A IMPORTÂNCIA DA CORAGEM MORAL

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Coragem moral é simplesmente a capacidade de agir de acordo com o que é certo, mesmo quando as circunstâncias não são favoráveis. Pessoas com coragem moral são importantes para a sociedade, em geral, pois são elas que enfrentam governos e pessoas poderosas e falam as verdades que precisam ser ditas, cobrando ação para corrigir erros e injustiças.

Infelizmente pessoas com coragem moral são cada vez menos encontradas no mundo de hoje. O padrão tornou-se curvar a cabeça ante os interesses do momento e encontrar desculpas para a covardia moral – basta olhar para o cenário político brasileiro que isso fica evidente.

Na Alemanha, durante o período nazista, um jurista muito respeitado (seus livros eram citados em tribunais de todo o mundo naquela época) acabou sendo condenado pelo Tribunal de Crimes de Guerra exatamente porque lhe faltou coragem moral.

E ele mesmo explicou o que tinha acontecido, quando testemunhou no banco dos réus: sua carreira perdeu o rumo na primeira vez em que violou sua consciência e deu um veredicto injusto para agradar os poderosos de plantão (os nazistas). Sua queda começou quando lhe faltou coragem moral. E ele acabou condenado pelo Tribunal e ficou totalmente desmoralizado.

A Bíblia tem uma história muito interessante que trata exatamente desse tema. Essa história se passou no tempo de Acabe (1 Reis, capítulo 22). Ele foi um rei arrogante, injusto e infiel a Deus , permitindo que sua mulher, Jezebel, incentivasse o paganismo entre o povo. 

Em dado momento do seu reinado, Acabe queria guerrear seus inimigos e convocou um grupo de “profetas” para aconselhá-lo. Todos deram razão ao rei, pois ninguém se atrevia a discordar dele. Aí um rei alidado, desconfiando daquela unanimidade, perguntou a Acabe se não havia outro profeta para ser consultado.

O rei respondeu que havia ainda o profeta Micaias, que nunca era chamado à sua presença porque só falava coisas que o desagradavam. O aliado insistiu em ouvir essa outra opinião e um mensageiro foi enviado para convocar Micaias à presença do rei.

Ao transmitir o chamado, o mensageiro aconselhou o profeta a dizer somente aquilo que o rei queria ouvir e Micaias respondeu: “…o que o Deus me disser, isso falarei“. Em outras palavras, para esse profeta o que importava era ouvir a voz de Deus e não a quem o recado dado por ele agradava ou desagradava. Micaias tinha coragem moral.

E ele foi a única pessoa a desaconselhar o rei a travar a guerra que planejava. Micaias não foi ouvido e Acabe acabou por atacar seus inimigos, colhendo resultado desastroso: acabou morto durante o conflito.

Outro exemplo muito conhecido de coragem moral é Thomas More, primeiro ministro e amigo do rei Henrique VIII da Inglaterra (aquele que se casou várias vezes).

O rei queria se separar da sua primeira mulher para se casar com Ana Bolena e pediu a More que encontrasse uma forma legal de fazer isso. O primeiro ministro, pessoa muito religiosa, se recusou a atender o pedido do rei por entender que aquele ato seria contra a vontade de Deus.

Por conta disso, More acabou sendo perseguido pelo rei, forçado a renunciar, acusado de traição e executado. E os outros ministros que vieram, depois de More, concordaram cegamente com a vontade do rei.

Outro caso interessante é o de Charles Colson, grande escritor cristão, que foi auxiliar do Presidente Richard Nixon na época do escândalo de Watergate. Colson acabou indo para a cadeia por conta das irregularidades que cometeu durante seu período no governo. E foi na cadeia que ele se converteu e se tornou um grande líder cristão. 

Em seus livros, Colson relatou que Nixon recebeu a visita de pastores importantes, mas que nenhum deles teve a coragem moral de dizer para o Presidente dos Estados Unidos aquilo que precisava ser dito – que ele estava errado, tinha caído em pecado e precisava mudar seu comportamento.

E Nixon acabou tendo que renunciar à Presidência e caiu em desgraça, porque não mudou seu comportamento. Faltaram-lhe conselheiros com coragem moral para lhe dizer o que precisava ouvir. 

Henrique VIII teve um conselheiro com coragem moral – Thomas More – mas não quis ouvi-lo porque não gostou do conselho que recebeu. Não respeitou a pessoa que Deus tinha colocado no seu caminho e pagou um preço político terrível pelo que fez (passou para a história como um rei sanguinário). 

Acabe também não quis ouvir o profeta Micaias e preferiu seguir os conselhos de pessoas que não tinham coragem moral para falar a verdade. E acabou pagando com a vida.

Portanto, tome cuidado com quem você ouve, com a pessoa cujos conselhos você eventualmente segue. Não escolha ouvir determinados pregadores/as apenas porque gosta deles/as e eles/as são bons de palavra. Escolha seguir quem fala a verdade transmitida por Deus, doa a quem doer. 

E considere amigos(as) verdadeiros(as) as pessoas que dizem a verdade para você, aquilo que você realmente precisa ouvir, porque gostam de você de fato. Afinal, se você tiver um doença grave não vai querer consultar um/a médico/a que minta para você e lhe diga que está saudável, mas sim aquele/a que vai lhe claramente sobre a doença que coloca sua vida em risco, por mais doloroso que isso seja. Da mesma forma, o bom amigo/a e aquele/a que fala a verdade para você. 

Por outro lado, tenha coragem moral para dizer a verdade para as outras, mesmo que essa verdade seja desagradável. É claro que você deve fazer isso de forma educada e gentil, mas nunca deixe de dizer o que é preciso. É isso que Deus espera de você. 

Com carinho

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