QUANDO TENTAM IMPOR PROIBIÇÕES DEMAIS SOBRE SUA VIDA

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Líderes evangélicos costumam gerar muitas polêmicas por causa das proibições a práticas normais da vida que tentam impor ao povo cristão.

Costumam entrar nessas proibições coisas como música secular (não gospel), comida de origem afro, enfeites de Natal, certos filmes, livros ou programas de televisão, alguns tipos de roupas e por aí vai. O rol de itens é tão grande que é difícil enumerar tudo aqui.

Na prática, tudo aquilo que não tem origem no próprio cristianismo parece ser ruim e passível de proibição. Em especial, devem ser proibidas muitas coisas relacionadas com o folclore brasileiro (comida, música, roupas, etc), por causa das influências africanas, indígenas e/ou católicas nele existentes. O mesmo ocorre com os enfeites e outras comemorações de Natal (veja mais), os ovos de Páscoa, a música secular e assim por diante.

A batalha pela pureza
A primeira razão apresentada para essas proibições é manter a “pureza” do povo cristão – as práticas proibidas “contaminariam” as pessoas. 

É importante aqui fazer uma pausa para discutir o que contamina o coração dos/as cristãos/ãs e lembro que há na Bíblia uma resposta direta para essa questão, dada pelo próprio Jesus (Marcos capítulo 7, versículo 15): o que contamina o ser humano é aquilo que vem de dentro dele mesmo.

A contaminação, portanto, vem de sentimentos ruins (inveja, orgulho, ganância, luxúria, raiva, etc), bem como das decisões e posturas pecaminosas dele decorrentes (hipocrisia, preconceitos, exploração dos mais fracos, etc). 

Repare que Jesus não fez qualquer referência à origem de coisas, hábitos e práticas de vida – Ele simplesmente não estava preocupado com isso. Ficar proibindo isso ou aquilo, por não ter origem cristã e gera contaminação, foge completamente do alvo apontado por Jesus.

O que ajuda mesmo a resolver o problema da contaminação é discipular as pessoas para que elas aprendam a controlar os maus sentimentos e fazer as escolhas certas. 

Afastar influências malignas
A outra motivação para as proibições citadas é o receio de dar “brechas” para a ação de Satanás. Há alguma verdade nesse tipo de preocupação – por exemplo, eu nunca teria na minha casa um objeto consagrado num culto de umbanda, por prudência. 

Mas a tentativa de expurgar da vida cristã tudo aquilo que pode ter origem suspeita não faz qualquer sentido – isso é um exagero e beira o ridículo. Afinal, trata-se de coisa impossível de fazer.

Essa tentativa me faz lembrar as pessoas que buscam seguir estritamente as leis sobre comida do Velho Testamento – não comem nada preparado no sábado, pois é proibido trabalhar nesse dia da semana.

Essas pessoas olham o rótulo de cada alimento que consomem para verificar quando foi fabricado e não compram se isso tiver acontecido num sábado. Mas, como elas podem ter certeza que o alimento consumido por elas não foi transportado num sábado, ou que ovos, leite, trigo ou outros produtos usados na composição desse alimento não tenham sido colhidos num sábado?

É claro que não conseguem garantir isso e, portanto, essas pessoas precisam “fechar os olhos”, a partir de determinado ponto, para poder sobreviver.

Da mesma forma acontece com a questão das influências não cristãs na nossa vida: elas são tantas e tão difundidas que simplesmente não é possível expurgá-las todas. Quem tenta fazer isso acaba necessariamente por adotar posições incoerentes: proíbe algumas coisas (por exemplo, um enfeite de Natal) e aceita outras (por exemplo, as vestes litúrgicas usados no culto), quando nos dois casos as origens são não cristãs. 

E não podemos esquecer que nem Deus fez esse tipo de exigência para o povo israelita. Por exemplo, o Templo de Jerusalém foi construído com base num modelo de arquitetura muito usado pelos pagãos e o rei Salomão recorreu a artesãos do Líbano para os trabalhos em pedra e a madeira (veja mais). E nem por isso Deus deixou de aceitar o Templo e se fazer presente nele.

Conclusão
Concluindo, antes de aceitar proibições verifique bem o que a Bíblia ensina a respeito. Caso contrário, você corre o risco de ser vítima de legalismo. E Jesus travou uma luta incessante contra os fariseus, mestres em impor proibições indevidas – eram os legalistas daquela época. 

Jesus foi implacável com esse tipo de postura, por entender que uma religião legalista aprisiona o ser humano e o afasta de Deus.

Com carinho  

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