A VIDA DOS PRIMEIROS CRISTÃOS ERA MUITO DIFÍCIL

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Outro dia estava conversando com um amigo sobre as exigências desse período de final de ano, que costuma gerar muitos compromissos: festas de confraternização às quais não podemos faltar, idas a shoppings lotados para comprar presentes de Natal, viagens para passar as festas com a família e assim por diante.

Mas a gente reclama de “barriga cheia”, quando comparamos nossa vida com aquela que os primeiros(as) cristãos(ãs) levaram. A vida daquela gente sim é que foi difícil. E basta alguns exemplos para demonstrar isso.

Jesus nasceu numa estrebaria porque não havia lugar para abrigar sua família na pequena cidade de Belém, que estava lotada de viajantes. Imagine a sujeira, o cheiro ruim e o desconforto que Maria precisou aguentar para dar à luz naquelas condições tão precárias – a gente tende a esquecer disso quando vê os lindos presépios usados nas decorações de Natal.

As pessoas precisavam andar longas distâncias a pé para se deslocar. E não podemos nos esquecer que o ministério de Jesus e dos apóstolos foi itinerante e, portanto, eles precisaram viajar com frequência.

Para ir de Nazaré (onde Jesus foi criado) a Jerusalém (onde ficava o Templo) era necessário caminhar cerca de 130 km – vários dias de viagem.

Quando ia a Jerusalém, Jesus ficava hospedado na casa de Marta, Maria e Lázaro, em Betânia, que ficava a cerca de 7 km fora da capital. Todos os dias Jesus e os apóstolos faziam o trajeto entre Jerusalém e Betânia, já que passavam o dia na capital e voltavam para dormir na casa dos amigos. Eram 14 km, fora o que andavam em Jerusalém. Só de pensar nisso eu já fico cansado!

Jesus e os apóstolos tinham pouco dinheiro e como não podiam trabalhar, pois viajavam constantemente, pregando o Evangelho, dependiam da ajuda das pessoas que encontravam pelo caminho ou da boa vontade de seguidores(as), que lhes faziam doações.

Ora, quem vive assim não pode ser muito exigente: precisa aprender a aceitar a ajuda que recebe. A pessoa não pode ter comida preferida, pois precisa comer aquilo que colocam na sua frente e ainda se sentir satisfeito. Não pode também escolher sua roupa, pois vai ter que usar aquilo que lhe derem. E assim por diante.

Nas suas viagens, para cá e lá, os primeiros(as) cristãos(ãs) frequentemente não tinham onde passar a noite, pois hospedarias eram escassas e caras (para o poder aquisitivo dessas pessoas). Aí era preciso dormir ao relento ou na melhor hipótese numa caverna. 

Essas viagens eram perigosas já que as estradas passavam por locais desabitados e malfeitores aproveitavam-se da vulnerabilidade dos viajantes – a parábola do bom samaritano, onde Jesus falou de um homem caído à beira da estrada, depois de atacado por malfeitores, na estrada que ia de Jericó a Jerusalém, reflete exatamente essa situação.

E não podemos esquecer as perseguições que começaram pouco anos depois da morte de Jesus. Aí, a todo o desconforto que acabei de descrever, juntou-se o perigo constante. As pessoas nunca sabiam se iriam ser presas e torturadas simplesmente por professarem fé em Jesus. 

Eu podia falar muito mais, mas acho que você já conseguiu formar uma boa ideia de como as coisas eram difíceis para os(as) primeiros(as) cristãos(ãs). E ainda assim essas pessoas não desanimaram. Não desistiram. Mantiveram-se firmes e fizeram aquilo que Deus esperava delas.

Esse é um grande ensinamento para gente, como eu, que reclama de um simples período de final de ano cheio de compromissos.

Com carinho 

 
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Vinicius Moura

Nasci em 1951. Já estou entrando naquela idade em que as pessoas não mais buscam aventuras, mas, de certa forma, este blog é uma aventura para mim, pois não sei bem o que esperar dele. Sou evangélico desde o nascimento. Sou também autodidata e venho me dedicando a esse tipo de estudo há mais de 20 anos. Tenho a oferecer, no papel de mediador deste blog, a experiência que acumulei ao longo de todos esses anos. Quero mostrar para as pessoas um cristianismo que liberta o ser humano – do pecado, das ansiedades, da falta de sentido, etc – e não uma religião dogmática, que aprisiona, pela imposição de um monte de regras e através da culpa.

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