UM ESTUDO DO APOCALIPSE – PARTE 3

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As divisões do texto do Apocalipse 

No começo da visão, Cristo mandou João escrever “as coisas que viste, e as que são, e as que hão de acontecer depois destas” (capítulo 1, versículo 19). Isso caracteriza que o texto do Apocalipse tem três partes. A primeira – “… as coisas que viste” – refere-se à visão do próprio Cristo glorificado, que abre o texto no capítulo 1.  A terceira parte – “…as coisas que vão acontecer depois destas” – refere-se às profecias que Cristo passou para João, a partir do capítulo 4. Portanto, os capítulos 2 e 3 do Apocalipse correspondem à segunda parte do texto: “as coisas que são”. E isso corresponde às mensagens mandadas às 7 igrejas da Ásia. 

Em resumo, as três partes do texto são: a introdução do texto, incluindo a visão do Cristo glorificado; as mensagem dadas às 7 igrejas; e as profecias sobre o final do mundo e a volta de Cristo. 


As 7 cidades da Ásia Menor (capítulos 2 e 3)
A mensagem enviada a cada igreja segue sempre o mesmo padrão: indicação da igreja destinatária; apresentação de quem envia a mensagem (Cristo); julgamento (pontos fortes e fracos) da igreja; exortação e promessas (recompensas e/ou punições).

A mais longa das mensagens é dirigida à igreja de Tiatira, que ficava na cidade menos importante de todas. A mais curta foi endereçada a Esmirna, cidade muito famosa. Logo, não há relação direta entre a importância política, econômica e/ou social da cidade e o impacto espiritual da igreja nela situada na obra de Deus. 

Diversos comentários ou mesmo profecias refletem a situação geográfica, social ou econômica das cidades onde as igrejas se situavam. Éfeso era uma importante cidade com cerca de 250.000 habitantes. Ali ficava o templo da deusa Diana, considerado uma das 7 maravilhas do mundo antigo, que trouxe fama e riqueza para a cidade. 

Esmirna era uma importante cidade, onde ficava o maior porto marítimo da Ásia Menor. A cidade tinha diversos templos e outros prédios situados no topo do monte Tagos, conhecido como a “coroa” de Esmirna – há um paralelo sobre isso no capítulo 2, versículo 10, comparando essa “coroa” arquitetônica à “coroa” da vida (o que verdadeiramente importa). 

Pérgamo era a capital da Província romana da Ásia, famosa pelos seus grandes templos pagãos, incluindo um em honra do imperador romano, situado no ponto mais alto da cidade – vem daí a expressão “trono de Satã” (capítulo 2, versículo 13).

Tiatira era sede de uma guarnição romana, mas era relativamente pequena, se comparada a Pérgamo, por exemplo, mas tinha uma importante indústria de metal.

Sardes era uma das mais antigas cidades da Ásia Menor. No ano 17 foi destruída por um terremoto, tendo sido reconstruída pelo imperador romano Tibério – em agradecimento, a comunidade construiu um templo em honra dele. A advertência de Cristo de que viria como ladrão (capítulo 3, versículo 3) rememorou o fato que a cidade foi capturada de supresa, por seus inimigos, por duas vezes. A cidade tinha importantes indústrias para tingimento e manufatura de tecidos (veja referencia no capítulo 3, versículos 4 e 5).

Filadélfia era o centro da cultura grega na Ásia Menor e também tinha um papel comercial importante. Foi destruída pelo mesmo terremoto que atingiu Sardes e reconstruída pelo imperador Tibério. Para homenageá-lo, a cidade mudou seu nome para Neocesarea, posteriormente alterado para Filadélfia e depois para Flávia (veja referencia no capítulo 3, versículo 12). 

Laodicéia era um importante centro administrativo, comercial, bancário e de manufatura de produtos de lã. Tinha ainda uma escola de medicina, de onde provinha um colírio muito conhecido (veja referência no capítulo 3, versículo 18). A cidade era muito rica, por isso foi capaz de recusar subsídios governamentais, quando foi destruída por terremotos. A citação de que era morna espiritualmente (versículo 16) faz referencia às fontes de água quente de uma cidade próxima, Hierópolis, e as de água fria encontradas em Colossos. 

O problema com as igrejas cristãs ontem e hoje 
O texto do Apocalipse aponta três problemas importantes que essas igrejas enfrentavam: perseguição (Esmirna e Filadélfia); falsas doutrinas (Éfeso, Pérgamo e Tiatira) e complacência (Sardes e Laodicéia). 

Os mesmos três problemas continuam presentes na vida das comunidades cristãs. Continuam a haver perseguições, tanto físicas (p. ex. em países comunistas ou muçulmanos), como culturais (para muitos, o cristão é sempre atrasado culturalmente, preconceituoso e/ou intolerante). 

Complacência e acomodação costumam aparecer quando a comunidade já está constituída e com seus problemas financeiros devidamente equacionados. E é justamente essa situação privilegiada que pode se tornar um veneno – os países de primeiro mundo estão cheios de igrejas nessas condições, definhando lentamente.

Doutrinas estranhas, o terceiro tipo de problema, também continua comum. Algumas delas são importadas de fora do mundo cristão, mas acabam por ter enorme influência nele, pelas respostas fáceis que proporcionam – p. ex. as doutrinas esotéricas (Nova Era) e as terapias alternativas.

Mas doutrinas estranhas também acabam sendo geradas dentro da própria Igreja, levando muitas pessoas a se desviar do caminho certo. Um bom exemplo é a chamada doutrina da “confissão positiva” que defende a superação de quaisquer problemas físicos ou materiais se a pessoa tiver fé “suficiente”.

A mensagem que Cristo enviou para aquelas igrejas foi válida naquela época e continua válida hoje em dia. Ela pode ser resumida da seguinte forma: não importa as circunstâncias da vida, mantenham-se firmes e não façam concessões ao Inimigo pois a vitória final certamente virá.



(CONTINUA)

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