DESEMPREGADOS RECUSAM EMPREGO POR MACHISMO

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Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus. Gálatas capítulo 3, versículo 28

Será que um homem desempregado deixaria de aceitar um emprego por causa do machismo? Por pensar que o posto de trabalho que lhe foi oferecido é “coisa para mulher”? Parece absurdo imaginar que isso possa acontecer mas o pior é que vem acontecendo…

E esse problema se manifestou em meio a uma população essencialmente cristã. Pessoas que sabem – ou deveriam saber – que a Bíblia é contrária a toda forma de discriminação, incluindo o machismo.

O versículo acima é um excelente exemplo dessa posição bíblica: o apóstolo Paulo afirmou que todos(as) somos iguais em Cristo Jesus, não importa as diferenças de etnia (significado da expressão “não há judeu e nem grego“) ou de sexo (significado de “não há… homem nem mulher“). Todos somos iguais aos olhos de Deus.

Vou explicar melhor o caso ao qual estou me referindo. Estudos recentes feitos nos Estados Unidos (segundo reportagem publicada no jornal New York Times, em 04/01/2017) mostraram o impacto do machismo no preenchimento de postos de trabalho naquele país.

Está ocorrendo nos Estados Unidos, assim com em outros países do chamado Primeiro Mundo, uma grande mudança no mercado de trabalho, com a redução radical dos empregos industriais de qualificação mais baixa. Isso porque boa parte desses empregos ou vem desaparecendo, por causa da automação (uso de robôs), ou está sendo exportado para países pobres (onde os salários são mais baixos). 

Dados do Bureau of Labor Statistics, que analisa a evolução do mercado de trabalho nos Estados Unidos, indicaram que certos empregos menos qualificados em fábricas de automóveis (p. ex. operadores de ferramentas ou técnicos de instalação de sistemas) vão diminuir entre 50% e 70% na década 2014 a 2024.

A recente eleição do empresário Donald Trump para Presidente americano foi em parte conseguida com apelos populistas dirigidos exatamente para esse segmento do operariado, prometendo resgatar o passado de empregos fartos e bem remunerados na indústria americana. Na verdade, Trump prometeu aquilo que não vai poder entregar pois esses empregos estão simplesmente deixando de existir.

Por outro lado, no mesmo período de dez anos citado acima, surgirão muitos outros postos de trabalho em outros segmentos da economia americana, como na produção de energia limpa e, principalmente, na área de cuidados da saúde. Com o envelhecimento acelerado da população, o número de postos de trabalho para profissões como terapeuta ocupacional e terapeuta físico vai crescer cerca de 50% em média.

O problema que a sociedade americana enfrenta hoje é que a maior parte dos operários americanos com baixa qualificação e desempregados se recusa a migrar para os setores da economia onde os empregos  existem hoje, especialmente na área de cuidados com a saúde.

E a principal razão para isso, conforme as pesquisas mostraram, é o machismo. Isso porque Os empregos no setor de cuidados com a saúde têm sido tradicionalmente ocupados por mulheres. E as profissões nesse segmento da economia são vistas por muita gente como “coisa de mulher”, fazendo com que muitos homens se sintam diminuídos a preencher esses empregos, preferindo continuar como estão, desempregados.

Esses homens preferem votar num populista, como Donald Trump, buscando reviver um passado que não vai voltar, do que tomar as medidas que realmente iriam melhorar suas vidas, mudando de profissão. E isso demonstra o poder do machismo.

Se esses homens agem assim em relação à sua fonte de sustento, coisa fundamental para suas vidas e de suas famílias, como você acha que devem agir com suas mulheres e filhas, nas suas próprias casas?

E repito, a população à qual estou me referindo é essencialmente cristã e bastante devota. Deveriam saber que machismo, assim como qualquer discriminação, é muito errado aos olhos de Deus.

Infelizmente, a dura realidade é que mesmo entre cristãos(âs), as discriminações persistem. Conheci igrejas que não queriam ter pessoas pobres em seus bancos. Já soube de casos em que homens, ditos cristãos, agrediam periodicamente suas mulheres, além de oprimi-las de todas as formas. Já encontrei também racismo disfarçado.

Precisamos aprender a viver mais aquilo que a Bíblia ensina. Precisamos abolir todo tipo de discriminação em nosso meio, até para podermos verdadeiramente ser exemplo para a sociedade onde vivemos. Para podermos ser “sal da terra” e “luz para o mundo”, como Jesus nos ensinou. 

Com carinho

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