UM ESTUDO DO APOCALIPSE – PARTE 4

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Discernindo os tempos
Está próximo o fim do mundo e a segunda vinda de Cristo? Esta é uma pergunta que os cristãos tem se feito inúmeras vezes. E muitos momentos da história foram marcados pela percepção de que a consumação dos tempos estava próxima, causando grande impacto nas vidas das pessoas – por exemplo, na virada do ano 1000, as pessoas abandonaram sua vida normal e ficaram esperando esses fatos acontecerem. Por conta disso, a economia e a sociedade sofreram muito. 

Muitos cristãos hoje em dia acham que o final está próximo, mas essa posição não é unânime. Mas o que a própria Bíblia diz a respeito dessa questão? Jesus ensinou que ninguém sabe o dia nem a hora em esses fatos vão começar a acontecer, nem Ele mesmo sabia (Mateus capítulo 24, versículo 36). 

Porém, Jesus incentivou as pessoas a discernirem os “sinais dos tempos” (Mateus capítulo 16, versículo 3) – isto quer dizer que é possível ter uma idéia aproximada do desenrolar dos fatos, prestando atenção a certos sinais, embora não seja possível precisar uma data para o final dos tempos. E há três sinais que podem ser notados nos dias de hoje, os quais parecem confirmar que esse final se aproxima. 

O primeiro deles é a a fundação do estado de Israel, ocorrida em 1948, quando os judeus puderam voltar para sua terra pela primeira vez desde o ano 70 (quando Jerusalém foi destruída pelos romanos). A reconquista de Jerusalém, ocorrida cerca de 20 anos depois, também foi prevista na Bíblia (Isaías capítulo 11, versículos 11 e 12). E o profeta Amós disse que, uma vez tendo retornado à sua terra, os judeus nunca mais sairão da Palestina (capítulo 9, versículos 14 e 15), o que vem se confirmando.

O segundo sinal é o crescimento dos ataques à Bíblia e à figura de Jesus, o que pode ser percebido nos escritos dos chamados “novos ateus”, como Richard Dawkins ou Sam Harris, que consideram a religião cristã um dos maiores males da história da humanidade. 

Muitas pessoas vem se afastando da fé cristã, o que é especialmente notável entre as populações educadas dos países do primeiro mundo, como a Europa Ocidental – quanto mais ricas e desenvolvidas ficam as pessoas, menos elas acham que precisam de Deus.  

A cronologia dos eventos futuros
O texto do Apocalipse lista uma série de eventos futuros que culminarão no final dos tempos: 

  1. O aparecimento de diversos sinais, conforme comentei acima – são citados ainda na Bíblia, além dos eventos já mencionados, guerras e desastres naturais de grandes proporções. 
  2. O arrebatamento da Igreja, que é o encontro dos salvos com Jesus, antes da sua volta à terra. 
  3. A “grande tribulação”, como Jesus chamou uma série de eventos catastróficos (Mateus capítulo 24, versículos 21 e 22) – Ele chegou a alertar que, se Deus não tivesse encurtado esse período, ninguém resistiria. Esse período também é caracterizado pela ação da Trindade Satânica (Satanás, o Anti-Cristo e o Falso Profeta). 
  4. A segunda vinda de Cristo, juntamente com a Igreja, para derrotar Satanás numa grande batalha. 
  5. O milênio, quando Cristo reinará com seu povo na terra por um longo período. 
  6. A última tentativa de Satanás e sua derrota definitiva. 
  7. O julgamento final. 
  8. A nova terra (nova Jerusalém) é instalada.

Nem todos os estudiosos concordam com a cronologia acima estabelecida – a estrutura dos fatos que apresentei é a mais tradicional, mas não é a única. As controvérsias mais importantes envolvem as seguintes questões:

  • O arrebatamento da Igreja: no esquema que apresentei acima, ela ocorrerá antes da grande tribulação, isto é a Igreja de Cristo não passará por esse período terrível – esta é a perspectiva chamada de pré-tribulacionista. Outra possibilidade é aquela que coloca o arrebatamento após a tribulação, indicando que a Igreja estará presente durante esses acontecimentos, perspectiva que é chamada de pós-tribulacionista. 
  • O milênio: há duas alternativas, sendo que uma importante corrente de pensamento – por ex. os presbiterianos e os católicos – defende que se trata do espaço de tempo entre a primeira vinda e a segunda vinda de Cristo, durante o qual Jesus já reina conosco, através da presença do Espírito Santo, corrente chamada amilenista. Aqueles que acreditam na existência do milênio como defini acima são chamados de milenistas

Os selos, as trombetas e as taças
A grande tribulação é caracterizada por uma série de eventos que demonstram a ira de Deus contra os desmandos da humanidade – o Apocalipse se refere a eles como a “abertura de 7 selos” (capítulo 5), o “ressoar de 7 trombetas” (capítulo 8) e o “derramamento do conteúdo de 7 taças” (capítulo 11). Não são acontecimentos sucessivos e sim a descrição dos mesmos eventos de forma diferente – é o que se chama de circularidade, pois o relato parece andar em círculos. Mas os selos dão mais atenção às tribulações dos salvos, dos gentios e do povo judeu, enquanto as trombetas e as taças mostram mais o impacto da ira divina sobre o mundo em si.

Mas, a grande tribulação também será um período de grande ação do Mal, liderada pelo Anti-Cristo, cujo relato começa no capítulo 13 e vai até o 19. Ou seja, os eventos descritos ali ocorrem em paralelo com os selos, as trombetas e as taças – sendo que o desespero gerado por essas catástrofes ajudam o Anti-Cristo a adquirir grande ascendência sobre as pessoas.

(CONTINUA)

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