UM PESO E DUAS MEDIDAS

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Há um ditado popular muito conhecido que diz: “Aos amigos e à família tudo, aos inimigos a lei”. Ele indica que, para muita gente, o tratamento dado às pessoas a quem se quer bem deve ser melhor do que o previsto nas leis (regras), para beneficiá-las. Para as demais pessoas, as leis precisam ser aplicadas com rigor.

Esse ditado mostra que há na sociedade humana um padrão ético duplo: Algumas pessoas mereceriam um tratamento melhor do que as outras. É o que eu chamo de “um peso e duas medidas”. 

Sem dúvida, isso é muito injusto, mas, infelizmente, também muito comum. O princípio de “um peso e duas medidas” está arraigado na cultura brasileira. É tão presente que chega até a ser esperado – quando alguém age de outra forma, gera notícia na mídia. Esse foi caso da mulher que entregou o filho, traficante de drogas, para que se entendesse com a lei – isso foi capa de jornais, no Rio de Janeiro, alguns anos atrás. 

Pior ainda, esse padrão ético injusto não vale só para pessoas. Ele é muito comum também entre as nações. E os exemplos históricos são muitos – vou dar apenas um dentre deles.

Há hoje uma grande “revolta” na opinião pública internacional pelo fato da Coréia do Norte ter a bomba atômica e o Irã tentar fazer o mesmo – e quero deixar bem claro, desde já, que não sou favorável nem ao regime da Coréia do Norte e muito menos ao do Irã, como também não defendo as armas nucleares. 

A realidade no mundo atual é que umas poucas nações – China, Estados Unidos, França, Rússia, etc – têm esse tipo de arma e as outras não.  E quem não tem, é criticada quando tenta ter. A desculpa para essa assimetria é que as nações que já têm bombas atômicas seriam “confiáveis”.

Será que é possível concordar com essa afirmação em relação aos Estados Unidos, dirigido pelo Trump, ou a Rússia, dirigida pelo Putin? Parece-me que não. É claro que as razões da assimetria são outras. Caso clássico de “um peso e duas medidas”. O correto seria ninguém ter armas nucleares e aí os países teriam moral para cobrar essa posição uns dos outros. 

O problema com a ética do “um peso e duas medidas” é que a confiança entre pessoas ou nações desaparece e o mundo, como um todo, passa a funcionar pior do que poderia. É por causa disso que a maioria dos países se protege atrás de fronteiras fortemente guardadas e gasta muito dinheiro para manter Forças Armadas fortes, para ter condições de fazer valer seus interesses. 

E vários países, para se proteger ainda mais, fazem redes de alianças, estabelecendo que se algum país aliado for atacado, todos os demais membros da aliança terão que vir em seu socorro – um bom exemplo é a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte)

As pessoas fazem o mesmo que os países: Vivem em casas gradeadas, contratam segurança particular, blindam seus carros e assim por diante. Procuram se proteger ainda mais através de redes de amizades, onde há trocas de favores. E buscam eleger políticos/as que prometem gerar leis e ações públicas que lhes favoreçam. 

A sociedade atual vive um grande engano: Tudo parece estar em ordem, na superfície, mas há graves problemas. E volta e meia esses problemas mostram sua cara tenebrosa. 

Nos anos de 2008 e 2009, o sistema capitalista mundial sofreu grave crise – houve perdas econômicas gigantescas na Europa e nos Estados Unidos e muita gente empobreceu da noite para o dia. Foram precisos vários anos para que essas sociedades se recuperassem.

O terrorismo volte e meia ataca e nos lembra que há grandes tensões no mundo. A violência urbana, especialmente no Brasil, também nos alerta diariamente para a injusta da nossa sociedade. E assim por diante.

O remédio que realmente tornaria o mundo um lugar melhor, infelizmente, é pouco usado. Refiro-me ao mandamento do amor ao próximo dado por Jesus: “Aja com o outro como gostaria que ele/a agisse com você“.

Esse é um padrão ético perfeito e que pode ser aplicado sempre. Nele, não há lugar para “um peso e duas medidas”. Assim, se quero me sentir seguro, não posso ameaçar o próximo; se quero viver confortavelmente, meu vizinho tem que viver igualmente bem; se não quero ser injustiçado, não devo ser injusto com quem depende de mim; e se quero ser apoiado nas minhas aflições, preciso apoiar outras pessoas que passam por dificuldades. 

Imagine como o mundo seria diferente se essa regra simples estivesse em vigor. Seria um lugar maravilhoso para se viver. 

Num quadro como esse, o que cabe a você fazer? A resposta é simples: Faça sua parte todos os dias. Aja como se tudo dependesse apenas de você e sempre procure fazer a coisa certa.

É claro que a sua (ou a minha) influência no mundo é pequena. Mas, se todos agissem corretamente, o mundo iria mudar. Portanto, cumpra seu papel.  Sempre. 

Se você vir alguém necessitado e puder ajudar, não deixe de fazer isso; resista ao apelo do consumo desenfreado; ajude quem está caído emocionalmente; apoie as políticas públicas que diminuam a injustiça social; e assim por diante. 

Nós, cristãos/ãs, precisamos dar o exemplo. Simples assim.

Com carinho

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