão (metodista) e encarnou, como ninguém, o ensinamento do perdão e da reconciliação que Jesus nos deu. E provou que Jesus estava certo, pois só o perdão constrói.

O mundo ficou menor sem o Madiba. Descanse em paz, Nelson Mandela. Pode ter certeza que seu exemplo vai frutificar.

Com carinho

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