A PAZ A QUALQUER PREÇO?

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O mundo tem acompanhado com atenção a negociação do acordo de paz na Colômbia, entre o governo e o grupo guerrilheiro FARC, visando por fim à guerra que já dura muitas décadas e tem causado sofrimento em muita gente. O Presidente da Colômbia tem se empenhado em implantar esse acordo e acabou de ganhar o prêmio Nobel da Paz por causa dos seus esforços.

Ocorre que o acordo inicialmente assinado foi submetido a um plebiscito e acabou rejeitado pela população colombiana por margem estreita de votos. E a razão da rejeição foram as concessões feitas pelo governo aos guerrilheiros que muita gente achou excessivas.

Caiu-se num impasse: todo mundo quer a paz mas não há acordo quanto ao custo a ser pago por essa paz. A verdade é que toda vez que se negocia um acordo de paz, torna-se necessário fazer concessões – se não fosse assim, não haveria necessidade de negociações e um acordo.

A grande questão, portanto, é qual o preço que cada lado concorda em pagar para fazer a paz. Quanto mais fraco ou mais cansado da guerra um determinado lado estiver, maior o preço que aceitará pagar. 

E aí reside a discordância na população da Colômbia: muita gente acha que o preço para a paz previsto no acordo é muito alto, pois, de certa forma, premiaria guerrilheiros, que cometeram atos de violência verdadeiramente bárbaros.

Essa discussão toda me fez refletir sobre outro tipo de acordo de paz: aquele que cada uma de nós precisa estabelecer com Deus. Digo isso porque o pecado – todos(as) pecamos – nos afasta e, de certa forma, nos coloca em “guerra” com Ele. E precisamos fazer a paz.

Essa paz é feita quando nos arrependemos sinceramente dos nosso erros, pedimos perdão e confiamos na Graça de Deus – manifesta no sangue de Jesus derramado por nós na cruz -, para nos garantir a aceitação de Deus. E aí a paz é restabelecida – a relação com Deus se normaliza.

Agora, muita gente, ao tentar estabelecer essa paz, age como o grupo guerrilheiro FARC: faz, até sem perceber, uma série de exigências a Deus. Coloca condições (“se eu fizer isso, espero que Deus faça aquilo“), impõe limitações nas mudanças de vida que irá fazer (por exemplo, “não vou abrir mão do meu lazer no domingo para ir à igreja“) e assim por diante. Essas pessoas cobram um preço de Deus para fazer a paz com Ele.

E é interessante como há toda uma linha de pensamento que defende essa postura. Por exemplo, o livro “A Cabana”, que tem feito muito sucesso no meio cristão, vai nessa direção. Nele, o autor atribui a Deus a declaração que irá atrás de nós, não importa a circunstância e o que tivermos feito.

A ideia aqui é que Deus quer tanto se relacionar conosco, valoriza tanto esse contato, que vai atrás das pessoas, estejam elas onde estiverem, não importam o que pensem ou tenham feito.

Ora, não é isso que a Bíblia ensina. Na parábola do filho pródigo (veja mais), o pai (Deus) espera que o filho perdido se arrependa, depois de se convencer que a vida que tinha escolhido para si mesmo somente ia lhe causar problemas, e decida voltar para casa. Quando o filho dá esse passo, o pai abre as portas e o aceita de volta, sem impor condições.

Repare, o pai (Deus) não foi atrás do filho perdido. Não fez paz a qualquer preço. Foi preciso primeiro que o filho reconhecesse seu erro e decidisse mudar. O filho precisou fazer a paz unilateralmente, sem impor condições com o pai, para depois ser aceito.

Quando decidimos fazer paz com Deus, sem impor condições ou limites, aí sim Ele age de forma misericordiosa e nos aceita de de volta plenamente. Mas rendição do(a) pecador(a) precisa vir antes. Simples assim.

Você quer ter paz com Deus? Renda-se completamente a Ele. Acene com a bandeira branca (veja um vídeo falando mais sobre isso). Você vai se surpreender com os resultados. 

Com carinho

 
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Vinicius Moura

Nasci em 1951. Já estou entrando naquela idade em que as pessoas não mais buscam aventuras, mas, de certa forma, este blog é uma aventura para mim, pois não sei bem o que esperar dele. Sou evangélico desde o nascimento. Sou também autodidata e venho me dedicando a esse tipo de estudo há mais de 20 anos. Tenho a oferecer, no papel de mediador deste blog, a experiência que acumulei ao longo de todos esses anos. Quero mostrar para as pessoas um cristianismo que liberta o ser humano – do pecado, das ansiedades, da falta de sentido, etc – e não uma religião dogmática, que aprisiona, pela imposição de um monte de regras e através da culpa.

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