TEVE SUCESSO NO TRABALHO MAS FRACASSOU COM A FAMÍLIA

1
132690

Há pessoas que apresentam uma história de vida com resultados distintos nas diferentes áreas. Por exemplo, é comum encontrar quem alcance grande sucesso na  profissão, enquanto fracassa fragorosamente nas relações pessoais e familiares.

Há vários exemplos na Bíblia de pessoas exatamente assim e o melhor deles talvez seja o rei Davi.

A história de Davi
Davi foi o maior rei da história de Israel, um político habilidoso, general invencível e um líder carismático. Pegou o reino de Israel semi-destruído, depois do reinado desastroso do rei Saul e deixou para seu filho (Salomão) uma nação rica e poderosa.
Além de tudo, ainda era um grande poeta e músico talentoso – escreveu a maior parte do livro de Salmos, onde existem textos maravilhosos que nos inspiram até hoje. 
Finalmente, a Bíblia conta ainda que ele era um homem “segundo o coração de Deus” (Atos capítulo 13, versículo 22), ou seja Davi tinha sintonia total com Deus. 
Davi teve grande sucesso como rei e por isso é reverenciado até hoje. Agora, na vida familiar, foi péssimo, um autêntico fracasso. E alguns exemplos servem para comprovar isso. 
Os problemas familiares de Davi começaram quando ele cometeu adultério com Bate-Seba, a esposa de um dos seus oficiais (Urias). Como a mulher engravidou, Davi bolou um plano para forçar a morte de Urias em batalha e poder, então, se casar com a viúva, escondendo o mal feito. Naturalmente, isso gerou um grande escândalo e nunca mais houve paz na família de Davi. 
Outro caso grave aconteceu quando um dos seus filhos (Amnon) estuprou uma meio-irmã (Tamar) e Davi nada fez para punir esse ato terrível, que destruiu a vida da moça. Outro irmão da mesma moça (Absalão) fez justiça com as próprias mãos e matou o ofensor (2 Samuel capítulo 13), gerando uma enorme crise familiar. 
Mais adiante, o mesmo Absalão, que era o filho preferido de Davi e seu herdeiro, revoltou-se contra o pai e tentou tomar-lhe o trono. Absalão acabou morto por um dos generais de Davi.
A partir da morte de Absalão, a sucessão de Davi ficou em aberto e as intrigas palacianas se multiplicaram, sem que Davi fizesse qualquer coisa para pacificar a situação. O segundo filho de Bate-Seba com Davi (Salomão) acabou herdando o trono e precisou matar alguns dos seus meio-irmãos para conseguir se consolidar no poder.
Em resumo, a vida familiar de Davi foi um desastre completo, mesmo ele tendo sido um grande rei. E essa situação guarda um grande ensinamento para todos/as nós.
A necessidade de alcançar o equilíbrio 
Sucesso absoluto numa área, fracasso completo na outra. O que pensar de Davi? E essa mesma pergunta se aplica há muitos/as artistas, empresários/as, políticos/as, etc, que tem o mesmo perfil de vida. Como também a líderes religiosos e obreiros/as na obra de Deus.
Há duas explicações possíveis para esse tipo de desequilíbrio. A primeira delas é a má distribuição do tempo – as pessoas tendem a gostar mais daquilo que fazem bem feito e acabam por dedicar uma parte muito grande do seu tempo e atenção às coisas onde alcançam sucesso, pois se sentem vitoriosas naquela área da vida.

Com isso, acabam tendo menos tempo para as áreas onde não costumam se sair tão bem, agravando suas dificuldades justamente onde são menos competentes. 

Conheci um grande pastor que simplesmente não tinha tempo para sua família. Vivia meio “flutuando”, somente pensando nas coisas de Deus e do seu ministério, deixando para sua mulher a pesada tarefa de educar um monte de filhos/as.

Somando a essa situação as dificuldades financeiras naturais na vida de qualquer pastor realmente comprometido com o Reino de Deus, a vida da esposa dele tornou-se muito difícil e sacrificada. O resultado é que ela se tornou uma mulher muito amarga e difícil de se lidar, tornando a vida familiar desse pastou numa “zona de guerra”.

Como tinha dificuldades no tratamento das relações familiares, aquele pastor se escondeu atrás do seu ministério e só tinha tempo para as coisas de Deus, negligenciando totalmente sua família, o que só fez tornar as coisas piores. 

