AS FESTAS RELIGIOSAS DA BÍBLIA

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A Bíblia estabelece, no Velho Testamento, uma série de festas que deveriam ser respeitadas pelo povo de Israel  e essa orientação é seguida até hoje.

São sete grandes festas anuais. e como o calendário do povo judeu é lunar (contado com base nas fases da lua), essas festas não caem sempre no mesmo dia do ano (como acontece com o nosso Carnaval).

É interessante perceber que todas essas festas apontam para a figura do Messias de Israel, Jesus. Vejamos o significado de cada uma delas:
Páscoa
A Páscoa foi comemorada pela primeira vez na noite anterior ao dia em que o povo de Israel saiu da escravidão no Egito. Deus mandou que cada família comesse um cordeiro assado, juntamente com ervas amargas e pães sem fermento, representando a aflição que o povo passou no Egito e a pressa que tiveram em sair dali.
O sangue daquele cordeiro deveria ser pintado na porta da casa para que o anjo da morte não causasse nenhum mal ao passar, quando cumpria a décima praga lançada contra o Egito, a morte dos primogênitos (Êxodo capítulo 12).
A Páscoa sempre teve uma relação muito forte com o Messias: os judeus sempre acreditaram que, assim como Deus salvou seu povo da escravidão no Egito, na Páscoa, usando Moisés como seu instrumento, uma nova salvação viria naquela mesma data, dessa vez através do Messias. 
Essa libertação veio sim na Páscoa, pois foi nessa época que Jesus foi preso e crucificado, para que seu sangue servisse como expiação para nossos pecados. 
Pães Ázimos
Essa festa devia começar na ceia da Páscoa, onde já eram servido pães sem fermento (ázimos). E por sete dias os judeus somente podem comer esse tipo de pão e outros alimentos sem fermento (Deuteronômio capítulo 16, versículos 1 a 3). 
A razão para isso é que o fermento é como uma “infecção” (micro-organismos que nascem, crescem e depois morrem), que faz com que a massa cresça e fique aerada.
Para os judeus, o fermento sempre foi relacionado com as “infecções” causadas por pecados como orgulho e hipocrisia – vale lembrar que Jesus chamou esses pecados de “fermento” dos fariseus (Lucas capítulo 12, versículo 1). Por causa disso, nenhuma oferta de alimento feita para Deus podia conter tal ingrediente (Levítico capítulo 2, versículo 11 e capítulo 6, versículo 17).
Ora, Jesus foi uma pessoa sem pecado e passou por grande sofrimento (aflição) e, portanto, seu corpo é perfeitamente representado pelo pão ázimo. Logo, não é surpresa que ele tenha morrido exatamente no dia em que essa festa começou a ser comemorada. 
Primeiros Frutos  
Essa festa era comemorada no primeiro dia depois do sábado que se seguia à Páscoa. Celebrava o primeiro dia da colheita da cevada e assim uma pequena parte do cereal colhido era oferecida a Deus. No sábado que precedia essa festa, a passagem lida nas sinagogas vinha de Ezequiel capítulo 37, versículo 5, quando o profeta profetizou para um monte de ossos secos: 

Assim diz o Senhor Deus a estes ossos: Eis que farei entrar o espírito em vós e vivereis“. 

No ano em que Jesus morreu, a Páscoa ocorreu na quinta feira, portanto a festa dos Primeiros Frutos caiu no domingo (contado a partir do cair do sol no sábado). Portanto, no sábado antes da ressurreição, quando o texto de Ezequiel acima citado foi lido nas sinagogas, Jesus ainda estava morto e enterrado. E o texto de Ezequiel serviu como profecia para a ressurreição, que aconteceu exatamente no dia da comemoração da festa dos Primeiros Frutos. 

Quando Paulo disse (1 Coríntios capítulo 15, versículos 20 a 23) que Jesus era como “os primeiros frutos daqueles que dormem“, os judeus certamente fizeram a ligação com a festa comemorada no dia da sua ressurreição.

