A PALESTINA DENTRO E FORA DA BÍBLIA

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A Palestina é um território formado por Israel, a Cisjordânia e a Faixa de Gaza. Esse território é conhecido na Bíblia como Canaã e, entre o povo cristão, também é comum usar a denominação “Terra Santa”.

Essa pequena parte do mundo (cerca de 25.000 km² apenas) nunca sai das manchetes, tanto por causa achados arqueológicos periodicamente feitos por lá, que costumam confirmar o que a Bíblia conta, mas ainda mais por causa de crises políticas e atentados terroristas.

A última crise sério aconteceu poucos meses atrás, depois do reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel pelo governo dos Estados Unidos, ato que gerou até resolução de condenação na ONU.

O território da Palestina está espremido entre diversos países (Egito, Líbano, Síria e Jordânia) e o Mar Mediterrâneo (a oeste). Ao sul, a potência maior sempre foi o Egito, enquanto que ao norte sempre as potência dominadoras se alternaram – Caldeia, Assíria, Babilônia, Pérsia (hoje Irã) e assim por diante. 

Jerusalém é a principal cidade da região e razão de discórdia permanente entre judeus e muçulmanos, por ser uma cidade sagrada para ambos, como também para o cristianismo.

Em Jerusalém está localizada a “Esplanada das Mesquitas”, também conhecida como “Monte do Templo”. É ali que ficava o Templo construído por Salomão e reconstruído por Herodes, local mais sagrado para o povo judeu e centro da sua religião. Hoje, nesse mesmo local estão localizadas duas mesquitas (Al Aksa e Domo da Rocha). Essa última possui uma cúpula revestida de ouro e é considerada o terceiro local mais sagrado para os muçulmanos (segundo eles, foi da rocha localizada dentro dessa mesquita que Maomé foi elevado aos céus).

Jerusalém foi também o lugar onde Jesus Cristo morreu nas mãos dos romanos e onde ressuscitou e onde a igreja cristã nasceu, por isso sua importância para o povo cristão também é enorme.

É por causa disso que resolvi escrever essa postagem, onde falo um pouco sobre a história da região e procuro explicar as raízes do conflito atual. Naturalmente, o meu relato é feito de uma perspectiva cristã, como não poderia deixar de ser.

O começo – os Patriarcas
A história da Palestina começa a ficar importante com um homem (Abraão), que acreditou numa promessa de Deus, que seria o Patriarca de uma nação (Israel). Saiu da sua terra (na Mesopotâmia) e foi para lá.
A promessa feita por Deus a Abraão está repetida em diversos pontos do livro de Gênesis, como por exemplo no capítulo 17, versículos 5 a 8:
E não se chamará mais o teu nome Abrão, mas Abraão será o teu nome; porque por pai de muitas nações te tenho posto; e te farei frutificar grandissimamente, e de ti farei nações, e reis sairão de ti; E estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência depois de ti em suas gerações, por aliança perpétua… E te darei a ti e à tua descendência depois de ti, a terra de tuas peregrinações, toda a terra de Canaã em perpétua possessão e ser-lhes-ei o seu Deus.

Muitos judeus e cristãos entendem que essa promessa, transmitida por Abraão a seus descendentes (Isaque, Jacó e depois todo o povo de Israel) é a base do direito dos judeus à terra da Palestina.

Já os muçulmanos, alegam que Ismael (primeiro filho de Abraão e, segundo a tradição, o pai dos povos árabes) seria o verdadeiro e legítimo herdeiro da promessa feita por Deus a Abraão. E essa diferença de interpretação já é uma boa indicação de como é difícil tratar essa questão.  

Voltando ao relato da Bíblia, um dos netos de Abraão (Jacó) teve doze filhos, que se tornaram os Patriarcas das 12 tribos (clãs) em torno das quais o povo de Israel se organizou. O nome Israel (“o que lutou com Deus”) foi dado por um anjo ao próprio Jacó (Gênesis 32:22-30).

A família de Jacó morava na Palestina mas acabou migrando para o Egito, após um período de seca e fome. Ficaram lá por bom tempo, inicialmente desfrutando boas condições de vida, mas acabaram escravizados pelos egípcios e permaneceram nessa condição por mais de 400 anos.

Deus levantou um homem (Moisés) para liderar o processo de  libertação de Israel do cativeiro, conforme relatado no livro do Êxodo. Depois de sair do Egito, o povo peregrinou cerca de 40 anos pelo deserto do Sinai e entrou na Palestina já sob a liderança de Josué – os fatos que aconteceram nesse período estão relatos nos livros de Levítico, Números e Deuteronômio.

A posse da maior parte do território da Palestina foi conseguida por Israel através de guerras travadas contra os canaanitas, povo que vivia naquela terra – essa história está contada no livro de Josué.