Penso que esse também foi o caso de Davi – simplesmente não investiu tempo suficiente na sua família e deixava as coisas ali correrem ao sabor dos acontecimentos e deu no que deu.

A outra razão para algumas pessoas terem grande sucesso numa área da vida e simplesmente fracassarem na outra é que tentam usar  as técnicas de resolução de problemas que funcionam muito bem na área onde são competentes nas outras áreas da sua vida e isso nunca dá muito certo.

O filme “A noviça rebelde”, um belíssimo musical que encantou a minha infância, retrata a história real de uma família liderada por um viúvo, oficial do Exército aposentado. Ele tentou liderar seu bando de filhos/as como tinha feito com seus soldados no quartel, usando o mesmo tipo de disciplina e rigor e o resultado naturalmente foi desastroso. Somente com a chegada de uma governanta, que passou a funcionar como “mãe” para as crianças, o problema foi superado.

As pessoas que aplicam numa área da vida técnicas que não são válidas ali, normalmente têm dificuldade de aceitar que estão errando e costumam insistir no mesmo caminho, achando que vão obter resultados melhores, se fizerem um esforço maior.

Esse foi o caso de outro pastor que conheci, também muito bem sucedido no seu ministério, que passou a vida tentando pastorear os/as próprios/as filhos/as, quando seu papel com eles/as deveria ter sido exclusivamente o de ser seu pai.

Ele acabou não sendo nem um bom pastor para os/as filhos, pois tinha demasiado envolvimento emocional com eles/as, e nem o pai que os/as filhos/as precisavam. E quando as reclamações dos/as filhos/as chegaram até ele, esse pastor se esforçou por pastorear melhor os/as filhos/as, agravando o problema. Ao fazer mais do mesmo, tornou tudo ainda pior. O resultado final foi uma frustração geral na família. 

Como corrigir esse tipo de situação
Uma vida cristã plena pressupõe equilíbrio em todos os seus campos: trabalho, família, lazer, espiritual, etc. Desequilíbrios são sempre ruins, mesmo quando o campo espiritual é aquele privilegiado. É preciso, portanto, investir na correção dos eventuais desequilíbrios.
Isso passa, em primeiro lugar, pela percepção do problema – saber que alguma coisa está errada e que há um desequilíbrio. Davi nunca teve essa percepção, como também não a teve o pastor que só cuidava das coisas de Deus, deixando a esposa sozinha cuidar dos/as filhos/as. 
Percebido o desequilíbrio, a coisa a fazer é passar a dedicar muito mais atenção à área da vida onde as coisas não vão indo bem. Por exemplo, se há problemas com filhos/as, é preciso ter tempo disponível para eles/as. E, se for o caso, fazer até uma terapia familiar.
É preciso ainda ter em conta que as necessidades de atenção nas diversas áreas da vida mudam com o passar do tempo. Por exemplo, filhos/as tomam mais tempo quando pequenos/as. Quando uma pessoa da família fica doente, ela precisa ser objeto de maior atenção. E se há uma crise no trabalho, será preciso, por algum tempo, dar menos atenção à família, para estabilizar as coisas. 
A segunda coisa que precisa ser feita, quando há desequilíbrios, é analisar se a forma de agir em cada área está adequada. Por exemplo, é certo errado tentar tratar empregados/as como filhos/as e filhos/as como empregados/as – são situações totalmente diferentes. O que dá certo num caso, não vai dar no outro.  
Finalmente, procure ajuda se você tem tem esse tipo de desequilíbrio na sua vida e não consegue resolver o problema sozinho/a. Dependendo de onde for o problema, você pode recorrer a seu pastor/a, a um/a amigo/a, a um/a terapeuta e assim por diante. Lembre-se, não há vergonha nenhuma em reconhecer sua dificuldade e buscar ajuda.
Com carinho 

1
Deixe um comentário

avatar
1 Comment threads
0 Thread replies
0 Followers
 
Most reacted comment
Hottest comment thread
1 Comment authors
Marcos Antonio de Sousa Recent comment authors

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

  Subscribe  
newest oldest most voted
Notify of
Marcos Antonio de Sousa
Visitante

Amém! Lendo essas linhas entendi que nem sucesso justifica o fracasso da família.