O DIA DO PERDÃO

0
2465

Hoje, nossos irmãos judeus comemoram o “Dia do Perdão”, festa de grande importância na religião judaica. Para homenageá-los, aí vai um texto que explica as bases bíblicas para essa comemoração. 

A comemoração do Dia do Perdão (Yom Kippur) é um mandamento perpétuo dado por Deus ao povo judeu, para marcar a oportunidade em que Deus julga os pecados de Israel e concede ao povo o seu perdão. 

Nesse dia, o pecado do povo era transferido para um bode expiatório (vem daí a expressão no popular), que levava sobre si esses pecados. Precisamos lembrar que o sistema sacrificial, ao qual Israel estava submetido, previa duas fases para o perdão de Deus. Na primeira, as pessoas faziam seus sacrifícios regulares, onde ficava caracterizado seu desejo de serem perdoadas. O Kippur representava o momento inverso, onde Deus expressava sua vontade de perdoar o povo – era como se os sacrifícios regulares somente se completassem no Dia do Perdão. 

O ritual do Kippur  
Dois bodes semelhantes fisicamente eram separados para esse ritual.  Um era escolhido para oferta de pecado para Deus e outro para Azazel (o precipício de uma montanha alta). 

O primeiro bode era morto e seu sangue aspergido sobre a Arca da Aliança, que ficava no Santo dos Santos, o local mais sagrado do Templo de Jerusalém. Ali somente o sumo sacerdote podia entrar e apenas no Dia do Perdão – tanto assim que ele era amarrado com uma corda, antes de entrar, para ser puxado, caso algo de errado acontecesse. 

Sobre o segundo bode o sumo sacedote falava a seguinte oração: “Deus eu agi de forma iníqua, transgredi, e pequei perante Ti: eu, minha casa, e os filhos de Arão [o Patriarca dos sacerdotes, irmão de Moisés] – teus santos. Deus, perdoa as iniqüidades que eu, minha casa, e os filhos de Arão – seu povo santo – cometeram perante ti, como está escrito na Torá [Pentateuco] de Moisés, teu servo, pois neste dia Ele vos perdoará, e vos limpará de todos os seus pecados perante Deus; e sereis limpos.”

Um sacerdote era então escolhido para levar esse bode a um precipício no deserto, sendo acompanhado em parte do caminho pelos homens mais proeminentes da comunidade. Diz a tradição judaica que o precipício (Azazel) era tão alto e de superfície tão áspera que, antes de chegar ao fim do precipício, as costelas do bode já estavam totalmente quebradas. Esse bode representava alguém que carregava consigo os pecados do povo, se afastando do Templo de Jerusalém (simbolicamente de Deus) e sendo lançado no precipício do inferno. 

O Yom Kippur hoje 
Como o Templo de Jerusalém destruído e nunca reconstruído, como fica a comemoração do Yom Kippur pelos judeus hoje em dia? Na realidade, o sacrifício era apenas parte da celebração. Levítico capítulo 16, versículo 29, diz que as pessoas devem “afligir” suas almas nesse dia. O entendimento é que, ao se abster de alimento, a pessoa faz exatamente isso. Há vários outros exemplos de textos na Bíblia onde a expressão “afligir” a alma é usada para significar jejum, como Salmo capítulo 35, versículo 13 ou Isaías capítulo 58, versículo 3. 

Assim, todos os judeus considerados adultos (meninos acima dos 13 e meninas acima dos 12) devem 
jejuar. Esse jejum pode ser completo, parcial (apenas de alimentos sólidos) ou aquele que evita todos os alimentos, exceto verduras e frutas (o chamado “jejum de Daniel”). 

Dada sua importância, é considerada transgressão gravíssima trabalhar no Yom Kippur (por isto esse dia é também chamado o “Sábado dos Sábados”). A pessoa também não pode buscar entretenimentos, pois esse é um dia de aflição. 

As sinagogas promovem reuniões para que o povo busque o perdão em comunidade. O serviço possue três partes principais: o Kol Nidrei, oração onde se pede perdão e anulação de todos os votos que as pessoas fizeram a Deus e não cumpriram; as orações de Ashamnue Al Cheit, para confissão dos pecados, tanto do povo, quanto individuais; e a Neilá, a conclusão do Yom Kippur, onde as pessoas têm a última oportunidade de se arrepender. Essa última parte da cerimônia também simboliza o julgamento de Deus.  

Paralelos com Jesus Cristo
O sacrifício do Yom Kippur tinha início com um banho de purificação pelo qual o sumo sacerdote (a quem cabia conduzir todo o cerimonial) obrigatoriamente passava. Assim também, Jesus iniciou seu ministério público sendo batizado por João Batista. 

O bode que era morto e tinha seu sangue aspergido sobre a Arca era uma símbolo precursor de Jesus – Ele teve seu sangue derramado na cruz e sua morte fez com que cortina,  que separava o Santo Lugar (onde os sacerdotes entravam diariamente) do Santo dos Santos (onde ficava a Arca da Aliança e só se entrava uma vez por ano), fosse rasgada demostrando que, a partir dali, todos passavam a ter acesso direto a Deus. 

O bode que era lançado no abismo também era um símbolo precursor de Cristo, pois Ele carregou nossos pecados e os tirou da presença de Deus. 

A grande diferença entre o cerimonial do Yom Kippur e Cristo é que o sacrifício desse último ocorreu apenas uma vez e foi suficiente para o perdão dos nossos pecados para sempre.

Com carinho

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here