LÍNGUA, UMA ARMA MORTAL

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Cena 1: O marido chega em casa estressado, pois a situação anda difícil no trabalho. E ele está cansado, muito cansado. Pouco depois, por um motivo qualquer,  sem muita importância, ele explode com a mulher e os filhos e vomita todo o fel que tinha acumulado dentro de si. Diz poucas e boas, descontando nas outras pessoas sua frustração. Mais tarde, cai em si e se justifica: “…estou passando por um momento difícil”.

Cena 2: Frequenta a igreja uma senhora que conhece detalhes da vida de várias pessoas – problemas financeiros, desencontros familiares e assim por diante. Todo domingo, ao final do culto matutino, ela vai passando de grupo em grupo, como se fosse um passarinho pousando aqui e ali, para falar do que sabes. E no início de cada conversa, ela sempre fala o seguinte: “vocês sabem da última?” Ela não percebe o mal que faz pois acha que ser seu “dever” manter todo mundo bem informado.

Cena 3: Ele é um político jovem, bonito e bem falante. Tem um monte de ideias novas e motiva as pessoas a segui-lo. Mas, lá no fundo, sua agenda verdadeira é obter vantagens pessoais, garantindo sua independência financeira no futuro. Mas acalma a própria consciência dizendo para si mesmo que, embora tire vantagens do cargo público que ocupa, também faz coisas boas para um monte de gente. Ele pensa ser melhor que a maioria dos/as outros/as políticos/as.

Cena 4: Ela é uma mulher insegura e quer ficar bem com todo mundo. E para ficar bem, evitando desagradar as pessoas, se acostumou a ir contando umas mentirinhas “brancas” aqui e ali. Mas, pensa ela, não é por mal. Só não quer brigar com ninguém.

Palavras iradas (cena 1), fofoca (cena 2), hipocrisia (cena 3) e mentiras (cena 4) são exemplos de pecados cometidos com a língua. E trata-se de coisa muito comum – todos nós já fizemos (ou fazemos) isso vez por outra.  

Agora, é importante perceber que pecados da língua podem causar muito mal – veja o que a esse respeito, Tiago, irmão de Jesus (capítulo 3, versículos 6 a 9):

Ora, a língua é fogo; é mundo de iniquidade… contamina o corpo inteiro e não só põe em chamas toda carreira da existência humana, como é posta ela mesma em chamas pelo Inferno… a língua, porém, nenhum homem consegue domar; é mal incontido carregado de veneno mortífero. Com ela bendizemos ao Senhor e Pai; também com ela amaldiçoamos os homens…

A língua é um instrumento tão poderoso que permitiu a Adolf Hitler dominar a Alemanha e gerar um horror gigantesco. A palavra eloquente deu condições ao pastor Jim Jones levar seus seguidores ao suicídio coletivo. A palavra impensada permitiu aos acusadores dos donos da Escola de Base, em São Paulo, destruírem o negócio de pessoas honestas e dedicadas, com acusações falsas. A palavra bonita permitiu a vários políticos importantes saquearem o Brasil por muitos anos. 

A língua é uma arma mortal pois faz mais do que matar o corpo. Ela pode destruir a alma das pessoas, roubar-lhes a paz de espírito e até afastá-las de Deus. 

Mas o pecado da língua não prejudica só quem ouve as palavras erradas. Quem comete tal tipo de pecado também acaba pagando um preço. Mentirosos/as se enrolam nas próprias mentiras e perdem credibilidade, fofoqueiros/as perdem respeito e amizade das outra pessoas, hipócritas cedo ou tarde mostram sua face verdadeira e acabam rejeitados/as e quem se costuma a proferir palavras iradas acaba perdendo o amor e o carinho da família e amigos/as. 

Enfrentando os pecados da língua
O passo mais importante na luta contra esse tipo de pecado é reconhecer a existência do problema. Conseguir perceber que se faz esse tipo de erro.
Falo isso porque é muito comum que as pessoas usem as palavras para prejudicar as outras pessoas e não reconheçam o que fizeram. Como o exemplo do marido, que descrevi na cena 1 acima, que se justifica por estourar com a família pelo fato de estar submetido a estresse. Ou o político hipócrita, do exemplo da cena 3, que se julga melhor que os colegas, embora use as palavras para enganar o povo. 
Enquanto você não reconhecer que peca com a língua – pelas palavras iradas, pela hipocrisia, fazendo fofoca e/ou contando mentiras que parecem inócuas, não vai superar o problema. Simples assim.
Reconhecido o problema vem o segundo passo: pedir perdão a Deus e as pessoas que você eventualmente tiver magoado e prejudicado.
Esses dois primeiros passos permitirão que você “limpe” o terreno da sua vida, para poder passar a agir de forma diferente.
O terceiro passo é pedir sabedoria ao Espírito Santo, antes de entrar numa conversa difícil ou ao se ver apertado a dizer o que não quer. A oração tem grande poder, especialmente quando feita com o objetivo de ajudar a pessoa a fazer aquilo que agrada a Deus. Pode ter certeza que se você pedir, Deus vai atender e dar a você forças e sabedoria para não usar suas palavras de forma errada – sei disso por experiência própria, pois o Espírito Santo já evitou que eu falasse muita bobagem.
Finalmente, esteja sempre atento ao que fala. Não pense que, porque melhorou, já ficou curado/a da “doença da língua”. Provavelmente, você vai lutar com essa dificuldade por toda a vida. Sempre precisará tomar cuidado para não ter uma recaída. 

Com carinho

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