A CIÊNCIA DESMENTE A BÍBLIA NA CRIAÇÃO DO MUNDO?

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A criação do universo é descrita em diversas passagens da Bíblia, especialmente nos livros do Gênesis e de Jó. O Gênesis, nossa referencia principal, conta que a criação foi feita em seis “dias”, sendo que o ser humano foi formado no último “dia” (capítulo 1).

Ora, os estudos científicos demonstram que o universo tem quase 14 bilhões de anos e a Terra cerca de 4 bilhões de anos. O ser humano apareceu sobre a terra cerca de 20 mil anos atrás, o que parece contradizer a Bíblia. 

Os/as cristãos/ãs fundamentalistas dizem que a ciência está errada e há quem chegue a defender a tese absurda que a Terra tem pouco mais do que 10.000 anos de existência (a chamada teoria da “terra jovem”). 

A maior parte do povo cristãos fica no meio dessa “guerra” de declarações, sem saber bem no que e em quem acreditar. Será que a Bíblia é mesmo desmentida pela ciência? Quem tem razão? Como esclarecer essa confusão toda?

As raízes do problema
O povo cristão, de forma geral, acredita que o conteúdo da Bíblia é verdadeiro, por ser ela a Palavra de Deus. Eu também acredito nisso. Até aí tudo bem. 

Mas os/as cristãos/ãs fundamentalistas costumam ir além disso, dando um passo adicional questionável: essas pessoas também acreditam que os relatos contidos na Bíblia sobre a criação do universo descrevem literalmente, portanto, com precisão científica, como as coisas aconteceram.

Ora, se pensarmos com cuidado, esse passo não parece razoável. Deus precisou explicar para um povo ignorante em questões científicas, que viveu cerca de 3.200 anos atrás – época em que o Gênesis foi escrito – como o nosso universo foi criado.

Certamente, a única forma de conseguir fazer isso foi descrever o processo de criação, coisa extremamente complexa, usando símbolos e metáforas. Uma comparação simples permite explicar melhor o que quero dizer com isso.

Imagine que eu precise explicar um avião a jato para um índio não aculturado. Provavelmente, eu falaria que se trata de um grande “pássaro de fogo” voando pelo céu. E isso não seria uma mentira, embora essa descrição não seja precisa do ponto de vista científico.

A metáfora do “pássaro de fogo” permite que o índio não aculturado entenda o que estou falando, pois os conceitos “pássaro” e “fogo” são familiares para ele, enquanto a noção de “avião” não é.

E assim também foi feito na Bíblia. A descrição da criação do universo é cheia de símbolos e metáforas para permitir que um povo sem qualquer noção científica entendesse o que estava sendo explicado. Portanto, é um erro tentar ler a Bíblia como um livro texto de física, pois ela não foi escrita com esse objetivo.

Uma prova disso é o relato do descanso de Deus ao sétimo dia (Gênesis capítulo 2, versículos de 1 a 3): é claro que Deus não precisou descansar, pois isso não faz sentido para um ser como Ele.

Esse “descanso” foi a forma encontrada para informar ao povo que Deus decidiu santificar um dia da semana, reservando-o para o descanso das pessoas, evitando que elas se tonassem “máquinas” escravizadas pelo trabalho.

Usando o relato da criação de forma correta
Se a Bíblia for lida da forma correta, você pode ficar tranquilo que ela não contraria a ciência, muito ao contrário. E para comprovar isso, escolhi três perguntas muito comuns, explicando como elas podem ser tranquilamente respondidas, sem contrariar a ciência e respeitando o que a Bíblia diz:

Pergunta 1: O mundo foi criado em 6 dias de 24 horas?  
É claro que não e nem a Bíblia diz isso. Na verdade, a palavra em hebraico que pode ser traduzida como “dia“, também pode ser entendida como “espaço de tempo“. Ou seja, os seis dias da criação são, na verdade, seis “espaços de tempo“, seis fases de criação, com duração indefinida.

Logo, não há nada na Bíblia que contrarie o fato do universo ter quase 14 bilhões de anos, pois essas fases pode ter durado um tempo muito longo, umas mais e outras menos. Não há problema aí.

Pergunta 2: A Bíblia comete um erro científico ao descrever que os céus e a terra foram criados juntos?
Gênesis capítulo 1, versículo 1, diz: “no princípio criou Deus os céus e a terra“. Sem dúvida, parece estar sendo descrita a criação conjunta do universo (céus) e da Terra. Mas como há uma diferença de tempo muito grande entre o Big Bang (origem do universo) e a criação da Terra – quase dez bilhões de anos – parece haver um  erro na descrição bíblica. 

O problema, nesse caso, decorre do fato que o Hebraico antigo (língua usada no Velho Testamento) tem um número reduzido de palavras, bem menor, por exemplo, que o Português. Não há, no hebraico antigo, palavras equivalentes a “cosmos” ou “universo”.

Essa dificuldade era contornada mediante o uso de expressões compostas: p. ex. “os céus e a terra” significava o conjunto de todas as coisas físicas que integram o universo, incluindo a matéria e a energia (radiações). Portanto, o versículo do início do Gênesis se refere apenas ao “Big Bang”, ou seja, à explosão do “ovo cósmico” que deu origem a tudo. 

Pergunta 3: Como as plantas, criadas no terceiro “dia”, poderiam ter sobrevivido sem o sol, criado no quarto “dia”?
Realmente, o Gênesis descreve que muitas plantas foram criadas no terceiro “dia” (capítulo 1, versículos 9 a 13), enquanto o sol teria sido criado depois (versículos 14 a 19). Ora, isso contraria as leis da biologia, pois as plantas precisam da radiação solar para fazer a fotossíntese.

Mas, se olharmos o texto com cuidado, veremos que, no primeiro “dia” (versículos 2 a 5), a Terra era sem forma e vazia, havendo trevas sobre sua superfície. E essa escuridão podia ser fruto de duas coisas: falta de luz ou impossibilidade dela chegar até a superfície da terra, na faixa do espectro visível ao olho humano. 

Como Deus tinha dito logo no início (versículo 1) “haja luz” e a luz se fez  (desde a explosão do “Big Bang”), radiação luminosa, visível ou não, passou a ser emitida por uma série de corpos celestes (p. ex. as estrelas), logo quando são descritas as primeiras plantas (versículos 9 a 13), já havia radiação luminosa. Mas, provavelmente, a radiação luminosa que chegava até a superfície da Terra não era visível. A descrição encontrada no livro de Jó capítulo 38,  versículos 4 e 9, confirma essa interpretação: 

Onde estavas tu [Jó] quando eu [Deus] lançava os fundamentos da Terra… quando eu lhe pus as nuvens por vestidura, e a escuridão por fraldas.

Ou seja, o texto de Jó descreve nuvens formando uma barreira tão espessa que não deixavam a luz visível passar – o que não quer dizer, por exemplo, que a chamada luz “ultravioleta” não conseguisse atravessar a camada de nuvens.

Somente aos poucos a atmosfera foi sendo limpa e a luz visível começou a passar até sua superfície. Aliás, é exatamente esse o relato que a ciência faz da formação da atmosfera terrestre. Portanto, não há nada na descrição bíblica que contrarie a ciência.

Conclusão
A Bíblia também está correta na descrição da criação do universo, desde que a leitura desse texto seja feita entendendo o espírito do relato, baseado no uso de símbolos e metáforas. 

Quando isso é feito, é impressionante a concordância da Bíblia com aquilo que a ciência descobriu, milhares de anos depois.

Com carinho

1 Comentário

  1. Muito bom o texto, assim torna-se mais fácil entender as escrituras.

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