É JUSTO QUE A SALVAÇÃO SEJA IGUAL PARA TODOS?

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Certa vez um grande amigo me fez a seguinte pergunta: Como é possível que o criminoso crucificado ao lado de Jesus tenha recebido a mesma salvação que o apóstolo Paulo?

Realmente, à primeira vista, isso não parece justo e a pergunta tem lógica. Afinal, o criminoso crucificado ao lado de Jesus somente se converteu pouco antes da sua morte e até tinha reconhecido que sua morte na cruz era justificada, pela quantidade de crimes que cometera ao longo da vida. Por outro lado, o apóstolo Paulo passou a maior parte da sua vida pregando o Evangelho e ajudando na fundação de igrejas cristãs. E escreveu quase metade do Novo Testamento.

Como então os dois podem ter recebido a mesma recompensa de Deus? A mesma salvação. Não parece mesmo justo.

Jesus explica com a parábola dos boia fria
Jesus sabia que essa tipo de dúvida iria ocorrer e se antecipou a ela, contando uma parábola muito interessante (Mateus capítulo 20, versículos 1 a 16).

É a estória de um dono de terras que procurou alguns boia-fria para trabalhar um dia na sua lavoura. Contratou os trabalhadores bem cedo e combinou com eles um preço mais do que justo pela sua jornada de trabalho.  

Passaram-se algumas horas e o dono de terras viu que ia precisar de mais mão de obra. E foi contratar trabalhadores adicionais, para completar a jornada de trabalho já iniciada. E surpreendendo a todos, combinou pagar o mesmo salário para esses novos trabalhadores, embora o tempo de trabalho deles viesse a ser bem menor. E horas depois, precisou repetir o processo. 

No final do dia de trabalho, o dono de terras pagou todos os trabalhadores a mesma quantia, conforme combinado. Mas os que trabalharam mais horas se queixaram por entender que havia sido cometida uma injustiça com eles, pois trabalharam mais horas que os demais.  

O dono de terras argumentou com os trabalhadores que tinha pago exatamente o combinado com cada um deles. Ele cumpriu exatamente o prometido. E, como o dinheiro era dele e ele não devia satisfação a ninguém, se ele quis beneficiar os trabalhadores que trabalharam menos tempo, mas sem prejudicar os demais, não havia razão para questioná-lo.   

Nessa parábola, o dono de terras é Deus e os boia-fria somos nós. O salário da jornada de trabalho é a salvação. Fica claro que essa parábola trata da mesma questão levantada acima: não parece justo que pessoas com vidas diferentes recebam de Deus a mesma salvação.

A resposta de Jesus para essa questão foi simples: a salvação não é merecida por ninguém, pois se trata de um presente dado por Deus, isto é, ela vem pela Graça (veja mais).

Logo, se a salvação é um presente, ninguém pode se queixar de como ela é distribuída. Ninguém faz por merecer a salvação e cada um de nós deveria ficar feliz de receber esse presente, sem se preocupar com o que acontece com o próximo. 

Por que essa dúvida aparece?
Na verdade, a pergunta que meu amigo fez nasce na percepção errada das pessoas de como a salvação é alcançada. Bem lá no fundo, quase todo mundo acha que a salvação deveria ser alcançada por mérito, ou seja, pelas boas ações realizadas. E, sendo assim, seria injusto que alguém com mais méritos (por exemplo, o apóstolo Paulo) recebesse a mesma recompensa (a salvação) que outra pessoa com menos méritos (por exemplo, o criminoso crucificado junto com Jesus).
Esse tipo de dúvida só vai desaparecer quando as pessoas entenderem como a salvação é alcançada de fato. Quando elas deixarem de tentar ganhar a salvação e entenderem que nunca farão o suficiente para merecê-la.
O merecimento é todo de Jesus, que morreu por nós na cruz. Nosso papel é simplesmente aceitar isso, reconhecendo-o como Salvador. 
Com carinho

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