O PALHAÇO DESILUDIDO

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Tiririca já era muito conhecido como palhaço quando resolveu se candidatar à Câmara de Deputados em 2010. Foi escolhido por uma dessas legendas políticas de “aluguel” para conseguir muitos votos e contribuir para eleger um grupo de outros deputados, pegando “carona” na sua popularidade. E assim aconteceu – ele foi o candidato a deputado federal mais votado em todo o país em 2010 e um dos mais populares em 2014, elegendo muita gente com ele.

Confesso que quando vi o Tiririca ser eleito pela primeira vez, fiquei desapontado. Não via nele a menor condição de ser um deputado que pudesse verdadeiramente contribuir para a democracia brasileira.

Talvez meu julgamento tenha tido um certo fundo de preconceito – não vou negar – como acontece com quase todos os seres humanos (veja mais). O fato é que Tiririca levou a função de deputado federal a sério – passou a frequentar todas as sessões da Câmara e tentou contribuir de fato.

Duas semanas atrás, depois de sete anos de mandato, Tiririca subiu à tribuna para dizer que não vai ser candidato de novo, por estar desiludido com a forma como a política é feita na Câmara dos Deputados. Ele descobriu que pouco podia fazer, a menos que passasse a fazer parte dos esquemas de poder existentes e participasse de atos que não seriam no melhor interesse público. 

Em resumo, o palhaço ficou desiludido com as “palhaçadas” que presenciou ao longo de sete anos de mandato. E que ensinamento podemos tirar desse fato para nossas vidas?

Quando parece ser possível fazer muito pouco 
Desanimar e querer abandonar a luta para melhorar as coisas, quando se perde a esperança de conseguir resultados concretos, é um sentimento muito comum, não é só do Tiririca – eu mesmo já passei por isso.
Quem pretende mudar uma organização (ou sistema de poder) para torná-la melhor certamente vai encontrar resistências e incompreensões de todos os tipos – lembro bem, no começo da minha carreira de engenheiro, quando trabalhava numa grande empresa internacional, ter ouvido a declaração que “aqui as coisas são feitas assim, não tente mudar nada“.

O desânimo vem mesmo, pois não deveria haver resistência para mudar as coisas para melhor. Mas, quase sempre há, por questões de luta pelo poder, acomodação, interesses escusos e outras razões , que não vem ao caso discutir aqui. 

Desanimar e largar a luta, como está fazendo o palhaço bem intencionado, também não resolve nada. Apenas deixa o caminho livre para quem não quer mudar nada.

Jesus enfrentou uma situação similar a essa. Havia dois grupos religiosos que dominavam a sociedade judaica na sua época: os fariseus e os saduceus.

Os primeiros criavam e impunham regras e mais regras de comportamento sobre o povo judeu, transformando a vida das pessoas numa verdadeira prisão. Os saduceus (grupo formado pelos principais sacerdotes) se aliaram aos conquistadores Romanos e usaram essa relação política para extorquir dinheiro das pessoas, explorando as práticas religiosas existentes (p. ex. os saduceus vendiam, por valores altos, os animais aceitos para serem usados nos sacrifícios).

E, no meio dos saduceus e fariseus, ficava o povo, espremido, de um lado, pelo legalismo e, por outro, pela exploração dos sacerdotes. E as pessoas acabavam se conformando, pois entendiam não ter forças para conseguir mudar sua situação.

Jesus entrou de cabeça num projeto para mudar a sociedade judaica: usou sua autoridade para mostrar aos judeus que não precisavam se sujeitar às regras de vida impostas pelos fariseus, pois essa não era a vontade de Deus. E chegou a dizer que a religião dos fariseus era pura hipocrisia.

E também denunciou a exploração dos saduceus, como no incidente em que expulsou os cambistas e vendedores de animais do Templo de Jerusalém, fato que contribuiu muito para que os principais sacerdotes conspirassem contra Ele e viessem a provocar seu martírio.

Por conta da ação de Jesus, uma nova realidade acabou nascendo no meio do povo judeu. Ela começou pequena, formada por um punhado de discípulos de Jesus, e foi crescendo, crescendo e acabou impactando toda a sociedade da época.

O “sistema” desse mundo tenta dominar os seres humanos, em proveito de poucas pessoas – sempre foi e sempre será assim e a Bíblia é clara a esse respeito. Mas o exemplo de Jesus, corroborado pelo ensinamento do apóstolo Paulo (Romanos capítulo 12, versículo 2) ensinaram que é preciso não nos conformarmos com o “sistema do mundo” e continuar a fazer o que estiver a nosso alcance para mudar as coisas.

Foi essa percepção que faltou ao palhaço bem intencionado, mas desiludido. 

Com carinho

3 Comentários


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    Ricardo Serpa

    O que acontece com o Brasil é fruto de maldição espiritual? Parece que tudo de ruim acontece aqui, não pode ser coincidência.


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      Vinicius Moura

      Meu caro Ricardo

      Certamente o que acontece no Brasil não é coincidência. Os próprios brasileiros plantam as sementes daquilo que colhem. Mas não acho que seja fruto de maldição e sim de uma sociedade que não se preocupa com valores morais e não leva a coisa com seriedade.

      Os desvios começam bem cedo – por exemplo, na escola os alunos acham bonito colar e gozam e consideram bobos aqueles que estudam. As pessoas fazem “gatos” para terem tv a cabo e acham isso normal. Compram filmes piratas. E assim por diante.

      E também não analisam os candidatos nos quais votam – a maior parte das pessoas nem se lembra em quem votou para deputado federal. E também se deixa levar por promessas bonitas e vazias.

      Numa sociedade com essas práticas não é de estranhar que a corrupção tenha atingido o nível que alcançou. E isso só vai mudar de fato quando as pessoas se convencerem que não dá para viver na base do “levar vantagem em tudo”. Que é preciso ter ética e respeitar as leis. Simples assim.

      Abs

  2. Sistema corrupto! Sistema maligno! Sistema opressor!
    Quando Paulo disse: Não conformeis com este mundo – Paulo esta apontando para o sistema criado e orquestrado por satanás. Assim como faraó oprimia o povo no Egito. Hoje mais do que nunca satanás oprime muitas almas.
    Cristo é a única esperança – Mateus 11: 28-30

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