A BíBLIA SEMPRE DEFENDEU OS DIREITOS HUMANOS

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Revelação é aquilo que Deus conta sobre Ele mesmo e sobre seus planos para a humanidade. Sem essa revelação, há uma série de coisas que nunca saberíamos, como por exemplo que Jesus é o nosso Salvador (ver mais). 

Agora, Deus revelou um monte de coisas de maneira progressiva, para levar em conta a capacidade dos seres humanos de absorverem o que estava sendo transmitido.

É exatamente assim que agimos com as crianças – elas vão adquirindo conhecimento sobre as coisas passo a passo, de forma que o conhecimento já adquirido serve de base para o que elas vão aprender mais adiante. Por exemplo, antes de estudar álgebra, as crianças aprendem aritmética.

Essa abordagem progressiva da revelação de Deus fica muito clara na questão do tratamento que devemos dar ao nosso próximo.  O início do relato bíblico – onde se fala de Abraão e seus descendentes – fala de um povo que nômade (pastores de cabras e ovelhas), com nível cultural muito baixo.

A sociedade, naquela época, era organizada em tribos baseadas em laços de sangue. E era preciso que cada tribo conquistasse o respeito das demais, pois era essa reputação que protegia seus membros quando estavam numa condição vulnerável (por exemplo, ao serem encontrados sozinhos). Afinal, tribos menores nunca queriam provocar a ira de uma tribo mais poderosa, com medo da retaliação que certamente viria.

Num ambiente assim, vingar qualquer ofensa de forma feroz era uma questão de manter o respeito e, portanto, de sobrevivência. E a regra seguida era preciso exercer vingança no mais alto grau possível, retribuindo qualquer ofensa (agressão, roubo, estupro, etc) em grau muito maior.

Foi exatamente isso que fizeram Simeão e Levi, filhos de Jacó, quando um rapaz, Siquem, foi acusado de violentar a irmã deles, Diná. Em represália, e usando de um engodo, os irmãos mataram todos os homens da cidade natal daquele rapaz (Gênesis, capítulo 34).

Cerca de 400 a 600 anos depois desse fato, Moisés apresentou a lei de Deus para o povo de Israel (descendente de Jacó). Nela estava incluída a orientação para que a vingança fosse proporcional à ofensa cometida – daí vem o ditado “olho por olho e dente por dente”. 

Ora, isso já era um grande avanço, pois a retribuição passou a ser limitada, proporcional à ofensa cometida, o que era muito mais justo do que a ideia de causar o máximo de mal possível a quem cometeu alguma ofensa.

Jesus viveu cerca de 1.500 a 1.300 anos depois de Moisés, numa época em que o mundo era muito mais civilizado e estava sob domínio do Império Romano. O Império Romano seguia determinadas leis, que embora injustas aos nossos olhos modernos, já eram grande avanço sobre o que tinha vigorado até então.

Nesse ambiente mais desenvolvido, Jesus enfatizou novas regras sobre como tratar o próximo: Amá-lo como a si mesmo/a e retribuir o mal com o bem. 

Esse era um passo revolucionário, pois Jesus ensinou que somente o amor constrói de forma permanente. E tanto esse ensinamento é verdadeiro que o Império Romano desapareceu cerca de 1.500 anos atrás e o cristianismo está aí até hoje.

Jesus com o ensinamento baseado no amor também mostrou que o perdão é necessário para se viver em sociedade. Afinal, se levarmos a ferro e fogo a ideia do “olho por olho, dente por dente”, a longo prazo todos acabarão cegos e/ou banguelas. O perdão é uma necessidade fundamental e sem ele vida vira uma escalada de vinganças.

Foi com base nesses e em outros ensinamentos que as sociedades, onde o cristianismo se firmou como a religião preponderante, desenvolveram o conceito dos “direitos humanos” e as pessoas aprenderam a se importar e ajudar os necessitados.

Antes do cristianismo, não se pensava em tais direitos e as pessoas mais fracas – crianças indesejadas, velhos, doentes e viúvas – eram largadas à própria sorte.

Portanto, é fácil de perceber que Deus jamais poderia ter ordenado o amor ao próximo na época de Abraão, marcada pela luta sem tréguas entre as tribos, pois a tribo que adotasse esse ensinamento teria sido dizimada. Ou mesmo na época do reino de Israel, sempre sujeito a invasões de vizinhos poderosos.

Deus agiu em dois passos. Primeiro, a partir da época de Moisés, tornando a retribuição justa, proporcional à ofensa cometida. A sociedade já não era nômade e a organização em cidades já começava a acontecer. Num segundo momento, veio o passo final, ordenado por Jesus, quando a sociedade estava sob a lei do Império Romano.
 
Portanto, é injusta a crítica de alguns pensadores /as, que tentam analisar os ensinamentos de Deus à luz dos costumes atuais e aí falam que Ele é violento e bárbaro, por exemplo por ter orientado o povo de Israel a conduzir guerras de extermínio, num mundo onde a prática vigente era “matar ou ser morto”. 

Analisar fatos de uma época muito anterior, com base nas práticas atuais, é um erro chamado anacronismo, coisa muito frequente entre historiadores/as e pensadores/as.

Outro exemplo de anacronismo é taxar Deus de perverso porque a Bíblia não abriu guerra contra a escravidão, prática absolutamente comum na antiguidade. O caminho adotado pela Bíblia foi bem outro: Cobrar dos donos de escravos que tratassem seus servos com humanidade. E tanto é assim que, em Israel, muita gente preferia continuar como servo do que ganhar a liberdade.

A escravidão em israel nada tinha a ver com aquela, por exemplo, que foi praticada no Brasil. Não havia nada parecido com o tráfego negreiro que infelicitou milhões de pessoas. Era coisa bem diferente.

Na verdade, os ensinamentos bíblicos sempre estiveram na vanguarda dos direitos humanos, coibindo excessos, cuidando dos mais fracos, dando atenção aos direitos das mulheres (numa sociedade francamente machista), etc.

E tanto isso é verdade que os/as primeiros/as cristãos/ãs foram justamente as pessoas menos favorecidas da sociedade na época de Jesus. Essas pessoas sentiram na própria pele como a doutrina encaminhada por Jesus era boa para os/as mais fracos/as. Por isso, escravos/as, mulheres, pobres e oprimidos/as atenderam em massa ao chamado do Evangelho. E essa é a melhor prova de tudo que acabei de falar.

Com carinho 

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