A ORAÇÃO ENSINADA POR JESUS

1
920

Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome. Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dá hoje E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos nossos devedores. E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal. Porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém. Mateus capítulo 6, versículos 9 a 13 

Jesus foi homem de oração – passava horas a fio falando com Deus.  Com seu exemplo, Jesus demonstrou para os discípulos a importância de orar, mas eles tinham muita dificuldade para imitar seu Mestre. Parece ser que, dentre outros problemas, os discípulos não sabiam bem como falar com Deus. Que palavras usar. Aí pediram que Jesus lhes ensinasse como orar e foram atendidos.

O resultado desse ensinamento, transcrito no começo deste post, é a oração que ficou famosa como “Pai Nosso”, por causa das palavras usadas no seu início.

Agora, é importante entender que o ensinamento de Jesus não está nas palavras exatas que Ele usou. Jesus não deu para os discípulos uma fórmula pronta que eles deveriam repetir exatamente para obterem a atenção de Deus.  As palavras usadas no Pai Nosso não são mágicas.

Sei que é comum nas igrejas cristãs as pessoas repetirem em conjunto o Pai Nosso, mas isso é feito porque se trata de oração conhecida por todo mundo o que facilita seu uso comunitário. Só por isso.

O verdadeiro ensinamento de Jesus está no significado das palavras que usou. Por isso vale a pena estudar o Pai Nosso para aprender de fato como orar e passar a fazer isso com as próprias palavras.

A oração do Pai Nosso está dividida em quatro partes: 1) contacto (chamado); 2) adoração; 3) apresentação dos pedidos; e 4) finalização. Vamos ver o significado de cada uma delas em separado.

Jesus começou estabelecendo contacto com Deus e isso faz sentido: se a pessoa vai conversar com alguém, começa pedindo a atenção do(a) interlocutor(a).

É claro que Deus é diferente de qualquer outro(a) interlocutor(a), afinal está sempre atento a tudo. Logo, é preciso pedir a atenção d´Ele. Por que então Jesus ensinou a fazer isso? Simples, esse passo é para a própria pessoa que vai orar – ao chamar Deus, ela dá início a um processo.

Jesus ensinou a chamar Deus de Pai e isso era coisa impensável naquela época. Os judeus sempre tomavam grande cuidado para não tomar o nome de Deus em vão, evitando violar um dos Dez Mandamentos. Por isso causou espanto quando Jesus se dirigiu a Deus como nosso Pai.

É claro que Jesus é o Filho de Deus e, portanto, faz todo sentido chamá-lo de Pai. Mas como Jesus estava ensinando seus discípulos a orar, estava falando para que eles fizessem o mesmo, o que não tinha precedente na cultura da época. 

Jesus fez isso porque Deus também é Pai de todos(as) aqueles(as) que vierem a aceitar Jesus como Salvador, conforme a Bíblia ensina (Efésios capítulo 1, versículo 5). 

O passo seguinte da oração, segundo Jesus ensinou, é adorar a Deus – reconhecer que se está falando com um Ser muito especial. Não um Pai comum, mas Aquele que “está no céu“.  

As palavras que Jesus usou para adorar – “santificado seja seu nome” – eram comuns naqueles dias. Os judeus as repetiam diariamente nas suas orações tradicionais. Hoje, a pessoa pode usar suas próprias palavras de adoração, conforme consiga visualizar Deus.

A terceira parte da oração é aquela que as pessoas mais gostam: os pedidos. Normalmente, as orações hoje em dia são quase só compostas de pedidos – preste atenção e você vai perceber isso com facilidade. E isso está errado.

Não porque seja ruim pedir coisas a Deus e sim porque o diálogo com Ele não pode se limitar a isso. E Jesus tratou indiretamente dessa questão pelos tipos de pedidos que fez.

