BASTA A CADA DIA O SEU MAL?

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Portanto, …não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal.” Mateus capítulo 6, versículo 34

Jesus ensinou a não ficarmos ansiosos/as quanto ao dia de amanhã e a confiarmos mais em Deus. Agora, é interessante perceber que, na última parte desse importante ensinamento, Ele falou do “mal de cada dia”. O que será que Jesus quis dizer com isso?

Para responder essa pergunta, vou começar dando o exemplo de um homem gordo que precisa perder peso por causa da sua saúde. Como esse homem pode vir a conseguir fazer isso? Há três formas dele tentar atingir esse objetivo:

  1. Submeter-se uma dieta radical para perder todo o excesso de peso de uma só vez – e pode ser preciso até tomar remédios. A ideia é voltar à vida normal depressa, assim que o peso ficar ideal. O princípio que governa essa estratégia é sofrer tudo de uma só vez e acabar logo com o sofrimento.
  2. Seguir uma dieta menos radical, menos sofrida, mas que vai durar longo tempo. O princípio que governa essa alternativa é minimizar o sofrimento, mesmo sabendo que ele vai durar bom tempo (talvez até o fim da vida)
  3. Reeducar os hábitos alimentares, aprendendo a comer coisas saudáveis e nas quantidades certas. O princípio que governa essa estratégia é mudar para não precisar sofrer.  

Acho que ninguém tem dúvida que a terceira alternativa é a melhor e mais eficiente. Mas, na prática, a maioria das pessoas segue a primeira alternativa (dieta radical) ou a segunda (dieta limitada). Poucas pessoas mudam seus hábitos alimentares e nunca mais sofrem com o problema do excesso de peso.

Ligando esse exemplo com o ensinamento de Jesus, o “mal diário” é similar ao desejo de comer mais do que se deve ou aquilo que não se pode que as pessoas enfrentam a cada dia. Trata-se dos problemas que parecem fugir ao controle e as soluções fáceis para eles, mas que levam as pessoas a fazerem o que é errado (mentir, ser hipócritas, cometer pequenas desonestidades, promover fofocas, etc), bem como as tentações de toda sorte. 

As três estratégias que comentei acima, usando o exemplo da necessidade de perder peso, são mais ou menos aquelas que as pessoas usam para enfrentar o “mal diário”.

Sofrer de uma vez só 
A estratégia radical acha ser possível eliminar o mal e a tentação da vida através de um grande esforço concentrado. A pessoa se converte e meio que suspende sua vida secular, passando a se dedicar quase tempo integral à sua religião. Vai a todos grupos de oração e cultos que pode frequentar, vive agarrada à Bíblia, só ouve música gospel e quer converter todo mundo à sua volta.

Deixa de lado qualquer lazer, pouco se dá com amigos/as (a menos daqueles que sigam a mesma fé), deixam de se interessar pela situação política e social do Brasil e assim por diante. Passam a viver como numa “bolha”.

O problema é que essas estratégia só funciona bem por pouco tempo. A pessoa faz um grande esforço para viver dessa maneira nova, mas não de fato, não deixou verdadeiramente de lado os hábitos antigos que dominavam sua vida. Apenas suprimiu essas vontades que antes a dominavam. Como o homem que suprime a fome artificialmente com remédios.

