VIDA OU MORTE NÃO SÃO AS COISAS MAIS IMPORTANTES

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Certa vez assisti um capítulo de uma série de televisão, passada num hospital, no qual uma mãe conversava com sua filha adolescente, que sofria com grave deformação da coluna vertebral e por causa disso não conseguia levar vida normal. 

Mãe e filha conversavam sobre uma cirurgia muita arriscada, que poderia corrigir essa deformação, mas o risco de morte era enorme. E a mãe da adolescente não queria autorizar a cirurgia com medo da filha morrer.

Aí a filha disse para a mãe uma coisa muito importante: “você acha que a pior coisa que pode me acontecer é a morte, mas há coisas bem piores…” Ela se referia ao sofrimento diário que vivia, que a fazia preferir morrer a continuar vivendo assim. 

Esse diálogo entre mãe e filha me fez pensar sobre a condição humana e, em especial, sobre nossa relação com Deus. 

As pessoas costumam ser relacionar com Deus tomando como premissa que suas vidas são a coisa mais importante que existe. A própria vida é a referência para tudo – se ele é boa e sem problemas, fica fácil ver Deus como um Ser bom e amoroso. Se a vida está cheia de problemas e sofrimento, Deus já não parece ser tão bom assim.

É importante que você perceba que Deus não olha para as coisas dessa forma. Ele ama você – não tenha qualquer dúvida disso – mas não entende que sua vida terrena seja a coisa mais importante para você.  

O seu bem mais precioso é outro: a garantia de viver junto a Deus para sempre. Afinal, Deus é a fonte de todo bem e nada pode ser melhor do que estar junto a Ele. E não há felicidade possível sem Ele e por isso o inferno é um lugar terrível (Deus não está lá).

Essa forma de ver as coisas encontra amplo respaldo na Bíblia – basta lembrar o que Jesus disse, conforme o relato que está em Mateus capítulo 18, versículo 8: se o olho da pessoa vier a atrapalhá-la na sua entrada no Reino de Deus, ela deveria tirá-lo. Em outras palavras, se aquilo que a pessoa vê, e entende, faz com que ela se desvie do caminho certo, que a levará até junto a Deus, seria melhor ela ficar sem poder ver, e entender, e continuar no caminho certo.

Jesus disse ainda que, se a mão da pessoa atrapalhar sua entrada no Reino, seria melhor ela cortá-la. Isso quer dizer que, se a capacidade da pessoa de fazer coisas desviá-la do caminho certo, seria melhor perder essa capacidade e continuar no caminho que leva à salvação. 

Sei muito bem que essa verdade fundamental – “não é a vida terrena o que mais importa e sim a relação com Deus” – não é fácil de viver na prática. Até dá para entender isso, mas é muito difícil sentir-se assim. 

Na prática, cada pessoa se comporta como se a vida na terra fosse a coisa mais importante – o Reino de Deus parece algo distante e, portanto, não tem o mesmo peso do que o aqui e agora.

Se você tem essa dificuldade, não se culpe muito – confesso que também tenho, por mais que me esforce para ser diferente. E poucas são as pessoas que conseguem viver a relação com Deus como a coisa mais importante. 

E uma delas foi o apóstolo Paulo – ele afirmou que preferia estar com Deus, pois ali era sua verdadeira casa (Filipenses capítulo 1, versículos 21 a 24). Paulo sabia que precisava continuar neste mundo, pois ainda tinha uma missão a cumprir na obra de Deus, mas, por sua vontade, iria de imediato para junto do Pai. Simples assim.

Quando ficamos mais velhos, quando passamos a esperar menos coisas da vida, pois temos cada vez mais passado e menos futuro, é mais fácil viver essa realidade. E aí as pessoas costumam se aproximar mais de Deus, passando a ficar menos apegadas ao material – é por isso que as pessoas mais velhas são mais religiosas. 

Mesmo tendo dificuldade em viver a verdade que o mais importante é a relação com Deus, você deve manter esse ensinamento presente na sua vida. E sempre procurar olhar para os problemas e as dificuldades da vida aqui na terra levando em conta a perspectiva maior da vida eterna.

E fazer isso certamente vai ajudar você a encontrar a melhor forma de viver seu dia-a-dia nesta terra.

Com carinho

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