O primeiro deles foi a vinda do Reino de Deus sobre nós, garantindo que seja feita aqui a vontade d´Ele, assim como já é feita no céu. E isso tem tudo a ver com a pregação do próprio Jesus, pois Ele falou muito sobre a vinda do Reino de Deus e o significado disso para nós, quase sempre usando parábolas que começavam assim: “o Reino de Deus é semelhante a…” 

A chegada do Reino de Deus significa essencialmente que a vontade d´Ele passa a ser feita também aqui na terra. E quando isso acontece, tudo muda: o pecado é evitado, bençãos são derramadas, etc. E isso faz toda a diferença.

Jesus  ensinou que a coisa mais importante, o primeiro lugar da lista de prioridades, deve ser a presença do Reino de Deus, porque tudo o mais que a pessoa vier a precisar, ser-lhe-á acrescentado (Mateus capítulo 6, versículos 31 a 34).  

Depois, Jesus ensinou a pedir pelo “pão de cada dia“. Isso significa pedir para Deus preencher as necessidades materiais diárias. Nem mais e nem menos. 

E isso tem paralelo com o relato do Êxodo (capítulo 16), quando os israelitas andavam pelo deserto do Sinai, liderados por Moisés, depois de sair da escravidão do Egito. O povo não podia produzir seu próprio alimento, então Deus mandou o maná. Mas as pessoas somente podiam colher a cada dia o necessário para sobreviver por 24 horas (exceto na véspera do sábado, quando podiam colher para dois dias). Se colhiam mais, tentando fazer estoque de segurança, o maná apodrecia. 

O ensinamento que vem daí é a necessidade de aprender a depender de Deus. A viver pela fé. Pedir aquilo que se precisa, à medida que a necessidade se apresenta. 

Sei que isso não é fácil, pois todos(as) gostamos ter garantias – e eu não sou diferente de você nesse aspecto. Essa é uma das coisas mais difíceis de viver no cristianismo.

O pedido seguinte é para Deus perdoar a pessoa na medida em que ela tiver perdoado as outras. Jesus ensinou aqui que a predisposição para o perdão é condição indispensável para ser perdoado(a) por Deus.

Você quer perdão de Deus? Então, aprenda a perdoar seu próximo. E na mesma medida em que conseguir perdoar, também será perdoado(a). Simples assim.

O quarto pedido é para não cair em tentação. Para que a pessoa tenha fé suficiente para evitar as ciladas que Satanás vier a colocar no seu caminho.

Não há como evitar as tentações – até Jesus foi testado por elas -, mas Deus pode dar forças à pessoa para resistir e se manter no caminho certo. Essa é a lógica do quarto pedido. 

Acabamos de falar das tentações, ou seja do mal que poderá vir a se realizar, o mal futuro. O quinto pedido – “livra-nos do mal” – fala do pecado, o mal já instalado na vida da pessoa. E pede livramento dele.

O Espírito Santo tem papel fundamental na luta contra o pecado já instalado na pessoa. É necessária mudança, de valores e de hábitos, para conseguir deixar aquilo que não serve para trás e limpar a própria vida. Sem o apoio do Espírito Santo tal tarefa é impossível, pois a pessoa sozinha não terá forças suficientes. Daí fazer sentido pedir a Deus livramento do mal.

Nenhum dos pedidos tem a ver com facilidades, conforto, vida boa, etc, exatamente aquilo que costuma preencher nossas falas com Deus hoje em dia. Repare que nem a saúde foi mencionada. As prioridades que Jesus ensinou foram outras bem diferentes.

Isso não quer dizer que a pessoa não possa pedir aquilo que seu coração deseja. Pode pedir aquilo que desejar e Deus vai atender de acordo com a vontade d´Ele. Mas o ensinamento de Jesus significa apenas que as prioridades de Deus para a vida da pessoa costumam ser bem diferentes da vontade dela própria.

A oração passa então para a parte final, onde Jesus ensinou a reconhecer que o Reino, o poder e a glória são todos de Deus e somente d´Ele. A expressão usada foi tirada de uma oração de Davi (1 Crônicas capítulo 29, versículo 11) e, portanto, já bem conhecida dos judeus daquela época. 

Reconhecer que tudo é de Deus e todas as bençãos vem d´Ele, é passo fundamental para a pessoa manter a humildade e ser sempre grata.

Com carinho

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here