O QUE UM CARRO REBOCADO ME ENSINOU

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Anualmente, a minha sogra paga uma estadia para toda a família em Campos de Jordão. Normalmente vamos para o mesmo hotel, que é bem familiar, confortável, mas sem ser luxuoso, e muito bem localizado. É uma oportunidade maravilhosa de estar com a família toda, sem preocupações, comendo bem, dormindo melhor ainda, e relaxando das lutas da vida diária.

Fomos para Campos do Jordão na última passagem de ano – um total de 14 pessoas, entre adultos e crianças – e ficamos por 4 dias. Tudo correu muito bem, exceto na viagem de volta, quando meu carro teve uma pane geral no câmbio automático e acabamos chegando em casa de reboque. Para nossa tristeza, o conserto do carro vai ficar bem caro – coisas da tecnologia moderna.

Uns dias depois, fazendo nossa devocional diária, pela manhã, minha mulher e eu chegamos a uma conclusão chocante, que achei que deveria dividir com vocês. Durante o período em que tudo estava bem, lá no hotel, nosso relacionamento com Deus foi reduzido a um mínimo – uma simples oração pela manhã que era, para ser sincero, meio burocrática. Na volta de Campos do Jordão, quando paramos na estrada e as coisas começaram a ficar feias – medo de assalto, de desastre, de meu sogro, que é velhinho, passar mal, etc – imediatamente nos lembramos de Deus. Minha mulher começou a orar e pedir ajuda, que veio, com certeza, pois fomos logo rebocados para um posto de gasolina e depois o seguro tomou conta de tudo – exceto do conserto em si, que vamos ter que pagar, mas isto já é uma outra história.

Essa experiência reproduziu, em escala pequena, a história do ser humano com Deus. Quando tudo está bem, tendemos a diminuir a presença de Deus em nossa vida, para voltar a lembrar Dele quando as coisas ficam feias. Ou seja, as boas circunstâncias – saúde, boa situação financeira, vida em família ajustada, etc – tendem a nos levar a aproveitar a vida e deixar Deus em segundo plano.

É interessante que o tema a que tenho dedicado os últimos posts aqui no blog tenha sido justamente o dar prioridade a Deus, sobre todas as coisas. E minha experiência pessoal mostrou como é fácil perder o foco. Um caso bem patente de “façam o que eu digo, mas não o que eu faço…” Deus me perdoe por isto.

Há pessoas que conseguem manter Deus como prioridade, mesmo quando tudo vai bem – na minha igreja, mesmo, conheço um caso assim. Mas, são bem poucas e eu, certamente ainda não aprendi a ser uma delas. Para cada uma que se mantem focada, eu ousaria dizer que há dezenas que perdem rapidamente o foco em Deus.

Há duas reflexões que eu gostaria de fazer, com base no que já foi dito acima. A primeira delas é por que não “curtimos” nossa alegria junto a Deus – afinal, se temos um momento bom, é natural querermos dividi-lo com quem amamos. Mas, não é assim que acontece na prática – “curtimos” viajando, indo a festas, fazendo um churrasco em casa, assistindo televisão, enfim fugindo da rotina. Poucas vezes já vi alguém dizendo que vai “curtir” seus momentos alegres ajudando os pobres ou louvando a Deus. Se formos sinceros é exatamente assim que as coisas se passam.  

A segunda reflexão tem a ver com a percepção da misericórdia de Deus para conosco. Se nos afastamos Dele nos momentos bons e Ele anseia por estar perto de nós – como a Bíblia mesmo nos diz – não seria de estranhar que Deus permitisse que nossa vida estivesse sempre cheia de problemas. O fato de isto não acontecer, nos prova como Deus é misericordioso. Ele entende nossas fraquezas e espera pacientemente que venhamos a aprender nossas lições, por nós mesmos – como eu espero que tenha acontecido comigo, na última passagem de ano. Aí estão a Bíblia e os irmãos na fé para ajudar nesse aprendizado.

Acho que já ficou claro para você, como está claro para mim, que a escolha e a manutenção de novas prioridades na vida não é algo simples de fazer. É um exercício diário de humildade. Foi isto que Jesus fez e nos ensinou a fazer também.  

PS Agradeço à Alicia, minha mulher, por ter chamado minha atenção para muitas reflexões que estão incluídas neste post.

Vinicius

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