A cidade de Jerusalém somente foi conquistada bem mais tarde, já durante o reinado de Davi, por volta do ano 1.000 Antes de Cristo, conforme o relato do livro de 2 Samuel. E de imediato foi feita a capital do reino de Israel.

A verdade é que Israel jamais dominou totalmente a Palestina – por exemplo, os filisteus habitavam uma faixa costeira, ao sul desse território, conhecida como Gaza e sempre mantiveram sua autonomia. 

Os reinos de Israel e Judá
O povo de Israel dominou a maior parte da Palestina durante vários séculos, primeiro como um reino unificado – os reis nesse período foram Saul, Davi e Salomão -, sempre com capital em Jerusalém, conforme os relatos de 1 e 2 Samuel e 1 Reis.
Foi durante o reinado de Salomão que foi construído um Templo em Jerusalém, que passou a ser o local central para a religião de Israel – ali ficava depositada a arca da Aliança e unicamente ali podiam ser realizados sacrifícios a Deus. 
Depois de Salomão, o reino se dividiu entre Israel, ao norte, com capital em Samaria, e Judá, ao sul, com capital em Jerusalém, conforme o relato de 1 e 2 Reis.
Os reinos de Israel e Judá caminharam ao longo da história por vezes unidos e muitas vezes em conflito. Quando divididos, eles ficavam mais fracos e acabaram sendo destruídos pelos povos que os cercavam.
O primeiro a ser destruído foi Israel, dominado pelos assírios, no ano de 722 Antes de Cristo. Boa parte da população local foi levada cativa e nunca mais retornou, tendo perdido sua identidade cultural e nacional – são as chamadas “tribos perdidas de Israel”. 
O reino de Judá, ao sul, durou até 586 AC, quando foi dominado pela Babilônia, numa invasão liderada por Nabucodonosor. O Templo construído por Salomão foi destruído e teve seus tesouros saqueados e toda a liderança judaica foi levada para o exílio (2 Reis capítulo 25).
O retorno do exílio
A Babilônia, no ano de 539 AC, foi por sua vez conquistada por Ciro, rei da Pérsia. O novo líder tinha uma política mais liberal para com os povos dominados e permitiu o retorno da liderança judaica à Palestina.
Um grupo de líderes (Neemias, Esdras e outros) voltou para a região de Jerusalém e reconstruiu  o Templo e os muros da cidade, isso por volta de 515 AC, conforme relatos dos livros de Esdras e Neemias. 
Mesmo de volta, os judeus permaneceram submetidos a diferentes dominadores estrangeiros, que foram se sucedendo. Primeiro, vieram os gregos, liderados por Alexandre, o Grande. Mais adiante, revezaram-se  no controle da Palestina os sírios (dinastia dos selêucidas) e os egípcios (dinastia dos ptolomeus).
Houve então uma revolta dos judeus, liderada pela família dos macabeus, que trouxe a independência do povo por cerca de 100 anos. Aí chegaram os romanos.
O domínio romano 
período de dominação romana nos interessa de perto pois foi nele que Jesus viveu. Essa dominação durou mais ou menos até o fim do século IV da nossa era. 
Os romanos procuraram, sempre que possível, governar os territórios da Palestina através de reis locais, subordinados a Roma, que tinham autoridade limitada, mas ajudavam a controlar a situação. O mais importante deles foi Herodes, o Grande, que estava no poder quando Jesus nasceu.
Herodes estabeleceu uma dinastia que durou muitos anos e diferentes membros de sua família governaram vários dos territórios palestinos e são citados em episódios da vida de Jesus, João Batista e dos apóstolos.
Herodes, o Grande, reconstruiu o Templo de Jerusalém, e fez isso numa escala grandiosa para a época. Foi esse segundo Templo que Jesus conheceu e frequentou (por exemplo, Mateus capítulo 13, versículos 1 e 2).
Depois da morte de Jesus (que ocorreu por volta do ano 30 da nossa era), os judeus se revoltaram por duas vezes contra a dominação romana e derrotados. Eles acabaram sendo expulsos da sua terra, por volta do ano 135, e a região onde viviam mudou de nome para Síria Palestina e Jerusalém foi rebatizada de Aélia Capitolina. No lugar do Templo foi construído um santuário a um deus romano.
No início dos século IV da nossa era, quando o cristianismo passou a ser a religião oficial do Império Romano, os chamados “lugares santos” – como o túmulo de Jesus, o Gólgota, o local onde ele nasceu em Belém, etc – foram identificados e neles construídas igrejas cristãs (“Natividade”, “Santo Sepulcro”, etc), que existem até hoje.
Sem pátria
Os judeus, depois de expulsos da Palestina pelos romanos, ficaram sem pátria durante muitos séculos, sobrevivendo espalhados pelo mundo.
Mas, à medida que as condições políticas permitiram, eles foram voltando para a Palestina, especialmente para a região de Jerusalém, mas sempre ficando em grande minoria em relação aos outros habitantes da região.
O domínio político da Palestina passou sucessivamente para as mãos do árabes, cristãos (na época das Cruzadas), turcos, até chegar aos ingleses, depois da Primeira Guerra Mundial (1917).
A fundação do Estado de Israel
A Palestina virou um Protetorado Britânico e, nessa época, viviam ali cerca de 500.000 árabes e 50.000 judeus.
Os judeus inicialmente tiveram apoio dos ingleses e aumentaram bastante sua presença na região. Esse movimento gerou tensões políticas, por causa das disputas de terras com os outros habitantes do local, e os ingleses impuseram dificuldades para novas imigrações judaicas.
Após a Segunda Guerra Mundial e, por conta do Holocausto (o massacre de seis milhões de judeus pelos nazistas), a comunidade internacional passou a achar que os judeus mereciam voltar a ter um lar.
Assim, em 1947, a ONU declarou a partilha da Palestina entre árabes e judeus. Naquele momento, a Palestina tinha cerca de 600.000 habitantes judeus e 1.400.000 árabes. Os judeus foram favorecidos nessa partilha, pois ficaram com cerca de 55% do território palestino.
O conflito árabe-israelense
Em maio de 1948, Israel declarou sua independência. Imediatamente, os países árabes (Egito, Jordânia, Líbano, Síria e Iraque) declararam guerra ao novo estado, que quase foi destruído por seus adversários.

