COMO AVALIAR UMA RELAÇÃO AMOROSA

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Como avaliar uma relação amorosa (namoro, noivado ou casamento)? Os livros que tratam desse assunto – e existem muitos deles por aí – são quase unânimes em afirmar que é preciso fazer um levantamento da situação da relação, antes de ver o que precisa ser feito para melhorar as coisas. 

Concordo que isso é mesmo necessário e há muitas formas de fazer isso. Vou propor aqui uma alternativa baseada num texto famoso do apóstolo Paulo (1 Corintios capítulo 13, versículos 1 a 13), que fala de , esperança e amor.

Esse texto é normalmente aplicado à vida espiritual das pessoas, mas o que pouca gente sabe é que ele também é muito útil para analisar as relações amorosas. Se você acompanhar o que digo abaixo vai ver que fé, esperança e amor são os três pilares sobre os quais qualquer relação amorosa saudável se sustenta. 

Mas, antes de entrar nessa discussão, é importante deixar claro que, no contexto da vida espiritual, fé, esperança e amor se referem à relação do ser humano com Deus, enquanto no contexto da relação amorosa, essas três palavras apontam para a relação entre duas pessoas.


A palavra fé, quando se refere a Deus, tem a ver com a confiança que a pessoa deposita n´Ele. Trata-se da certeza que a pessoa tem de que Deus é quem afirmou ser e age da forma como prometeu na Bíblia.

A fé é tão fundamental na vida espiritual de qualquer pessoa que a Bíblia chega a dizer que, sem fé, não é possível agradar a Deus.

O mesmo ocorre dentro da relação amorosa: Sem confiança (fé) mútua não é possível manter uma relação saudável. Sendo assim, qualquer coisa feita por um dos dois que prejudique a confiança mútua é um erro muito sério.

E essa é a razão pela qual o adultério é tão devastador – dificilmente a confiança (fé) da parte traída, em quem cometeu a traição, consegue ser recuperada. A dúvida sempre fica no ar.

Agora, além do adultério, há outras maneiras de casal abalar a confiança mútua dentro do casal. Por exemplo, o hábito de mentir um para o outro.

Muitas vezes essas mentiras parecem não fazer mal – tem gente que até as chama de “mentiras brancas”. Por exemplo, a mulher esconde do marido o que gasta de verdade em roupas ou o marido finge estar trabalhando para poder ir comemorar com os colegas de trabalho depois do expediente.

Já conheci também casais que escondiam um do outro o quanto ganhavam de fato, para preservar sua liberdade de agir. E já vi tanto homens quanto mulheres fazerem isso.

O primeiro problema com o hábito de mentir um para o outro  é que ele se uma forma de fugir da necessidade de enfrentar os problemas. Por exemplo, é mais fácil a esposa mentir do que negociar com o marido um novo orçamento doméstico, onde ela tenha o dinheiro que de fato precisa. Ou é mais fácil para o marido mentir do que negociar com a esposa um dia da semana onde possa curtir com os amigos por algumas horas. 

O segundo problema com o hábito de mentir é que o casal acaba por construir “mundos” independentes. Forma-se uma fissura no relacionamento, inicialmente pequena, que pode ir se alargando aos poucos.

E a confiança começa a ser perdida quando essas mentiras são percebidas – nunca se esqueça que ninguém mente tão bem a ponto de conseguir enganar a outra pessoa sempre. Cedo ou tarde alguma mentira acaba exposta. E a confiança sofre.

E não são somente as mentiras que destroem a confiança dentro do casal. Promessas não cumpridas, por exemplo, também costumam ter impacto muito negativo na relação amorosa. 

O fato é que há muitas relações por aí em que a confiança (fé) mútua acabou ou está seriamente abalada. Relações assim estão adoecidas e fica difícil recuperá-las sem re-estabelecer a confiança.

