UM ESTUDO DO APOCALIPSE – PARTE 2

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A visão que o apóstolo João teve incluiu imagens terríveis do final dos tempos – terremotos, pestes, guerras, etc. Mas elas têm um significado teológico: quando Deus vier, toda oposição a ele será destruída. Em outras palavras, ela nos conta que a ação de Satanás já ocorreu – Jesus foi martirizado e morto -, mas a vitória final está plenamente
garantida, pois Ele ressuscitou dentre os mortos e voltará para implantar o Reino de Deus. O texto, portanto, exorta os cristãos(ãs) a trabalhar e se engajar para contribuir na obra de Deus que já se desenrola diante dos seus olhos na história humana. 

As chaves para interpretação

O texto do Apocalipse é cheio de simbolismos e isso precisa ser levado em consideração na interpretação. Evidentemente,
há trechos do texto em que cabe uma interpretação literal – p. ex. as 7 igrejas da Asia Menor, para quem o texto foi endereçado, eram comunidades cristãs reais -, mas na ma na maior parte do livro é preciso entender o significado dos símbolos.  

E há alguns aspectos a serem
considerados nessa interpretação. O primeiro é a circularidade: o relato não é linear, ou seja a mensagem volta aos mesmos temas, como se o relato andasse em círculos. 


O segundo aspecto é o grande uso de referências do Velho Testamento – são mais de 400 ao longo do livro. Por conta disso, não é possível entender o Apocalipse corretamente sem também entender diversas coisas que são ditas na primeira parate da Bíblia. 


O terceiro aspetco é contexto: é preciso entender que o texto está inserido num período particular da história. Há claras referências nele ao império
romano e às perseguições que o imperador Domiciano moveu contra os cristãos, bem como às
tensões existentes entre o cristianismo e o judaismo. 

Sendo assim, para explicar os símbolos usados é preciso entender seu sentido para os cristãos(ãs). Veja a seguir uma lista de símbolos usados e seu significado: 

      –  Cor branca = vitória ou pureza.
–   Cor vermelha = violência, simboliza o sangue dos mártires
–   Cor preta = morte ou impiedade
–   Chifre = poder
–   Cabelos brancos = eternidade ou sabedoria
–   Trombeta = anuncia que Deus vai falar
–   Vestes talares (compridas) = dignidade, poder
–   Ouro = poder, realeza
–   Dragão = Satanás
–   Anti-Cristo = a Besta
–   número “3” = a Santíssima Trindade
–   “4” = totalidade (p. ex., os quatro cantos do mundo)
–   “6” = o homem (foi criado no sexto dia)
–   “666” = símbolo do Anti-Cristo
–   “7” = perfeição
–   “12” = o povo de Deus (Israel e a Igreja cristã)
–   “1000” = grande quantidade

Os números também podem ser multiplicados. Por exemplo,  

144.000 =
12 (Israel) x 12 (a Igreja) x 1000 (grande quantidade) = “o povo de Deus em
todos os tempos”.

O Cristo glorificado (capítulo 1, versículos 12 a 20)
João ouviu uma voz como que de trombeta, deixando claro que Deus queria falar diretamente com ele. Oara, a trombeta na Bíblia é usada com o significado de uma convocação de Deus – no livro do Êxodo, quando Moisés levou o povo para se encontrar com Deus no Monte Sinai, ouviram-se trombeta (capítulo 19, versículos 16 a 19).

João então viu Jesus Cristo glorificado, ou seja como Ele é hoje no Reino de Deus. A reação de João foi a de cair como morto, idêntica à dos profetas Isaías e Daniel quando tiveram visões desse tipo. Isso ocorre porque o ser humano, na sua impureza, não consegue ficar na presença gloriosa e santa de Deus.

Tal fato coloca em dúvida alguns relatos que são publicados sobre supostas visões que as pessoa tiveram de Jesus, onde Ele se comporta como um “amiguinho”. Jesus, o homem, não existe mais, pois quem vive hoje é o Cristo glorificado e vê-lo joga a pessoa por terra. Qualquer coisa diferente disso, contraria o que a Bíblia relata.

A pessoa que João viu era completamente diferente do Jesus humano, tanto que o apóstolo não o reconheceu de imediato. A aparência de Cristo é majestosa e João a descreveu através de vários símbolos: vestes talares e cinto de ouro (parte da vestimenta do sumo-sacerdote, significando que Cristo é o chefe da Igreja); cabelos branco como a neve (eternidade e sabedoria para julgar); olhos como chama de fogo (o ouro era refinado peloo fogo, portanto esse símbolo representa o conhecimento de Cristo, que vê o interior das pessoas); pés semelhantes ao bronze polido (força, poder e estabilidade, um claro contraste com os pés de barro da imagem do um falso ídolo que o profeta Daniel viu ); e da boca saía-lhe uma espada afiada (a Palavra de Deus).

(CONTINUA)

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