O problema é que quem segue esse tipo de estratégia cedo ou tarde acaba por voltar, aos poucos, à situação anterior. Como o homem gordo que cedo ou tarde vai precisar deixar de tomar remédios, pois não pode fazer isso o resto da vida, e aí a fome volta.
As pessoas acabam cansando dessa estratégia radical e se consolam com o pensamento que já fizeram o suficiente para ficarem livres para sempre dos maus hábitos e tentações. E sem perceber, voltam à condição anterior. São vencidas pelo “mal diário”.
A verdade, é que fraquezas e tentações que corroem as vidas das pessoas teimam em continuar vivas – são como “pecados de estimação” – e um tratamento de choque não as vence. 
Já cansei de ver pessoas agindo assim e que quase sempre acabam de volta onde começaram. E o pior é que elas passam a ter muita dificuldade para novamente tentar mudar novo, pois já fracassaram.
A estratégia de minimizar o sofrimento 
Muita gente gosta da estratégia “sofrer um pouco a cada dia”. É como quem tenta fazer dieta limitada por longo tempo e fica sempre lutando contra a balança.
As pessoas se convertem mas mantém suas prioridades de vida e boa parte do comportamento anterior anterior à conversão (os tais “pecados de estimação”), mesmo que muitos dos seus hábitos são errados.
Elas se convenceram que não faz mal continuar com seus “pecados de estimação” e que será possível mantê-los sob controle. E lutam diariamente para manter tentações e hábitos ruins sob controle, para vencer o “mal de cada dia”.
É uma luta diária, cansativa, pois não acaba nunca. Um bom exemplo é a pessoa que gosta muito de consumir, além do que precisa, e fica sempre lutando para não gastar mais do que ganha – frequentemente, acaba estourando o orçamento e se endividando.
Essas pessoas acham que vão conseguir viver uma vida correta aos olhos de Deus sem precisar se sacrificar muito. Aceitam mudar nalguns aspectos, mas não em outros, pois seu compromisso com Deus é limitado. E passam a vida lutando com as mesmas dificuldades, sem nunca superá-las de fato.
Foi assim que o governo brasileiro agiu durante décadas, como respeito à inflação: Aceitava um pouco de inflação para não prejudicar o crescimento do país e poder ficar bem com o eleitorado. O resultado sempre foi uma inflação que tendia a escapar ao controle. Só quando o governo adquiriu consciência que a inflação é um real mal a ser combatido sempre com rigor, foi que o Brasil superou esse problema.
A estratégia de mudar de fato
A terceira alternativa é a pessoa mudar seu interior, ajustando suas prioridades e hábitos, colocando-os em dia com a vontade de Deus. A Bíblia apelidou essa estratégia de santificação.
E trata-se de mudar, aprendendo a valorizar outras coisas, conseguir tirar prazer de novas coisas. É equivalente ao caso do homem gordo que aprende a comer de forma mais saudável e efetiva e passa a gostar do alimento que é lhe faz bem. Ele nunca mais vai precisar passar pelo sofrimento de fazer dieta. 
Mudança interior não significa se abster de fazer todas as coisas da vida das quais a pessoa antes gostava. Eu tenho uma experiência pessoal nesse sentido, com o futebol.
Quando era mais jovem, minha devoção ao meu time do coração era enorme. Na hora de um jogo importante, eu não via mais nada na minha frente. Se o time ganhava, ficava alegre e sentia a vida mais leve. Se perdesse, o mal humor era certo. 
O futebol, de certa forma, me dominava, embora eu não percebesse isso. Até que tomei consciência desse problema e trabalhei para mudar minhas prioridades. Hoje, continuo a gostar de futebol e não me privo desse prazer quando é possível. Mas, o destino do meu time não mais controla a minha vida.
Mudei porque entendi que o hábito anterior não era saudável. Não era bom minha vida ser controlada por um time de futebol pois há coisas muito mais importantes que precisam vir antes. Aprendi a mudar minha prioridade e não sofro quando não assisto a um jogo. 
A santificação funciona exatamente isso mas em grande escala. A pessoa coloca Deus em primeiro lugar na sua vida e aprende a ter prazer nisso. Aprende a gostar de estar na igreja, de estudar e discutir a Bíblia, de louvar e de ajudar quem precisa. Passa a fazer isso tudo porque tem prazer e não porque é obrigada. Adquire novos hábitos e se sente bem com isso.
Pode até continuar a gostar de muitas coisas que apreciava antes, mas aprende a vê-las sob uma perspectiva maior, aquela estabelecida por Deus. E nunca mais será dominada por maus hábitos.
Portanto, não há mais sacrifício em se manter no bom caminho. O “mal diário” não mais conseguirá desestabilizar a pessoa. 
A mudança do interior – a santificação – consegue dar à pessoa uma estrutura muito mais sólida para lutar e vencer o “mal diário”. 
Com carinho  

7 Comentários


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    Tiana Alves

    Nossa!que benção ter uma pessoa tão humana, capaz de compartilhar com as pessoas uma palavra tão profunda, tão bem explicada.Parabens, que NOSSO GLORIOSO DEUS,continue te usando para repartir com os irmãos o Maná.


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    Anônimo

    Muito o brigada pela explicação clara e objetiva! seu texto me ajudou muito com a duvida que eu tinha. Deus te abençoe e continue sempre te orientado.


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    Anônimo

    A sabedoria é Jesus ! Obrigada.


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    Anônimo

    Muito obrigado pelo exclarecimento, que Deus o permita continuar com esse bom trabalho


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    Anônimo

    Vinícius, obrigado pela explicação. Achei que você foi muito feliz e abençoado com as palavras. Deus continue abençoando sua vida.


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    Conselheiro Cristao

    Muito bom o texto amado, nao havia ainda recebido esclarecimento dessa forma, na verdade nunca havia realmente pensado nesta frase que Cristo disse, que Deus continue abençoando a sua vida em nome de Jesus!!


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    Anônimo

    Obrigado pela sua disposição de ser instrumento do Senhor, Vinicius Moura! Eu tinha dúvidas sobre o verdadeiro sentido da expressão "basta ao dia o seu próprio mal". O seu texto me fez muito bem. Que Deus continue a te abençoar!

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