Pentecostes (semanas)
Sete semanas após a festa dos Primeiros Frutos vinha o Pentecostes (Deuteronômio capítulo 16, versículos 9 a 12). E foi no dia em que essa festa estava sendo comemorada que o Espírito Santo chegou e as pessoas falaram em línguas que não conheciam (Atos capítulo 2, versículos 1 a 4).
Essa festa comemora o dia em que os israelitas chegaram ao Monte Sinai, depois de sair do Egito (data comemorada na Páscoa). Foi no dia de Pentecostes que eles receberam a Lei de Deus (os Dez Mandamentos), conforme Êxodo capítulo 19, versículos 1 a 20. E a Lei é o símbolo da Primeira (Velha) Aliança, aquela que Deus fez com o povo judeu.
O episódio em que Deus apareceu para dar a Lei para Israel foi marcado por fogo e outros sinais maravilhosos. E o texto ensinado nas sinagogas no dia em que se comemora essa festa está em Ezequiel (capítulos 1 e 2), onde o profeta relata uma visão caracterizada por ventos e fogo.
Conforme já disse, para os cristãos, o Pentecostes marca a chegada do Espírito Santo, em meio a forte vento, quando apareceram línguas de fogo sobre as cabeças das pessoas. E é isso que marca o início da Nova Aliança, a inauguração da história da igreja cristã. Mas, ao invés de inscrever seus mandamentos em tábuas de pedra, como fez no Monte Sinai, desta vez Deus escreveu seus mandamentos nos corações dos seres humanos, através do Espírito Santo. 
Ano Novo (Trombetas)
A festa de Ano Novo abre um segundo ciclo de festas, que acontece cerca de seis meses depois das outras quatro festas. Nesse dia os judeus começam a contar seu ano civil. Essa festa também é conhecida como Trombetas, pois tem início com o toque do “shofar” (veja mais). 
O Ano Novo comemora a criação do mundo, por isso, nessa data, é lido em todas sinagogas o texto de Gênesis capítulo 1 que relata esses acontecimentos.  E aí tem início o período de dez dias no qual os judeus precisam examinar seu comportamento ao longo do ano que passou, como preparação para o dia do Perdão.
Para o cristão, essa festa marca a esperança de que Cristo vai voltar, ao som da trombeta, conforme Paulo ensinou em 1 Corintios capítulo 15, versículos 51 e 52. Mas sua chegada não será apenas motivo de alegria, pois ainda haverá o Julgamento Final. 

Perdão
Já escrevi detalhadamente sobre a comemoração desse dia (veja mais), o mais solene do ano judaico, data em que o povo pede precisa pedir perdão tanto pelos seus pecados individuais como pelos pecados coletivos.
Para o cristão, o Yom Kippur simboliza o dia do Julgamento Final, quando Deus pedirá contas a cada ser humano.
Tendas
Essa festa ocorre cinco dias depois do Yom Kippur. Nos dias de Jesus, acontecia uma grande celebração no Templo de Jerusalém, com duração de sete dias.
A festa comemora o período que o povo passou no deserto do Sinai, quando Deus cuidou de todas suas necessidades, mandando comida e água (Deuteronômio capítulo 16, versículos 13 a 17). 
Durante esse período, as pessoas habitavam cabanas provisórias, daí a festa procurava reproduzir essa situação pois as pessoas habitavam em tendas por alguns dias. 
Essa festa também comemorava a principal colheita do ano (trigo), marcando o fim do período seco anual na Palestina, que dura seis meses, quando não cai uma gota de chuva. Por causa disso, no final da festa das Tendas, os sacerdotes faziam uma libação com água, pedindo a chegada da chuva.
E foi exatamente durante a comemoração dessa data que Jesus disse que quem viesse até Ele nunca mais teria sede (João capítulo 7, versículos 37 e 38). 

Resumo
As sete grandes festas judaicas relembravam periodicamente para os judeus fatos importantes da sua relação com Deus. Os cristãos copiaram a ideia de ter um calendário litúrgico (Sexta Feira Santa, Páscoa, Pentecostes, Natal e outros dias mais), com grande sucesso. 

Todas as festas estabelecidas na Bíblia têm grande relação com Jesus Cristo. As quatro primeiras (Páscoa, Pães Ázimos, Primeiros Frutos e Pentecostes) falam diretamente sobre sua morte e sacrifício, bem como a respeito da Nova Aliança que sua morte estabeleceu. 

Já as três outras (Ano Novo, Perdão e Tendas) se relacionam com fatos que ainda vão acontecer, no Final dos Tempos.

Com carinho 

2 Comentários

  1. Deus nao Mudou. As. Festas Devem ser as. Mesmas . Festas da colheita.pentecostes.pascoa.tabernaculos…….paes asmos. Resurrection anunciar arrebatamento e Jesus como Salvador que vem nos buscar como Rei.

    • Cara Izabel

      Deus realmente não muda. Isso é certo. Mas as festas que foram estabelecidas no Velho Testamento têm a ver com o povo de Israel. Não foram estabelecidas para os cristãos.

      E o fato de haverem situações diferentes para judeus e cristãos está bem claro na Bíblia – por exemplo, no primeiro Concílio da igreja cristã em Jerusalém, conforme relato de Atos dos Apóstolos, ficou decidido por Paulo, Pedro e Tiago, que os cristãos não precisariam ser circuncidados ou seguir as restrições alimentares dos judeus. E os judeus continuaram obrigadas a ambas as coisas.

      A mesma coisa se percebe em relação ao sábado, obedecido pelos judeus, enquanto a esmagadora maioria dos cristão segue o domingo, em homenagem à ressurreição de Jesus.

      Abs

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