O ORGULHO DE SER HUMILDE

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Na igreja onde fui criado, havia uma pessoa que vivia afirmando ser humilde. Tantas vezes ouvi aquilo, que achei estranho. Aí perguntei ao meu pai o que estava acontecendo e nunca me esqueci da resposta dele: “essa pessoa tem orgulho de ser humilde”. 

Meu pai me ensinou ali duas coisas importantes. A primeira delas foi que o ser humano é contraditório – diz uma coisa e faz outra. Pensa estar indo por um caminho e segue por outro. Mas, esse não é o assunto de hoje.
 
A segunda coisa que aprendi com meu pai naquele dia foi que a humildade é difícil de ser vivida. Embora, a humildade esteja na base de praticamente todas as demais virtudes, é muito difícil vivê-la plenamente.

Não há dúvida que Jesus ensinou que devemos ser humildes. Esse ensinamento está claro, por exemplo, quando Ele lavou os pés dos discípulos antes da última ceia, afirmando que o maior no Reino de Deus seria o que mais servisse o próximo (Lucas capítulo 22, versículo 26). 

Agora, ter consciência disso é uma coisa e viver essa verdade é outra bem diferente. O conhecido escritor Richard Foster definiu humildade como a capacidade de viver “o mais perto possível da verdade e isso inclui a verdade sobre a própria pessoa”.  Ou seja, ser humilde tem tudo a ver com o entendimento claro daquilo que a própria pessoa é capaz de fazer com seus próprios esforços e onde ela depende de Deus.

Há uma passagem na Bíblia que exemplifica bem essa questão. O apóstolo Pedro disse a Jesus, pouco antes desse último ser preso, que iria com Ele até o fim. E todos sabemos que Pedro acabou negando Jesus por três vezes, de maneira ridícula (Marcos capítulo 14, versículos 27 a 31).

Mesmo depois de ter vivido três anos na companhia de Jesus, Pedro ainda era incapaz, quando esses fatos aconteceram, de entender até onde conseguiria ir – pensava ser muito mais forte do que de fato era. Não era humilde.
 
Quando falta a humildade, a pessoa acha que é capaz de conseguir as coisas sozinha, que vai pelo caminho certo e assim por diante. E não consegue perceber, como deveria, Deus trabalhando na sua vida. Afinal, se a pessoa está fazendo tudo tão bem, Deus deixa de ser preciso. 

Na verdade, dependemos de Deus para tudo: respirar, viver, fazer planos, cumprir o que foi planejado, mudar de direção, etc. Por isso, penso eu, o começo da humildade passa pela consciência que a própria vida é como um sopro. Estamos neste mundo agora e minutos depois podemos não estar mais. 

Cerca de 6 anos atrás, minha mulher foi até uma praia no litoral de São Paulo, para encontrar a família do seu irmão, que estava veraneando lá. E todos foram juntos a um restaurante almoçar. Depois de arrumar lugar para o sobrinho dela (que tinha apenas dois anos na época), minha mulher se sentou. E segundos depois, o vidro da janela próximo a onde ela tinha estado, explodiu sozinho, talvez por causa do calor. Ela e o sobrinho nada sofreram, por muito pouco.

Tudo parecia estar bem e sob controle, mas quase ocorreu uma tragédia. E a vida é exatamente assim e sem Deus nada somos. Mas, é difícil enxergar isso quando não se é humilde.

Quando eu tinha apenas 17 anos, passei num dos vestibulares mais difíceis do país – durante algum tempo, fiquei extremamente orgulhoso de mim mesmo. Meus pais fizeram um culto de ação de graças, na minha casa, para agradecer a Deus aquele resultado. E eu pensei comigo mesmo: “se eu não tivesse estudado, nada disso teria acontecido, logo os cumprimentos deveriam ser para mim”.

Faltou-me consciência, naquele momento, que eu sempre gozei de boa saúde, tinha tido os professores certos e diversas pessoas (inclusive meus pais) me ajudaram em momentos críticos da minha vida. E nada disso aconteceu por conta da minha “competência”. Certamente, eu tinha feito a minha parte para alcançar sucesso (estudei, me esforcei, etc), mas sem Deus nada teria sido possível.

Vaidade e orgulho não me permitiram, naquele momento, perceber isso e ser grato a Deus como deveria – e ainda bem que Ele foi paciente e não me puniu por causa disso.
 
Há um último ensinamento importante a respeito da humildade e esse não veio do meu pai e sim do apóstolo Paulo: quando nos percebemos fracos/as, aí é que somos verdadeiramente fortes (2 Corintios capítulo 12, versículos 7 a 10).

Paulo escreveu isso depois de pedir por três vezes que Deus tirasse da vida dele um terrível incômodo (o tal “espinho na carne” – veja mais) e recebeu como resposta que a Graça de Deus lhe bastava. 

Em outras palavras, quando nos percebemos fracos/as, sem condições de fazer as coisas sozinhos/as, percebemos que precisamos de Deus e recorremos a Ele. Mostramo-nos humildes, quando fazemos isso, e Deus se agrada dessa postura. Aí ficamos fortalecidos, pois passamos a contar não apenas com nossos próprios e limitados recursos, mas com toda a força d´Ele.

Outro dia estava lendo um texto (que me deu inspiração para este post) e nele a autora, uma missionária, falou uma coisa que resume bem tudo que acabei de dizer. Ela contou que precisava de certa quantia em dinheiro e orou muito para que Deus resolvesse o problema. E o dinheiro chegou.

Aí alguém disse que, como ela era uma missionária e Deus prometeu cuidar dos seus obreiros/as, nem deveria ter sido necessário orar pedindo ajuda. E a resposta dela foi perfeita: “isso é verdade, mas se eu não tivesse orado, não teria certeza ter sido Deus o responsável pela solução do problema”. 

Busque a humildade e tenha certeza que essa virtude pode vir a ser a base de quase tudo de bom que vier a acontecer na sua vida.

Com carinho

5 Comentários


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    Joice

    Seu texto muito bom mesmo, como disse o irmão, estava precisando ouvir isso!


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      Vinicius Moura

      Cara Joice

      Obrigado pelas suas palavras. Volte sempre.

      Abs

  2. Dizem que Pedro negou Jesus porque Jesus curou a sogra dele. Será?
    Será que Pedro ficou revoltado ao ver o milagre na vida da sua sogra? Lucas 4.38-44


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      Vinicius Moura

      Meu caro Marcos Antonio

      Sinceramente essa é a primeira vez que ouço tal tipo de interpretação. E não concordo com ela. O que levou Pedro a trair Jesus foi o medo – a Bíblia é bem clara a esse respeito.

      Ele viu o Mestre ser preso e ficou com medo de ter o mesmo destino, daí ter negado sequer conhecê-lo. Nada tem a ver com a cura da sua sogra (coisa que somente deve ter trazido gratidão ao coração de Pedro).

      Abs


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    Miguel Tiago

    Excelente texto!
    Gostei muito, tava precisando, Deus te abençoe e te use pra fazer muitos outro!

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