OS SETE PECADOS CAPITAIS

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Você já deve ter ouvido falar sobre os sete pecados capitais. Trata-se de uma lista dos pecados considerados por muita gente os mais sérios e por isso são chamados “capitais”: luxúria, gula, avareza, ira, soberba, vaidade e preguiça.

Essa lista foi desenvolvida mais de mil anos atrás e até hoje é fundamental na teologia da igreja católica. Os evangélicos têm uma posição um pouco diferente pois, na sua maioria, consideram que todos os pecados são igualmente tóxicos, variando apenas as consequências geradas por eles, que podem ser maiores ou menores. Dentro dessa concepção, os pecados capitais seriam, no máximo, aqueles com maior capacidade de causar estrago. 

Em 2008, a igreja Católica gerou uma lista adicional de pecados capitais, para passar a levar em conta as questões da vida moderna. Nessa segunda lista constam experimentos biológicos (como aqueles com células tronco), uso de drogas, poluição do meio ambiente, riqueza excessiva, geração de pobreza e violações bioéticas (como o controle da natalidade). 

Não gosto muito dessa nova lista pois alguns dos seus itens, como o controle da natalidade, a meu ver, nem pecados são. Portanto, prefiro a lista tradicional que, sem dúvida, trata de pecados com grande poder destruidor – são a fonte de boa parte do mal que acontece no mundo. Aí vai, então, um estudo mais detalhado do significado dos sete pecados ditos capitais:  

Luxúria 
Definida como a valorização excessiva dos prazeres relacionados com a sexualidade. A luxúria costuma causar uma enorme série de problemas como a disseminação da pornografia, a promiscuidade sexual, a proliferação de doenças sexualmente transmissíveis e assim por diante.

O problema com a luxúria é que ela distorce a sexualidade humana: Deus criou o sexo para ser a forma de relacionamento mais profunda e bela entre um homem e uma mulher e a luxuria muda totalmente essa perspectiva. 

Esse problema está assumindo contornos de epidemia, especialmente por causa da facilidade com que a pornografia pode ser encontrada na Internet, como também pela excessiva liberdade que a grande mídia tem para divulgar qualquer tipo de conteúdo (basta ver o programa Big Brother Brasil para saber do que estou falando). Está cada vez mais difícil combater a luxúria.

Gula 
É o ato comer apenas por prazer, mesmo quando não há qualquer necessidade física. Na época do Império Romano, a gula assumiu grandes proporções e muitas pessoas passavam o dia em banquetes – comiam, provocavam o vômito e voltavam a comer. 

A gula voltou a se tornar mais importante nas últimas décadas, pois a fartura de alimentos e o abuso de alimentos pouco saudáveis (como frituras, doces e refrigerantes) gerou uma verdadeira epidemia de obesidade em alguns países – nos Estados Unidos, por exemplo, cerca de um terço da população é obesa e outro terço está cima do peso ideal. Os indicadores brasileiros apontam que estamos seguindo por um caminho bem parecido.

E por causa do maior número de pessoas obesas, diversas doenças, como a diabete tipo II, tornaram-se bem mais comuns.

Recentemente, as partes mais esclarecidas da sociedade tem procurado reagir, fazendo apelos para as pessoas buscarem alimentos mais saudáveis, comerem menos e se exercitarem mais. Mas os efeitos disso ainda são bastante limitados e a gula continua uma questão muito séria.

Avareza 
Trata-se do desejo incontido de adquirir riqueza, conjugado com o apego excessivo a ela. Esse pecado gera insensibilidade crescente da pessoa em relação às necessidades dos demais seres humanos. Afinal, para os(as) avarentos(as), tudo é válido desde que gere mais riqueza e/ou garanta a proteção daquilo que já se acumulou. 

Esse pecado está na raiz de boa parte das injustiças sociais como a exploração dos mais fracos, a depredação do meio ambiente, a corrupção de governos e assim por diante. E está disseminado tanto nos países mais desenvolvidos, como nos mais pobres.

Ira 
Trata-se da raiva sem controle, normalmente aliada à vontade de vingança. É como se houvesse um “veneno” contaminando a pessoa, que vai de crise em crise.  

Durante os episódios de ira, a pessoa como que perde consciência e controle dos seus atos. E aí acontecem agressões a terceiros, tanto físicas, como morais. E normalmente são os mais próximos – como a família – que sofrem as consequências.

Agora, a ira também causa dano à própria pessoa. Quando a crise passa e a pessoa é confrontada com o que fez, ela passa a sentir um enorme sentimento de culpa. E frequentemente promete a si mesma. e aos outros. que não vai fazer mais aquilo, que vai se controlar. Mas, esse auto-controle costuma estar além das forças da própria pessoa e o processo se repete. A próxima crise vem, sendo somente uma questão de tempo. 

Soberba 
É a manifestação de orgulho e arrogância. Ela nasce no sentimento de superioridade que algumas pessoas em posição privilegiada costumam ter em relação às demais pessoas.

Alguns anos atrás, um grupo de pessoas ricas participava de uma festa no famoso hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro. Alguns manifestantes juntaram-se na porta do hotel para protestar contra um dos participantes da festa, tido como político corrupto.

