CAÇANDO POKEMONS

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A mídia tem noticiado bastante a febre causada pelo jogo eletrônico Pokemon Go. Para quem não sabe, trata-se de jogo de “realidade aumentada”, para ser usado em smartphones, onde a pessoa precisa capturar “bichinhos” virtuais, os pokemons, escondidos no mundo real.

A tecnologia utilizada nesse jogo permite misturar coisas reais – o ambiente onde a pessoa está com base em dados de GPS – e coisas virtuais, que somente podem ser vistas através da interface do jogo.

Virou comum ver pessoas andando pelas ruas, olhando para seus celulares, totalmente distraídas da realidade à sua volta, pois estão caçando pokemons. Atravessam ruas sem olhar, arriscando suas vidas, invadem museus e cemitérios, perturbando a paz das outras pessoas, caem em buracos e se machucam. Comportamento que poderia ser motivo de riso, se não fossem os inconvenientes que causa.  

Parece ser, com base no depoimento de quem já jogou o Pokemon Go, que a experiência vivida é emocionante e é fácil a pessoa ficar viciada, se esquecer da própria vida e ficar jogando Pokemon por horas e horas.

Outro dia perguntaram minha opinião sobre essa febre. Eu confesso que não vejo nada de errado com o jogo em si, mas sou totalmente contra esses excessos, pois não fazem nada bem.

Essa febre mais uma vez me permite constatar a necessidade que as pessoas têm de encontrar algo que traga um pouco de fantasia e sonho para suas vidas. Elas se sentem massacradas pela rotina que enfrentam e pelas frustrações dos seus sonhos e querem encontrar algo que alivie esses sintomas.

E a realidade aumentada permite misturar fantasia com a realidade, fazendo que os dois mundos convivam – está perto o momento quando as pessoas terão possibilidade de “conviver” com seus personagens favoritos e viverem seu “conto de fadas” particular.

A ânsia pela fantasia e pelo sonho, para anestesiar o desconforto da vida, não é fenômeno exclusivo do mundo moderno. Por exemplo, dois mil anos atrás, os imperadores romanos gastavam fortunas para promover jogos com gladiadores, dando divertimento excitante ao povo. “Pão e circo” era o lema que seguiam – “pão” indicava a necessidade de garantir alimento, enquanto “circo” era a promoção de divertimento popular (a palavra fazia referencia ao local onde as lutas de gladiadores ocorriam, o Circus Maximus, em Roma).

Futebol, novelas na televisão, filmes milionários, Carnaval e, mais recentemente, os jogos eletrônicos, tudo isso segue a mesma lógica. E ale´m de darem algum alívio e alegria para as pessoas, geram fama para artistas e jogadores e bilhões para quem sabe explorar essa tendência.

Repito, não sou contra esse tipo de diversão – aprecio futebol ou bons filmes. Mas sou francamente contra os excessos – a adoração a artistas e jogadores de futebol, a incapacidade de viver sem ver o último capítulo da novela ou mesmo o jogo do time de futebol preferido. Conheço o caso de um homem que só foi ao batizado do próprio filho porque a cerimônia foi marcada num dia em que seu time do coração não jogava. 

Quando Jesus disse que o principal mandamento era amar a Deus sobre todas as coisas, estava dizendo que precisamos colocá-lo antes de tudo. Em outras palavras, não devemos dar espaço em nossas vidas para aquilo que possa nos “anestesiar” e/ou viciar. Não porque o filme, o jogo ou qualquer outra coisa desse tipo seja errada em si, mas pelo fato delas se tornarem o “deus” da nossas vidas.

Ora, todas essas coisas passam – os jogadores atuais irão se aposentar e outros vão surgir, os(as) artistas vão envelhecer e serão substituídos(as) por outros(as) mais jovens, os jogos eletrônicos atuais acabarão trocados por outros, melhores, de geração mais nova, e assim por diante. Os “deuses” de hoje vão cair e serão trocados por novos “deuses”…

Nada que possa envelhecer, ficar obsoleto ou ser substituído por algo melhor, pode ter essa importância nas nossas vidas. Pode dar sentido ao nosso viver.

O Deus que adoramos é de outra natureza: está além do tempo, não muda, enfim, Ele é fonte de estabilidade real para a vida de qualquer pessoa. É por isso que nada pode tomar o lugar d´Ele em nossas vidas. E permitir que isso ocorra é pecado.

Agora, há outro problema com essa tendência dos seres humanos de encontrar outros “deuses” para preencher suas carências. E ele tem a ver com a forma como fomos criados.

O Deus nos concebeu para estar em contato constante com Ele. Para experimentarmos um relacionamento íntimo com nosso Criador. É como se tivéssemos dentro de nós um “vazio” que somente pode ser preenchido com Ele. E é por isso que a vida sem Deus carece de sentido, de significado, não satisfaz, não importa aquilo que tenhamos de bens materiais.

Chamamos de “espírito” a parte do nosso ser que foi concebida para ser o “órgão” que faz a ligação com Deus. É através desse “órgão” que o Espírito Santo fala às nossas consciências, apontando o que está certo ou errado. E através do espírito que cada um(a) de nós consegue louvar a Deus e se sentir próximo(a) d´Ele e perceber seu amor maravilhoso, especialmente nos momentos de dificuldade.

Nada contra Pokemon Go ou outra coisa desse tipo. Mas sou contra a febre que toma conta das pessoas ao usar esse tipo de jogo. Assim como sou contra qualquer outra coisa que venha a nos separar de um relacionamento saudável com Deus. Simples assim.

Com carinho

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