Esperança
Quando as pessoas constroem uma relação, elas costumam depositar esperanças um no outro. Têm esperança de que a outra pessoa a ajude a ser feliz, a conseguir atingir a segurança financeira, a constituir uma boa família e assim por diante.

Esse tipo de esperança é fundamental para que o casal se mantenha comprometido com a relação. E enquanto houver esperança, haverá vontade de lutar e forças para enfrentar as dificuldades. 

Infelizmente, o casal pode agir no sentido de tirar a esperança um do outro até sem perceber. Por exemplo, quando um dos dois sempre culpa o outro pelos problemas e nunca consegue perceber os próprios erros, ou não colabora o suficiente para resolver os problemas da relação, ou ainda promete fazer uma coisa importante e não faz. 

Quando a esperança acaba, vai embora a vontade de lutar e a relação vai definhando, definhando e acaba morrendo. Ou permanece de pé, mas torna-se um “zumbi” – permanece apenas pela força do hábito ou até pela vergonha de assumir o fracasso. 

É importante que o casal lute para preservar a esperança na própria relação. Para que os planos comuns não morram. Para preservar a vontade de lutar em conjunto.

Amor 
O amor que une um casal pode envolver até três aspectos diferentes – como se fosse três tipos de amor. O primeiro deles é a paixão. Essa é a parte mais instintiva do amor e nela há um forte componente de natureza sexual. 

Normalmente é a paixão que aparece primeiro e aproxima o casal. É também a paixão que facilita a reconciliação quando aparecem as primeiras crises de relacionamento – a vontade de estar junto faz com que as partes passem por cima dos sentimentos ruins.

O problema com a paixão é que ela vai diminuindo quando a rotina se instala e/ou a idade chega. Portanto, ela não pode ser a única “cola” que mantem um casal junto. É preciso mais. 

É aí que entra o segundo tipo de amor: o  companheirismo. A parceria que o casal forma para dividir experiências e fornecer apoio mútuo nos momentos de dificuldade.

O companheirismo não diminui com o tempo, muito pelo contrário. Mas não nasce rapidamente, como a paixão. Precisa de tempo para amadurecer. 

Mas, esse segundo tipo de “cola” fica cada vez mais forte, com a passagem do tempo, o que ajuda a manter o casal junto quando a paixão diminui.

Um casal que não se torna companheiro, não gosta de passar tempo junto e/ou não tem interesses comuns, mantem um relacionamento com estrutura frágil. 

Finalmente, existe ainda outro tipo de amor: Aquele baseado no amor que Deus tem pelo ser humano. É aí que se insere sentimentos como compaixão e misericórdia.

O apóstolo Paulo descreveu esse tipo de amor no texto que já citei acima (ver versículos 4 a 7) lembrando que ele é paciente, não tem ciúmes, não espera retribuição, etc. 

A paixão e o companheirismo são tipos de amor que esperam retribuição. Já esse terceiro tipo de amor é unilateral – não espera nada em troca. 

E é aqui que se apoia o perdão sincero, é promovida a cura das feridas emocionais e onde a pessoa encontra motivação fazer mudanças interiores, visando superar suas próprias falhas, como vícios ou outras hábitos ruins.

Agora, esse terceiro tipo de amor cresce à media que a pessoa se desenvolve espiritualmente, pois ele é resultado da ação do Espírito Santo na vida dela. Não é fruto da relação amorosa em si.

Em outras palavras, quem é desenvolvido espiritualmente, acaba sendo um melhor parceiro(a) numa relação amorosa. Simples assim. 

Palavras finais
Se você quiser saber como anda sua relação amorosa, analise esses três aspectos: fé (confiança), esperança e amor (nas suas três diferentes modalidades). 

Leve os comentários que fiz acima e veja onde os problemas estão. E assim ficará mais fácil saber o que precisa ser feito para melhorar a relação.

Com carinho

1 Comentário


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    Anônimo

    Amem! Texto maravilhoso. Camila

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