A parábola dos dois devedores

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E rogou-lhe um dos fariseus que comesse com ele. e, entrando em casa do fariseu, assentou-se à mesa. E eis que uma mulher da cidade, uma pecadora, sabendo que ele estava à mesa em casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com unguento E, estando por detrás, aos seus pés, chorando, começou a regar-lhe os pés com lágrimas, e enxugava-os com os cabelos da sua cabeça. e beijava-lhe os pés e ungia-lhos com o ungUento… o fariseu que o tinha convidado falava consigo, dizendo: Se este fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, pois é uma pecadora. E Jesus disse-lhe: Simão, uma coisa tenho a dizer-te… Um credor tinha dois devedores: um devia-lhe quinhentos dinheiros e outro cinqüenta. E … perdoou-lhes a ambos as dívidas. Dize, pois, qual deles o amará mais? E Simão respondeu: …aquele a quem mais perdoou. E Jesus lhe disse: Julgaste bem …Vês tu esta mulher? Entrei em tua casa e não me deste água para os pés; mas esta regou-me os pés com lágrimas, e os enxugou com os cabelos …Não me deste ósculo, mas esta …não tem cessado de me beijar os pés. Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta ungiu-me os pés com unguento. Por isso …seus muitos pecados lhe são perdoados, porque muito amou. mas aquele a quem pouco é perdoado, pouco ama… Lucas capítulo 7, versículos 36 a 48

Era costume na época de Jesus, convidar para jantar, no final do sábado, um mestre itinerante que tivesse pregado na sinagoga durante o serviço religioso. Tal convite era uma honra tanto para o convidado como para o anfitrião.

E foi isso que aconteceu com certo fariseu, chamado Simão (versículo 36). Certamente, antes do convite de Simão, Jesus tinha pregado na sinagoga e impressionado os ouvintes. Não é de estranhar, portanto, que Simão pensasse ser Jesus um profeta cheio do Espírito Santo.

Ora, havia uma mulher pecadora na cidade: ela podia ser uma prostituta, uma adúltera ou até mesmo a esposa de homem com profissão desonrosa, como cobrador de impostos ou curtidor de peles.

A pecadora lavou os pés de Jesus, arrependida que estava dos pecados que cometera e grata de ser recebida por Ele. E suas atitudes provaram isso: o beijo nos pés era sinal de grande gratidão; o fato de ter tirado o véu e exposto os cabelos – motivo de desonra para qualquer mulher – demonstrou seu desprendimento; e o uso de unguento caro indicou que ela tinha Jesus em alta conta.  

Aquela mulher demonstrou gratidão por ser recebida, desprendimento e compromisso, bem como amor verdadeiro por Jesus. Sentimentos fundamentais para quem pretende seguir nosso Salvador.

Por outro lado, Simão começou a duvidar que Jesus fosse mesmo profeta. Não passou pela cabeça dele que Jesus aceitasse uma mulher pecadora, portanto a única explicação para o que estava acontecendo era o fato de Jesus desconhecer quem a mulher era (não foi avisado por Deus a esse respeito).

Jesus respondeu às dúvidas de Simão com uma pequena estória sobre dois devedores que tiveram suas dívidas perdoadas. E perguntou ao fariseu qual deles deveria ser mais agradecido. Simão respondeu que evidentemente aquele que recebeu um perdão de dívida maior.

Aí que Jesus comparou a situação da mulher pecadora com a do próprio Simão. Ela tinha demonstrado grande gratidão e amor porque estava sendo perdoada de muitos pecados e aceita pro Jesus apesar deles. Já Simão, seguidor estrito da Lei, considerava-se homem correto e justo, com muito poucos pecados a perdoar, daí não demonstrar gratidão ou amor significativos por Jesus.

Simão não entendia ainda – e talvez nunca veio a entender –  que sobrou naquela mulher aquilo que faltava nele mesmo. E com seus comentários, Jesus forçou o fariseu a olhar para dentro de si mesmo. A questionar suas certezas e a perceber que não era tão bom quanto pensava ser.

Essa é uma situação parecida com aquela que Jesus enfrentou, quando um bando de homens queria apedrejar uma mulher adúltera. Nessa segunda situação, Jesus desafiou os acusadores: “quem não tiver pecado, que atire a primeira pedra…” (João capítulo 8, versículos 1 a 11).

Quem se sabe pecador e recebe o perdão e a salvação de Deus, deveria sentir enorme gratidão e amor por Ele. Já aquele(a) que pensa ser bom(boa) e justo(a) terá pouco incentivo para se aproximar de Deus.

É por isso que quando alguém me confessa ter dificuldade para amar a Deus, eu sempre pergunto à pessoa se ela tem consciência dos seus próprios erros e de quanto precisa da Graça de Deus. Simples assim.

Com carinho 

 
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Vinicius Moura

Nasci em 1951. Já estou entrando naquela idade em que as pessoas não mais buscam aventuras, mas, de certa forma, este blog é uma aventura para mim, pois não sei bem o que esperar dele. Sou evangélico desde o nascimento. Sou também autodidata e venho me dedicando a esse tipo de estudo há mais de 20 anos. Tenho a oferecer, no papel de mediador deste blog, a experiência que acumulei ao longo de todos esses anos. Quero mostrar para as pessoas um cristianismo que liberta o ser humano – do pecado, das ansiedades, da falta de sentido, etc – e não uma religião dogmática, que aprisiona, pela imposição de um monte de regras e através da culpa.

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