É PECADO SER FIADOR DE OUTRA PESSOA?

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Será que a Bíblia proíbe um(a) cristão(ã) de ser fiador(a) de outra pessoa? Confesso que fui surpreendido com essa pergunta, que recebi poucos dias atrás. E mais surpreso ainda fiquei ao saber que várias igrejas evangélicas proíbem essa prática aos seus membros, por ser considerada pecaminosa.

Acredito não ser pecado dar fiança para outra pessoa. Não há nada na Bíblia que proíba essa prática. E para justificar essa resposta, vou analisar os três textos mais comumente usados por quem afirma que dar fiança é pecado:

Meu filho, se você serviu de fiador do seu próximo, se, com um aperto de mãos, empenhou-se por um estranho e caiu na armadilha das palavras que você mesmo disse, está prisioneiro do que falou. Então, meu filho, uma vez que você caiu nas mãos do seu próximo, vá e humilhe-se. Insista, incomode o seu próximo! Não se entregue ao sono, não procure descansar. Livre-se como a gazela se livra do caçador, como a ave do laço que a pode prender. Provérbios 6, versículos 1 a 5

Quem serve de fiador certamente sofrerá, mas quem se nega a fazê-lo está seguro. Provérbios capítulo 11, versículo 15

O homem sem juízo, com um aperto de mãos se compromete e se torna fiador do seu próximo. Provérbios capítulo 17, versículo 18

Repare que esses três textos não proíbem a prática da fiança. Falam sim do risco envolvido – o primeiro deles chega ao ponto de recomendar fortemente a quem tiver caído nessa “armadilha”, encontrar uma forma de se livrar de tal responsabilidade.

E como não há proibição explícita, fica claro que não é pecado ser fiador(a). Tanto é assim, que há na Bíblia um caso de alguém que precisou dar fiança e o texto bíblico não faz qualquer crítica a essa pessoa. 

Em Gênesis capítulo 43, versículo 9, Judá deu ao seu pai a própria vida em fiança pela vida do irmão mais novo, Benjamim, garantindo que o caçula da família voltaria são e salvo de uma viagem ao Egito. E tudo deu certo.

O problema com a fiança não é o pecado e sim de outra natureza: os riscos envolvidos. Ser fiador(a) é o mesmo que dizer para a outra pessoa: “se você não conseguir pagar sua dívida, pode deixar que eu pago“. E isso não é pouca coisa.

E os riscos muitas vezes nem são percebidos – certa vez, dei fiança para um amigo que morreu. Naturalmente, eu não esperava que isso acontecesse. A dívida não pode ser paga por ele e eu precisei arcar com o prejuízo. 

Fiança não é pecado, mas envolve risco. Simples assim.

Com carinho 

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