SALVOU-SE GRAÇAS AO MILAGRE. MAS E OS QUE MORRERAM?

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Em 2016, o mundo dos esportes foi abalado com a queda do avião que transportava o time de futebol da Chapecoense, desastre que matou quase todos os jogadores, a comissão técnica e os dirigentes do time, bem como tripulantes do avião (veja mais).

Foram poucos os sobreviventes e, dentre os quais, um jogador evangélico. E familiares desse jogador deram entrevista á mídia atribuindo sua salvação à intervenção de Deus – um verdeiro milagre.

Aí surge uma grande dúvida: se atribuímos a Deus a salvação daquele jogador, não deveríamos atribuir também a Ele a morte das outras pessoas? Não teria havido uma escolha injusta, onde Deus decidiu quem ia morrer ou ser salvo? São questões difíceis mas é preciso respondê-las. Vou tentar fazer isso.

Começo lembrando que Deus é onipotente – isso quer dizer que Ele pode fazer qualquer coisa que seja logicamente possível. Assim, Deus pode fazer quase tudo, mas não pode, por exemplo, se suicidar, pois Ele é um ser eterno e imortal. 

Por outro lado, Deus nos deu a liberdade para fazermos nossas escolhas (livre arbítrio). E por causa disso, Ele, voluntariamente, abriu mão de fazer sua vontade valer sempre. Afinal, se os seres humanos têm livre arbítrio, eles podem escolher seguir por caminhos que contrariam a vontade de Deus. 

Isso não quer dizer que Deus não possa impor sua vontade, quando assim o quiser, pois é onipotente. E algumas vezes Deus fez isso, como quando tirou o povo de Israel da escravidão no Egito, lançando diversas pragas contra o faraó, que resistia a perder seus escravos. Mas, de forma geral, Deus permite que os seres humanos experimentem suas próprias escolhas.

As escolhas erradas feitas pelos seres humanos, portanto, podem ser consideradas como permitidas por Deus – pois Ele escolheu não intervir, embora tivesse capacidade para tanto –, mas não seguem necessariamente a sua vontade.

O desastre do avião da Chapecoense aconteceu por erro humano: para economizar, o volume de combustível usado no abastecimento da aeronave foi limitado e ela caiu por falta de combustível. A culpa, portanto, cabe a quem foi ganancioso e não levou em conta a segurança dos passageiros. Deus nada tem com isso.

Agora, por que então Deus escolheu não interferir e salvar todas as pessoas que estavam no avião? E estou falando aqui, evidentemente, de um milagre – uma ação de Deus que suspendesse ou amenizasse a ação das forças da natureza (como a lei da gravidade).

resposta para essa nova pergunta passa pelo entendimento que Deus criou o mundo para funcionar com base em leis naturais (como a lei da
gravidade). 

E é preciso que essas leis estejam sempre presentes, senão o mundo seria absolutamente imprevisível – imagine como seria viver neste mundo se, num dia, a lei da gravidade estivesse funcionando e, noutro, estivesse “desligada”. Não haveria como fazer uma sociedade organizada funcionar com tal grau de imprevisibiliade.

Milagres são justamente aquelas situações, muito especiais, em que Deus interfere no funcionamento das leis naturais. E isso precisa ser uma exceção, pois senão o mundo seria imprevisível, conforme comentei.

Deus não tem qualquer obrigação de fazer milagres e faz isso quando entende que deve e pelos motivos que somente cabem a Ele saber (veja mais).

Nós não temos direito de pedir explicações a Deus por suas atitudes, pois Ele não tem obrigação de fazer milagres. Os seres humanos não têm direitos adquiridos em relação a isso. 
 
Deus, portanto, pode perfeitamente escolher salvar uma única pessoa, no meio a um desastre de avião, por motivos que somente Ele mesmo conhece e não há injustiça nisso. E o fato d´Ele escolher salvar alguém já deve ser motivo de regozijo.
 
Concluindo, quando ocorre um milagre e o/a cristão/ã que se beneficiou dele resolve agradecer e testemunhar o que Deus fez na sua vida – como ocorreu com a família do jogador salvo -, isso está correto. Esse reconhecimento e a gratidão devem mesmo haver, pois Deus fez o que não tinha obrigação de fazer.

E não há nesse ato de reconhecimento qualquer conotação de falta de consideração pelo sofrimento das famílias em sofrimento, pelo fato dos seus entes queridos não terem sido igualmente agraciados.

É claro que isso não consola e nem deixa um gosto amargo na boca de quem está sofrendo e olha para o lado e vê outra pessoa sendo poupada. A pergunta “por que ele e não eu?” sem dúvida se aplica e não há como dar uma resposta satisfatória para ela, pois ninguém conhece as razões de Deus. 

A única resposta que existe é a fé, a certeza que Deus sempre faz o certo e ama igualmente a todo mundo. Eu sei que é difícil de aceitar, por quem está em sofrimento, mas essa é a única resposta que pode ser dada nessas circunstâncias.

Com carinho

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