ESCRIBAS E FARISEUS: O QUE ELES TINHAM CONTRA JESUS?

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Os quatro Evangelhos trazem inúmeras referencias a discussões teológicas ocorridas entre “escribas e fariseus” e Jesus. Os relatos apontam que normalmente essas pessoas faziam perguntas com “pegadinhas” para ver se Jesus “escorregava”, dando margem a ser acusado de heresia.

Embora os escribas sejam quase sempre mencionados nos Evangelhos junto com os fariseus (p. ex. Mateus capítulo 5, versículo 20; capítulo 12, versículo 38; Lucas capítulo 5, versículos 21 e 30), eram dois grupos diferentes de pessoas – nem todo escriba era fariseu ou vice versa.

Mas quem eram essas pessoas? Por que aparecem tantas vezes referenciados juntos? Qual a razão dos inúmeros choques teológicos que tiveram com Jesus?

Os “escribas” eram os especialistas na interpretação da Lei Mosaica – o conjunto de mandamentos que Deus deu a Moisés, registrados nos livros do Êxodo, Levítico e Deuteronômio. Por isso mesmo, em algumas passagens dos Evangelhos – p. ex. Lucas capítulo 7, versículo 30 – os escribas também foram chamados “doutores da lei”. Cabia ainda aos escribas copiar os rolos contendo os textos da Bíblia Hebraica (Velho Testamento), já que naquela época não havia imprensa. 

O grupo de escribas, com essas funções, surgiu no tempo do exílio de Israel na Babilônia, no século VI Antes de Cristo. Antes dos escribas assumirem esse papel, suas tarefas cabiam aos sacerdotes. Mas durante o exílio, como a classe sacerdotal entrou em declínio, surgiu um vazio, pois era preciso ter pessoas para ensinar e interpretar os mandamentos, bem como fazer cópia dos livros da Bíblia. Aí surgiram os escribas.

Quando parte do povo de Israel retornou à Palestina, conforme o relato dos livros de Esdras e Neemias, os escribas já estavam em evidência. Tanto assim, que Esdras, um dos líderes do movimento de retorno, era escriba (capítulo 7, versículos 6, 11 e 21). No livro de Neemias (capítulo 8, versículos 1 a 8), Esdras aparece ensinando a Lei para o povo de Israel.

Ao longo do tempo, os escribas começaram a ser corrompidos pela ganância e/ou pela vaidade (já que ocupavam posição muita importante na sociedade judaica).

Com o tempo, os escribas passaram a dar mais importância às próprias interpretações dos mandamentos de Deus do que ao texto das Escrituras. E algumas dessas interpretações chegavam às raias do ridículo – por exemplo, no que tange ao cumprimento do sábado, tornou-se proibido até pentear os cabelos ou curar doentes.

E isso explica porque os escribas entraram em choque com Jesus. Nosso Salvador falava com autoridade e não admitia esse tipo de postura legalista, que impunha peso indevido ao povo judeu. 

Os fariseus eram um grupo bem maior do que os escribas. Eram como se fossem os judeus ortodoxos do tempo de Jesus – a palavra “fariseu” quer dizer “separado”, caracterizando bem essa condição. Embora muito importantes e numerosos, os fariseus não tinham pretensões políticas, portanto, não disputaram o poder com os principais sacerdotes.

Os fariseus acreditavam na imortalidade da alma, na ressurreição do corpo, em anjos, em demônios e em todos os demais aspectos do mundo espiritual. E sendo assim, em vários aspectos sua doutrina era relativamente próxima de Jesus. Mas havia um aspecto que os colocava em posição antagônica a Jesus.

Ocorre que os fariseus, como seguidores estritos da Lei Mosaica se consideravam melhores que todos os demais judeus – a parábola que Jesus contou em que um fariseu olha com desprezo para um cobrador de impostos reflete bem essa circunstância (Lucas capítulo 18, versículos 9 a 14).

Essa arrogância, bem como sua preocupação excessiva com as aparências, levou-os à hipocrisia e foram muito criticados por Jesus por causa disso (Mateus capítulo 23, versículos 13 a 15). E vem daí a má vontade que os fariseus tinham com Jesus.

Acho que agora ficou claro porque os Evangelhos tratam quase sempre “escribas e fariseus” como se fossem uma coisa só: eles tinham em comum a arrogância, o legalismo e a hipocrisia. Escribas e fariseus defendiam uma religião que entrava em choque com a concepção de Jesus. E eles se sentiram ameaçados por aquilo que Jesus ensinou, daí sua má vontade com Jesus. Simples assim.

Com carinho 

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