AUTO-AJUDA OU AJUDA DE DEUS?

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Livros e palestras de auto-ajuda são extremamente populares. Os/as autores/as mais conhecidos dessa área acabam ricos/as e famosos/as, tal o interesse do público por esse tipo de assunto. 

Mas o que a Bíblia tem a ensinar a respeito da auto-ajuda? Ela deve ser considerada como uma coisa boa ou ruim? É o que vamos discutir a seguir.

Na verdade, há aspectos positivos e negativos na auto-ajuda, embora os pontos negativos sejam mais numerosos e mais fortes. O principal aspecto positivo tem a ver com o incentivo ao auto-conhecimento. E isso faz sentido, pois o primeiro passo para alguém conseguir mudar, e melhorar, é que essa pessoa consiga entender seus problemas pessoais e tome a decisão de passar a agir de forma diferente. E isso é positivo e trata-se de prática também apoiada pela Bíblia. 

Mas, tirando esse ponto em comum, os caminhos seguidos pelos livros de auto-ajuda e a Bíblia são bem diferentes. A essência da auto-ajuda é trabalhar para que a pessoa encontre e libere o potencial que ela tem e que não está usando de forma adequada. E isso explica a popularidade dessa linha de pensamento – afinal, as pessoas gostam da ideia que são melhores do que pensam e podem voar mais alto. Gostam de se sentir mais poderosas do que aparentam. E principalmente gostam de perceber que são auto-suficientes.

A Bíblia discorda dessas ideias. Ela ensina que a natureza humana é voltada para o pecado e que somente a Graça de Deus pode colocar e manter a pessoa no caminho certo, dando-lhe condições para conseguir atingir bons resultados na vida. 

Depois de reconhecer as próprias fraquezas, a Bíblia ensina que a pessoa precisa arrepender-se delas e entregar seus caminhos a Deus, para ser modificada pela ação do Espírito Santo. Ou seja, não é a pessoa que consegue se transformar, ao encontrar dentro de si mesma um potencial inexplorado, mas é a obra do Espírito Santo nela que causa a mudança e a melhoria.

A Bíblia ensina que a pessoa não pode realmente se auto-ajudar. Tudo que pode fazer é escolher aceitar Jesus como seu Senhor e Salvador e se manter firme nesse caminho. A sua regeneração propriamente dita cabe ao Espírito Santo. 

Um bom exemplo de tudo que acabei de falar é a situação que Moisés viveu. A Bíblia conta que ele foi escolhido por Deus para liderar o povo de Israel e tirá-lo da escravidão que vivia no Egito. Essa missão foi revelada a Moisés numa visão no Monte Sinai, quando Deus falou com Ele, com a voz vindo de uma planta que estava em chamas, mas não se queimava (Êxodo capítulo 3, versículos 1 a 10). 

E Moisés ficou inseguro de assumir essa enorme responsabilidade e deu uma série de desculpas para Deus, culminando por comentar que tinha dificuldade de falar em público, pois era gago (Êxodo capítulo 4, versículos 1 a 13). 

Ora, num modelo de auto-ajuda, Deus teria incentivado Moisés a liberar seu potencial interior, superando sua limitação. E teria até lhe ensinado a fazer isso. Mas não foi isso que Deus fez: Ele escalou Aarão, irmão de Moisés, para servir como seu porta-voz (Êxodo capítulo 4, versículos 14 a 16) – Aarão falava bem em público e ajudou Moisés a convencer o povo de Israel.

As duas abordagens – “auto-ajuda” e a “ajuda de Deus” buscam um objetivo comum: fazer a pessoa conseguir superar seus problemas. A “auto-ajuda” apelando para as forças interiores da própria pessoa, procurando dar-lhe auto-confiança e auto-estima, de certa forma tornando a pessoa auto-suficiente. A ideia é fazer a pessoa realmente acreditar que pode fazer qualquer coisa que deseje realizar. 

Já a abordagem, a bíblica, coloca a pessoa nas mãos de Deus, dando-lhe a primazia na solução dos problemas. É claro que a pessoa sempre será chamada a fazer sua parte (esforçar-se, perseverar, etc), mas o mérito cabe mesmo ao Espírito Santo. Aqui também a pessoa é incentivada a acreditar que pode fazer tudo, mas não por suas forças, mas sim através do poder de Deus colocado à sua disposição. Como disse o apóstolo Paulo: “tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses capítulo 4, versículo 13).

É claro que a consequência dessas duas abordagens é bem diferente. Se é a pessoa que resolve seus próprios problemas, contando apenas com as próprias forças, ela vai se sentir feliz e orgulhosa pelos bons resultados. Não precisará agradecer a ninguém pois o mérito será todo seu. 

Agora, se a orientação quanto ao que fazer, a criação de condições favoráveis e a força necessária para superar os obstáculos vieram de Deus, a pessoa deverá ser grata a Ele. Precisará reconhecer que depende do Espírito Santo em tudo. 

É por causa disso que a experiência mostra que a auto-ajuda frequentemente acaba por levar a pessoa para longe de Deus, ao fazê-la acreditar que é auto-suficiente. E isso é um perigo enorme para a vida espiritual de qualquer pessoa. Afinal, nenhum caminho que procura tornar a pessoa independente de Deus é pode ser bom. 

Com carinho   

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