O TIPO DE PAI QUE DEUS É

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Os judeus, povo ao qual Jesus pertencia, tinham uma relação forte, mas, de certa forma, também muito distante de Deus. Ele era o foco de toda a adoração e respeito dos judeus, mas também um Ser com o qual as pessoas não se tinha qualquer intimidade. 

Aí algo surpreendente aconteceu: Jesus, durante seu ministério na terra, começou a chamar Deus de “Abba” (no aramaico) – como no início da conhecida oração do “Pai Nosso”. Ora, essa é uma palavra que os judeus usavam para se referir, de forma íntima, aos próprios pais e era surpreendente ver alguém se referindo a Deus assim.

Isso abriu o caminho para que as pessoas se aproximassem de Deus, como deve acontecer com os(as) filhos(as) em relação ao seu pai. E esse foi um desdobramento maravilhoso.

Agora, a ideia de ter um Pai celestial é tão atraente para as pessoas que elas se esquecem os outros aspectos de Deus. Preferem se concentrar na ideia de Deus como Pai e tentam explicar o comportamento d´Ele somente com base nessa abordagem, o que gera uma visão distorcida de Deus. 

Perceber Deus como Pai e usar referencias humanas sobre paternidade certamente nos ajudam a entender como deve ser nosso relacionamento com Ele, mas essa metáfora cobre apenas uma parte da realidade de Deus em nossas vidas. Há mais, muito mais, em Deus, além de Pai e é isso que quero mostrar aqui.

Deus não é Pai de todos
Deus é o Criador de todos(as) e oferece a cada pessoa sua salvação, através de Jesus. Mas a Bíblia é clara em dizer que somente quem aceitou Jesus passa a ser considerado(a) filho(a) de Deus (João capítulo 1, versículos 12 e 13).

Enquanto a pessoa não dá esse passo, permanece apenas sendo criatura de Deus, alguém que ele(a) ama muito, é verdade, mas sem os direitos de filho(a).

E sendo assim, a metáfora de Deus como Pai não se aplica a uma boa parte das pessoas, ou seja aquelas não convertidas ainda. 

Deus tem direitos que pais comuns não têm
Deus criou tudo que existe, do nada, e também estabeleceu leis e regras que toda a humanidade precisa seguir. E nenhum ser humano, seja pai ou não, tem essas mesmas prerrogativas. 

Deus tem direitos que os pais biológicos não detém e isso é fácil de perceber – por exemplo, se eu esperar louvor e adoração dos meus dois filhos, certamente acabarei internado num hospício.

Meus filhos podem até reconhecer o que fiz por eles, quando dependiam inteiramente de mim para seu sustento e educação, mas não me devem louvor e adoração. Pais biológicos, segundo a Bíblia, podem e devem esperar apenas ser honrados pelos(as) filhos(as), nada mais do que isso.

Já Deus tem direito a adoração e louvor, não como Pai, mas sim como criador e sustentador do universo, coisa bem diferente. 

Deus, como criador, também tem direito de vida e morte sobre suas criaturas. Mas, eu não tenho esse mesmo direito sobre meus filhos e seria punido pela sociedade se decidisse tirar a vida de algum deles, mesmo que esse filho tivesse agido muito mal comigo.

Finalmente, Deus merece obediência completa dos sues filhos(as). Nenhum pai biológico imagina isso acontecendo com ele.

Além disso, quando desobedecemos a Deus, por cairmos no pecado, somos passíveis de punição, caso não venhamos a nos arrepender arrependimento sinceramente e nos reconciliar com Deus. E essa punição, no limite extremo – a condenação ao inferno – é permanente e absoluta. Ora, nenhum pai biológico pode fazer isso. 

Em resumo, as obrigações que temos com Deus são muito mais amplas e sérias do que aquelas que filhos(as) biológicos têm com seus pais.

Conclusão
Ver em Deus um Pai é ajuda muito a compreender o amor e a graça d´Ele por nós. Mas, essa comparação não pode ir além de certo ponto, sob pena de distorcer a realidade.

Segundo o que a Bíblia revela, os requisitos da relação de Deus conosco vai muito, mas muito além, de uma simples relação entre pai biológico e filhos(as). A realidade é bem mais complexa que isso.

Com carinho

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