O ato acabou se tornando uma terrível expressão de soberba: os que estavam no hotel atiravam coisas nos manifestantes e os xingavam de pobres, vagabundos, etc. Um horror.

A soberba é um dos pecados que mais gera divisões na sociedade, voltando as pessoas umas contra as outras. Sua superação é difícil, pois exige da pessoa soberba uma completa reformulação dos seus valores. Frequentemente nem o sofrimento consegue fazer isso. 

Vaidade 
Trata-se da preocupação excessiva com a própria imagem. Para o(a) vaidoso(a), só importa a própria imagem e a admiração e/ou a inveja que causa nos outros. É como se a pessoa se tornasse o “deus(a)” dela mesma.

E qualquer ato passa a ser válido para alimentar a própria vaidade: Algumas pessoas abusam do próprio corpo, através de exercícios excessivos, plásticas de toda a sorte e assim por diante. Outras usam de toda sorte de expediente para se manterem em evidencia, o que inclui traições, mentiras, difamação dos concorrentes e assim por diante.

Preguiça 
Trata-se da negligência ou da falta de vontade de fazer aquilo que é importante ou necessário, incluindo trabalho, tarefas domésticas, etc. 

A pessoa vai adiando indefinidamente aquilo que precisa ser feito, dando para si mesma, e para os outros, desculpas esfarrapadas: “ainda tenho tempo e não é preciso me apressar“, “minha prioridades são outras”, “estava ocupado com outras coisas” e assim por diante.

A inércia diante das necessidades da vida evidentemente gera consequências ruins. Por exemplo, coisas importantes acabam não sendo feitas ou são realizadas na última hora, de qualquer forma. E desculpas mentirosas precisam ser apresentadas para justificar o que não feito ou foi mal feito. Como como acaba sendo preciso encontrar “bodes expiatórios” para assumir as consequências negativas desses erros.

Esse é um mal do qual a sociedade brasileira padece muito. Basta ver como as pessoas deixam coisas importantes – como a entrega do Imposto de Renda ou a elaboração de um trabalho escolar – para a última hora. Isso é quase como um vício entre nós.

Palavras finais
Acredito que todo mundo já cometeu e ainda comete, em maior ou menor escala, um ou mais desses pecados. Afinal, os sete pecados capitais como que fazem parte inerente à própria natureza humana. 

Na minha experiência, somente a mudança do interior da pessoa, gerada pela conversão a Jesus, seguida de discipulado cristão intenso, pode fazer uma pessoa abandonar esse tipo de pecado. Muitas vezes ainda é preciso que a pessoa passe também por um bom processo de terapia, pois questões emocionais costumam atrapalhar muito. 

Com carinho  

4 Comentários


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    Rafaela Amorim Caldas

    Boa tarde!!!

    Sexo oral pode ser considerada luxúria??? E usar brinquedos??? Grata!!!


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      Vinicius Moura

      Minha cara

      Antes de tudo, vou relembrar o que falei no texto sobre luxúria: trata-se da valorização excessiva dos prazeres relacionados com a sexualidade. Ou seja, esse conceito não trata de qualquer prática sexual em si e sim qual a importância que o sexo tem para a pessoa. Se for excessiva, se passar a dominar a vida dela, aí estamos no campo da luxúria e existe um problema.

      Agora, você perguntou sobre práticas sexuais específicas. Aí a discussão está em outro campo. A pergunta é: o que é lícito ou não fazer no sexo? Evidentemente, não há como discutir aqui cada prática, mas posso apontar uma regra geral: em princípio, tudo aquilo que é feito com o consentimento de ambos, é válido.

      Entretanto, é preciso tomar muito cuidado com o significado de “consentimento”. Muitas vezes um dos dois – mais comumente a mulher, numa sociedade machista como a nossa – concorda com o que o outro propõe para não desagradar e/ou correr o risco de perder o(a) parceiro(a). Aí é um consentimento fictício, forçado, que acaba tendo consequências ruins. O consentimento de que falei precisa ser verdadeiro, sincero.

      Acho que com essas informações você já tem condições de tirar suas próprias conclusões.

      Espero ter ajudado


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    Vinicius Moura

    Caro Cel Rech

    Obrigado pelas suas palavras.

    Tenho um outro artigo, que saiu hoje, em que revisito o mesmo tema falando sobre os Setes Pecados Capitais na visão do Mahatma Ghandi, que entendo ser bem apropriado para os dias de hoje, quando nos sentimos chocado com a falta de ética na sociedade brasileira.

    O tema "Sete Pecados da Igreja Evangélica" é extremamente interessante e oportuno, pois infelizmente estamos vivendo coisas terríveis em nosso meio. Gostaria de receber uma referencia sobre seu texto, quando eles for tornado público.

    E volte sempre aqui, quando puder.

    Abs
    Vinicius


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    Paul Rech

    Olá Vinícius;
    Gostei do seu artigo sobre o Desafio de ser Cristão.
    Estou pesquizando o assunto dos Sete pecados Capitais para escrever um artigo justamente sobre os sete pecados capitasis da Igreja Evangélica nos dias de hoje.
    Abraços na paz de Cristo que nos une e que quebra todas as barreiras.
    Ten. Cel. Paul Rech
    Comandante da Capelania da Patrulha Aérea Civil do Brasil e Presidente Global da International Chaplains Association.

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