AS PROFISSÕES DE JESUS

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Jesus teve duas profissões, segundo o relato dos Evangelhos: carpinteiro e rabino. Exerceu a primeira delas da pré-adolescência (por volta dos doze anos) até cerca de 30 anos e a segunda nos três últimos anos de sua vida.

A palavra “carpinteiro” (“tekton” no grego) é entendida hoje em dia de maneira um pouco diferente do tempo de Jesus. Hoje em dia, é chamado assim quem trabalha com madeira e constrói coisas maior parte, como telhados ou andaimes (trabalhos em madeira de menor porte, como móveis e objetos em geral são atribuídos ao “marceneiro”).

Um “tekton”, no tempo de Jesus, era um trabalhador que construía ou fabricava coisas, usando diversos materiais – além de madeira, também metais ou tijolos.  Era uma espécie de “faz tudo”.

Naquela época, era comum que o pai treinasse pelo menos seu filho mais velho na mesma profissão que já exercia. E esse filho frequentemente herdava as ferramentas do pai (seus bens mais preciosos) e sua clientela. E certamente foi isso que aconteceu com Jesus: Ele seguiu a profissão de José, seu pai adotivo (Mateus capítulo 13, versículo 55).

Jesus trabalhou em Nazaré (pequeno vilarejo onde viveu quase toda a vida) e também em Séforis (situada a cerca de 5 km de Nazaré), cidade que estava em reconstrução naquela época, pois tinha sido destruída pelos romanos por causa de uma revolta. Em Séforis, um tekton, como Jesus, certamente encontrou muito trabalho e conseguiu ganhar algum dinheiro. 

Por volta dos seus trinta anos, Jesus mudou de profissão, atendendo o chamado de Deus: Aí tornou-se um rabino que viajava de local em local (itinerante).

Rabino, naquela época, não era uma profissão igual à de hoje em dia. Atualmente, um rabino é um sacerdote do judaísmo – assim como um pastor é o sacerdote de uma igreja evangélica e, para serem ordenados, precisam estudar muitos anos, em seminários e serem consagrados.

Nos tempos de Jesus, um rabino era simplesmente alguém conhecedor verdadeiro da Palavra de Deus (Bíblia Hebraica ou Velho Testamento) e que se dispusesse a ensiná-la a um grupo de discípulos. Portanto, o rabino não precisava ter tido estudo formal e receber ordenação. Ou seja, não era um sacerdote propriamente dito – naquele tempo, só podiam ser sacerdotes descendentes de algumas famílias da tribo de Levi, o que não era o caso de Jesus.

Alguns poucos rabinos tinham escolas formais, como Gamaliel, que ensinou o apóstolo Paulo (Atos capítulo 22, versículo 3). Mas, a maioria deles, dentre os quais Jesus, atuava de maneira completamente informal.

Os rabinos itinerantes andavam de lugar em lugar e ensinavam onde era possível – casas particulares, praças, descampados, etc. Foi exatamente assim que Jesus atuou. 

Os rabinos eram altamente respeitados pela sociedade daquela época e o povo lhes garantia sustento – comida, abrigo e o que mais fosse necessário. Essa prática ficou evidente quando Jesus mandou 72 discípulos às povoações de Israel e lhes disse (Lucas capítulo 10, versículos de 1 a 12): 

Não leveis bolsa, nem alforje, nem sandálias… Ao entrardes numa casa, dizei antes de tudo: Paz seja nesta casa… Permaneceis na mesma casa, comendo e bebendo do que eles tiverem; porque é digno o trabalhador do seu salário…”

Portanto, o sustento que o rabino recebia das pessoas com quem tinha contato era o justo “salário” pela sua profissão. E toda a sociedade judaica pensava como Jesus. 

Cada rabino tinha seu grupo de discípulos, que o seguia por onde andasse. Os ensinamentos para os discípulos não eram passados em aulas formais e sim através de comentários levantados pelos fatos da vida.

Por exemplo, quando Jesus viu um homem rico doar uma grande quantia e uma viúva pobre doar umas poucas moedas para o Templo de Jerusalém, comentou que a viúva doara muito mais, porque tinha dado tudo que tinha (lucas capítulo 21, versículos 1 a 4). De um fato simples, que viu no dia a dia, Jesus construiu um grande ensinamento para seus discípulos (generosidade para com a obra de Deus).

Jesus montou seu grupo de discípulos quando escolheu doze homens (os apóstolos) para seguirem-no e conviverem com Ele. Chamou-os para serem “pescadores de homens”. Foram esses apóstolos (menos o traidor, Judas) que formaram o núcleo inicial da igreja cristã. 

Como ensinavam pelo exemplo, todo mundo esperava dos rabinos um comportamento moral exemplar, o que envolvia diversos requisitos, conforme os costumes daquela época. Dentre essas exigências estava a de fugir de qualquer contato com pecadores (prostitutas, coletores de impostos, adúlteras, etc), para não se contaminar. Esse tipo de comportamento foi cobrado de Jesus, por diversas vezes, como, por exemplo, em Mateus capítulo 9, versículos 10 a 13:

“… Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores? Mas Jesus ouvindo, disse: Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes.”  

Os rabinos também costumavam criar parábolas – pequenas estórias que levavam a algum ensinamento teológico importante. E Jesus também fez isso e com grande maestria. Ele chegou a responder perguntas difíceis usando parábolas.

Por exemplo, quando lhe perguntaram quem era o “próximo” da pessoa, fazendo referência ao mandamento para “amar o próximo como a si mesmo“, Jesus respondeu contando a parábola do bom samaritano (Lucas capítulo 10, versículos 25 a 37).

Ele recorreu muitas vezes ao recurso das parábolas – os quatro Evangelhos listam dezenas delas, como a do semeador, a do filho pródigo, a do bom samaritano, a do bom pastor, a da festa onde os convidados não aparecerem, a do rico e do Lázaro, dentre outras. 

Portanto, Jesus foi um típico rabino judeu do primeiro século da nossa era. E assim Ele foi encarado pelos seus contemporâneos, tanto é verdade que foi chamado de “rabi” (rabino) inúmeras vezes, conforme os relatos dos quatro evangelhos.

Carpinteiro (tipo “faz tudo”) e rabino itinerante, essas foram as profissões terrenas de Jesus ao longo dos seus trinta e poucos anos de vida.

Com carinho

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