Ao final dessa primeira guerra, Israel prevaleceu, por sua melhor organização e conquistou um pouco mais de território, acabando com cerca de 68% da Palestina. Cerca de 600.000 árabes fugiram dali, tornando-se eles, e seus descendentes, refugiados, vivendo precariamente na Jordânia e no Líbano, problema que não foi resolvido até hoje.

Outros conflitos armados aconteceram, sendo o mais importante deles em 1967, a chamada “Guerra dos Seis Dias”, quando Israel obteve grande vitória sobre os árabes, tomando diversas regiões importantes do território palestino, como as colinas de Golan (da Síria), a península do Sinai e a faixa de Gaza (do Egito) e a Cisjordânia e a cidade de Jerusalém (da Jordânia).

A situação atual 
Hoje há cerca de seis milhões de judeus e seis milhões de árabes palestinos convivendo naquela região, num ambiente de constante tensão. Os judeus estão organizados num país (Israel) forte e próspero. Uma parte dos árabes vive dentro de Israel, mas sem direitos de cidadania.
O restante da população árabe da Palestina vive hoje espremida em dois territórios – Gaza e Cisjordânia – dirigida por um governo provisório (a Autoridade Palestina).
E um verdadeiro abismo cultural, sócio-econômico, político e religioso separa as duas populações, sem que exista qualquer esperança real de uma paz permanente.
E as promessas bíblicas?
Se Deus fez promessas a Abraão e seus descendentes, de que a Palestina seria deles, por que permitiu que os judeus fossem expulsos de lá e ficassem dispersos por séculos?
A Bíblia explica as razões para isso – por exemplo, Jeremias capítulo 25, versículos 2 a 11. As promessas dadas ao povo de Israel estavam ligadas diretamente ao seu relacionamento íntimo e fiel com Deus. Longe d´Ele, Israel era somente uma pequena nação espremida entre impérios muito mais poderosos.
Quando Deus retirou seu apoio a Israel, por causa da infidelidade do povo, que resolveu adorar outros deuses, o povo israelita foi rapidamente conquistado pelos vizinhos.

Mas a história de Israel, conforme o relato da Bíblia, não acaba aí. Deus revelou (Jeremias capítulo 30) que o povo de Israel será restaurado.

Na verdade, estamos vivendo no período histórico em que essa promessa está sendo cumprida, aos poucos – o renascimento da nação de Israel em 1948 é uma prova viva disto. Porém ainda falta muito para esse processo chegar ao final.

Agora, é certo que somente haverá paz na Palestina caso se chegue a algum tipo de acordo que leve em conta também a população árabe. As dificuldades para conseguir fazer isso são enormes, pois radicais de ambos os lados anseiam pela destruição do “inimigo”, inclusive achando que possuem mandado de Deus para isto.

E enquanto o problema não se resolve, ambos os povos sofrem com a violência e o potencial destrutivo desse conflito. 

Penso que somente Deus tem a solução para esse problema quase impossível de resolver. Quando todos os povos ali envolvidos entenderem isso, será possível encontrar uma solução na direção de uma paz duradoura.

Com carinho

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