A CRISE FINANCEIRA É UM PASSO PARA O FIM DO MUNDO?

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Diversas pessoas têm me perguntado se a crise financeira seria mais um sinal que o final do mundo está próximo.  Antes de responder, é preciso esclarecer, para aqueles que não sabem, que o fim da civilização, tal como a conhecemos, ocorrerá com a volta de Cristo. A maioria dos teólogos defende que, antes dessa volta, haverá um período de 7 anos de terríveis dificuldades, período esse que a Bíblia chama de Grande Tribulação. O nome em si já é assustador, mas a descrição do que irá ocorrer (ver Apocalipse capítulos 8 a 11) é verdadeiramente de arrepiar.

Assim, quando as pessoas ficam em dúvida se o fim do mundo está se aproximando, é porque estão eventualmente percebendo possíveis paralelos entre as descrições bíblicas do que ocorrerá durante a Grande Tribulação e os eventos do dia a dia.

Em alguns casos é simples fazer essa correlação. Por exemplo, foi profetizada a volta do povo judeu para seu território, a Palestina, o que se confirmou com a fundação do Estado de Israel em 1948. Mas outros eventos, como catástrofes naturais – terremotos, pestes, vulcões, etc -, são mais difíceis de caracterizar como profecias cumpridas pois esse tipo de problema sempre ocorreu ao longo da história da humanidade.

Mas, recentemente, temos tido problemas de outra natureza: quebra de organizações colossais e muito poderosas, que se desfizeram em questão de meses. Tudo começou com os Estados Unidos, em 2007/2008, onde literalmente quebraram vários dos maiores bancos, a General Motors, a maior seguradora, etc. A maioria dessas organizações ainda existe porque o governo americano injetou cerca de 1 trilhão de dólares – quase meio Brasil – nessas empresas para salvá-las.

Depois vieram os países. A pequena Islândia quebrou ainda em 2008, depois, no ano passado, quebraram a Grécia (que voltou a quebrar esse ano), a Irlanda e Portugal. Agora é a Itália que está quebrando, com uma dívida de “apenas” 2 trilhões de dólares. E atrás dela, caso a Itália quebre mesmo, virão outros países. Isso sem contar os Estados Unidos que são uma “bomba” relógio pois devem 14 trilhões de dólares – um buraco quase seis vezes o tamanho do Brasil.

Não posso afirmar que aí está o fim do mundo, até porque a Bíblia nos diz com clareza que ninguém sabe quando isso se dará e, portanto, seria perda de tempo ficar especulando. Mas isso tudo prova que há algo muito errado com o sistema capitalista, tão cantado em prosa e verso. 

Trata-se de uma crise estrutural profunda, que vai forçar a sociedade mundial a repensar muitas coisas para não perecer. Não dá mais para as pessoas, empresas e países desfrutarem de um padrão de vida acima daquilo que podem e o sustentarem com empréstimos, que não são nunca pagos, mas sim substituídos por outros empréstimos. 

E essa crise decorre da sociedade moderna estar estruturada em torno de uma permanente luta para “ter”, mais e mais dinheiro, conforto, sucesso, etc. Nessa luta, o que importa é a vitória e não os meios para obtê-la. Vale tudo para “chegar lá”. 

Assim, a pessoa ao lado pode se tornar um obstáculo para a “vitória”, um “inimigo” a ser derrotado”. Não é por acaso que a literatura de negócios tem tantos livros com referencias militares: “Marketing de Guerra”, “Marketing de Guerrilha” ou “Como vencer a guerra do seu negócio”. Isso explica também porque os esportes são tão populares: um jogo de futebol é como uma “guerra” em que uma torcida acaba vitoriosa sobre a outra.

A sociedade tornou-se, assim, um campo de batalha, onde não se pode nem pensar em misericórdia. E o impacto dessa postura é, muitas vezes terrível. Por exemplo, nos Estados Unidos, os alunos das escolas se classificam a eles mesmos como “perdedores” e “ganhadores”. O “perdedor/a” não é popular, não consegue namorar com pessoas interessantes, é feio/a e/ou gordo/a, etc. É claro que essa classificação acaba por gerar grandes traumas nos “perdedores” – há alguns anos, dois alunos classificados assim promoveram um massacre na escola Columbine para se vingar. Já na Coréia do Sul, cujo sistema educacional estimula a disputa entre alunos pela obtenção dos melhores resultados escolares, a taxa de suicídio entre os jovens vem crescendo muito.

A luta constante pelo “ter” incentiva e faz aflorar o que há de pior no ser humano: egoísmo, vaidade, inveja, etc. Ao invés de procurar “domar” esse pior lado, exercitando o amor ao próximo, como Jesus nos ensinou, a sociedade faz o contrário. O lema da moda é “eu mereço”. E para obter aquilo que se merece vale usar quaisquer armas, inclusive mentira, corrupção e violência. 

Nós, cristãos, precisamos entender o que se passa em torno de nós para podermos resistir a essas influências tão poderosas, quanto negativas. Por exemplo, evitar a contaminação do consumo desenfreado, da obtenção do prazer a qualquer custo, de medir o sucesso pelos bens materiais e status que a pessoa tem e assim por diante. 

Não é tarefa fácil pois somos bombardeados diariamente por esses conceitos, presentes em todas as campanhas de marketing divulgadas na mídia. Eu mesmo enfrento essa luta diariamente e tenho às vezes que tapar os ouvidos para não cair no “canto da sereia”, tão lindo quanto mortal. 

Estude sempre a Bíblia para entender o que verdadeiramente importa para Deus; ore sempre para buscar forças junto Ele para conseguir ser diferente dos padrões esperados; e busque sempre a companhia daqueles que também colocam os ensinamentos de Jesus antes de tudo, onde você poderá encontrar palavras de conforto e incentivo.

Com carinho

Vinicius 

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