O PRIMEIRO CREDO CRISTÃO

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Creio em Deus Pai Todo-poderoso, o Criador dos Céus e da terra. E em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, que foi concebido pelo Espírito Santo. Nasceu da virgem Maria, padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado. Ao terceiro dia ressuscitou dentre os mortos. Subiu ao céu e está assentado a direita de Deus Pai, Todo-poderoso, de onde virá para julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo, na santa Igreja de Cristo, na comunhão dos santos, no perdão dos pecados, na ressurreição do corpo e na vida eterna. Credo apostólico

Credo é uma declaração da fé que a pessoa professa. É um resumo daquilo que ela acredita e procura viver.

O “Credo Apostólico” é a declaração de fé da Igreja Cristã. A versão apresentada acima é a aceita pelas igrejas evangélicas, de uma forma geral. A versão aceita pela Igreja Católica é muito parecida, sendo a principal diferença a troca da expressão “Igreja de Cristo” por “Igreja Católica”, por razões óbvias. 

A necessidade de contar com um Credo decorreu da tentativa da liderança cristã de proteger a doutrina “verdadeira”, ou seja aquela que todo(a) cristão(ã) deve seguir. E isso aconteceu por causa das inúmeras heresias – doutrinas estranhas – que começaram a florescer no meio da Igreja Cristã ao longo da sua história. 

A partir da adoção de um “credo”, de um resumo da doutrina “verdadeira”, tornou-se mais fácil apontar aquilo que é uma heresia – trata-se da doutrina que não está contida ou entra em choque com o “Credo Apostólico”.

A palavra “credo” vem da expressão que dá início ao “Credo Apostólico”, na versão em latim,: “Credo in Deum Patrem”. Portanto, “credo” significa apenas “creio”, ou ainda melhor “aquilo que eu creio”.

O conceito de “credo” é anterior ao cristianismo. O judaísmo tem o seu “credo”, chamado “Shema”, declaração que todo judeu praticante repete várias vezes por dia:

Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças. E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração. Deuteronômio capítulo 6, versículos 4 a 6

Diz a tradição que o “Credo Apostólico” foi concebido pelos apóstolos no dia anterior à sua partida para cumprir a missão que Jesus lhes dera: pregar o Evangelho para todas as nações. Eles teriam se colocado em comum acordo quanto a qual deveria ser o conteúdo teológico da sua pregação. 

Na verdade, provavelmente não foi assim que as coisas aconteceram. Provavelmente, essa declaração se desenvolveu ao longo de algum tempo, sendo refinada aos poucos. De qualquer forma, sabemos que o “Credo Apostólico” é muito antigo, sendo citado, pelo menos parcialmente, em escritos datado de apenas um século depois da morte e ressurreição de Jesus.

Agora, há na Bíblia indícios de pelo menos uma declaração de fé ainda mais antiga que o “Credo Apostólico”, citado numa passagem escrita por Paulo:

Pois o que primeiramente lhes transmiti foi o que recebi: “que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras. Foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e apareceu a Pedro e depois aos Doze. Depois disso apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, a maioria dos quais ainda vive, embora alguns já tenham adormecido. Depois apareceu a Tiago e, então, a todos os apóstolos.” 1 Coríntios capítulo 15, versículos 3 a 7 

Paulo escreveu esse texto no ano 55 da nossa era onde se referiu a uma visita anterior que fez a Corinto, onde já pregou a mesma mensagem. Na verdade, é possível traçar essa versão inicial de “Credo” a poucos meses depois da morte de Jesus (veja mais).

Sabemos que se trata de um “credo” porque o texto no grego foi claramente concebido para facilitar a memorização, coisa fundamental para uma declaração de fé – praticamente todos os estudiosos da Bíblia concordam com essa tese. 

Repare, que no primeiro credo as informações são muito mais resumidas que no “Credo Apostólico”. O primeiro credo se limita a dizer Jesus morreu pelos nossos pecados, conforme previsto no Velho Testamento (as Escrituras no tempo de Paulo). Ressuscitou ao terceiro dia, também conforme previsto nas Escrituras, e isso foi testemunhado por muita gente. 

O primeiro credo não fala sobre como Jesus morreu, sua concepção por ação do Espírito Santo, sua volta no final dos tempos e algumas outras coisas contidas no “Credo Apostólico”. Esse conteúdo adicional não está errado – creio firmemente em todas essas doutrinas. Mas é preciso entender que o conteúdo adicionado à declaração da fé cristã foi fruto de reflexões teológicas posteriores – obtemos essas informações dos quatro Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João) e do livro do Apocalipse, todos escritos em data posterior à carta de 1 Corintios.  

Isso prova com clareza que o credo sofreu alterações, buscando explicar melhor qual é o conteúdo teológico correto da fé cristã. O próprio “Credo Apostólico” foi expandido, dando origem a outras versões da declaração da fé cristã, como o “Credo de Niceia”.

Mas o “Credo Apostólico” permanece sendo a declaração de fé cristã mais reconhecida e adotada. Sendo assim, incentivo você a ler esse pequeno texto com calma e, se possível, memorizar seu conteúdo. Pode ter certeza que isso será muito útil na sua caminhada cristã. 

Com carinho