O DESAFIO DA GRAÇA DE DEUS

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Hoje em dia é muito comum a ideia que não há um único caminho que leva a Deus. Vários caminhos (religiões) conseguiriam fazer isso.

Mas, esse não o ensinamento da doutrina cristã. A Bíblia ensina que ninguém vai até Deus sem passar por Jesus (João capítulo 14, versículo 6). E, por causa disso, cada vez mais o povo cristão é desafiado a demonstrar, por quem pensa diferente, porque sua crença seria superior.

Acredito que a resposta para esse desafio é simples: A Graça de Deus. Afinal, esse é o ensinamento que o cristianismo traz diferente de todas as outras religiões. 

E se nenhuma outra religião fala sobre a Graça de Deus, esse conceito deve resumir aquilo que o cristianismo tem de melhor. E essa é a mais pura verdade. 

A Graça de Deus é algo que ninguém merece – ela existe e é derramada sobre nós porque Deus quer. Simples assim.

A Graça é gerada e alimentada pela misericórdia e o amor de Deus por nós. E é pela Graça, e não pelos próprios méritos, que as pessoas ganham acesso a Deus, sendo reconciliadas com Ele apesar dos seus pecados.

O processo funciona assim: Todos os seres humanos pecam e, portanto, não conseguem agradar a Deus unicamente por seus méritos. Em outras palavras, pelas próprias obras ninguém consegue chegar até Deus.

A alternativa estabelecida por Deus para superar essa incapacidade do ser humano foi a Graça, através do sacrifício de Jesus na cruz, tomando sobre si a punição que deveria do ser humano.

Assim, todo aquele/a que reconhecer seus pecados, arrepender-se deles e aceitar Jesus como seu Salvador, é perdoado, mediante essa mesma Graça, e pode ser salvo/a (João capítulo 3, versículo 16).

Nenhuma outra religião defende esse tipo de conceito. Algumas religiões – por exemplo, o budismo e o espiritismo – pregam um processo de aperfeiçoamento constante do ser humano, alcançado através de múltiplas vidas. As pessoas vão melhorando aos poucos, segundo essa linha de pensamento, na base da tentativa e erro. E terão tantas chances (novas vidas) quantas forem necessárias para fazer tal aprendizado. 

Essa linha de pensamento defende que, na verdade, as pessoas salvam a si mesmas através dos seus próprios méritos. E a Graça de Deus não se faz necessária – na verdade, não espaço para ela. 

O desafio da Graça
Mas aqui cabe uma pergunta importante: por que a Graça é necessária? Simplesmente porque um esquema baseado no mérito, onde as pessoas conquistam sua própria salvação pelo bem que fazem, não é viável. 

E a razão é simples. Os requisitos de Deus para a salvação são muito grandes. Eles estão definidos na Lei transmitida aos israelitas por Moisés (como os Dez Mandamentos), registrada nos cinco primeiros livros da Bíblia, posteriormente detalhada por diversos profetas no restante do Velho Testamento, e modificada e ampliada por Jesus, Paulo e outros escritores do Novo Testamento. São esses mandamentos que Deus espera que as pessoas cumpram para viver uma vida aceitável a seus olhos. Até aí tudo bem.

Conforme já disse, o problema está no fato que esses requisitos são impossíveis de preencher. Por exemplo, basta pensar na exigência de “amar o próximo como a si mesmo“. Você conhece alguém que faz isso completamente? Eu não conheço.

Quando a pessoa se conscientiza que não consegue agradar a Deus pelos seus próprios méritos, vem à sua mente uma pergunta: “E agora, o que devo então fazer para ser salvo/a?”. E a resposta de Deus é a sua Graça: Se a pessoa reconhecer seus pecados e aceitar essa Graça, isto é Jesus como seu Salvador, terá acesso a Deus. 

Parece fácil, não é? Afinal, como diz um famoso ditado: “de graça, até injeção na veia…”. Portanto, deveria ser fácil para todo mundo aceitar a Graça de Deus. Por que então tanta gente resiste a ela?

O problema é que, ao aceitar a Graça, as pessoas precisam também aceitar outras coisas que fazem parte do “pacote”, ou seja, são consequência direta dessa Graça. E isso muita gente não quer fazer.

Vamos as razões dela para rejeitar a Graça. Primeiro, é preciso aceitar a soberania de Deus, isto é Ele tem direito de salvar quem quiser. Como a salvação vem sem mérito pessoal, Deus tem esse direito e ninguém pode questionar o que Ele vier a decidir.

Mas, muitas pessoas querem manter sua autonomia e questionam as escolhas de Deus. Acham injusto que gente boa (aos seus olhos) não seja salva e quem parece não merecer (como o ladrão que estava ao lado de Jesus na cruz e aceitou Jesus no último momento – Lucas capítulo 23, 39 a 43) seja aceito/a. Para essas pessoas Deus é injusto.

Outro aspecto que afasta as pessoas da Graça é a percepção de que a fé em Cristo se faz necessária. E essa fé não é, como pode parecer à primeira vista, uma simples declaração de intenções feita num momento de emoção, como muitas vezes ocorre depois de pregações e louvor inspirados. 

A fé verdadeira precisa mudar a pessoa, transformar sua forma de ser e viver. Em outras palavras, essa fé precisa gerar obras (Tiago capítulo 2, versículos 14 a 26). Não são as obras que salvam, mas elas são um termômetro da fé – se não existem, a fé da pessoa não está viva.

E muitas pessoas não querem mudar. Não desejam deixar seus caminhos e até seus pecados “de estimação”. Simples assim. E essa provavelmente é a causa mais comum das pessoas não seguirem pelo caminho da Graça. 

Concluindo, a Graça de Deus é aquilo que torna o cristianismo especial. Não existe nada no mundo que seja igual, afinal tudo o mais que obtemos na vida tem seu próprio “custo”, sua contrapartida. 

Não há dúvida que aceitar essa Graça é um desafio. E esse é o verdadeiro desafio de ser cristão/ã.

Com carinho

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