A DIFÍCIL TAREFA DE PROTEGER OS JOVENS DOS MALES DO MUNDO

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Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, pois eles não são do mundo, como eu também não sou. Não rogo que os tires do mundo, mas que os protejas do Maligno. João capítulo 17, versículos 14 e 15

Um dos grandes desafios das famílias e comunidades cristãs é a proteção dos seus jovens que, afinal, vivem num mundo hostil aos valores cristãos. Não queremos que eles(as) sejam expostos(as) à promiscuidade sexual, ao uso de drogas recreacionais, à violência e a outras outras práticas negativas, das quais nossa sociedade está cheia. E, sobretudo, queremos que mantenham sua fé em Cristo.

Vejo amigos queridos enfrentando esse desafio e se questionando quanto à forma certa de proceder – eu já cumpri minha missão nessa área, pois meus dois filhos já tem bem mais do que trinta anos. 

As atitudes que tenho visto por aí costumam oscilar entre dois extremos, ambos errados a meu ver: um por fazer muito pouco e outro por fazer demais.

Os pais que erram por fazer muito pouco são aqueles que defendem a tese ser preciso respeitar a individualidade dos(as) jovens, deixando-os(as) escolher livremente. Deve-se ensinar os bons princípios de vida e da fé cristã e depois deixar que escolham livremente seus próprios caminhos, pois esse é um direito deles(as). 

O erro dessa abordagem está na falta de conhecimento da natureza real do ser humano. Esses pais pensam que ela é essencialmente boa e, se ensinados os princípios certos, plantada a boa semente, os(as) jovens vão acabar se encaminhando na direção certa e fazendo aquilo que agrada a Deus. Podem até tropeçar aqui e ali, coisa bem natural, mas vão chegar em porto seguro.

Mas não é bem isso que a experiência prática mostra: basta ver o estado de injustiça, corrupção e violência da nossa sociedade – ela encarna perfeitamente o ensinamento bíblico que “o mundo jaz no Maligno” (1 João capítulo 5, versículo 19). 

E tanto isso é verdade que Deus não age conosco dessa forma – Ele bem sabe que, deixados por nossa própria conta, não faríamos as escolhas certas. É exatamente por isso que o Espírito Santo foi escalado para ter o papel de incomodar e influenciar cada pessoa, levando-a na direção certa.

Deus nunca nos deixa por nossa própria conta, embora respeitando nosso direito de fazer escolhas, nosso livre arbítrio, que aliás foi nos dado por Ele mesmo. 

Agir de menos pode até ser confortável, pois evita um monte de atritos com os(as) jovens, que são pela própria natureza rebeldes e contestadores, mas nunca é a coisa certa a fazer. 

A outra abordagem parte para o extremo oposto: tenta proteger os(as) jovens criando uma “bolha” em torno das suas vidas. Eles(as) são como que tirados(as) do mundo, na tentativa de eliminar tentações, influências nocivas e perigos.

Aí os(as) jovens cristãos(ãs) são incentivados(as) a construir toda sua vida social dentro das próprias igreja, somente frequentando eventos evangélicos, só ouvindo música gospel e forçosamente buscando os(as) namorados(as) ali.

Vejo dois problemas nessa abordagem. O primeiro deles está embasado na própria oração que abre este post: ela foi feita por Jesus no final da sua vida na terra, quando pediu a Deus que protegesse seus discípulos(as), que estavam ficando para trás (Jesus ia voltar para o Pai).

Agora, repare bem no que Jesus disse no texto citado acima: não pediu a Deus para tirar seus discípulos(as) do mundo, para isolá-los(as) numa “bolha” protetora. E isso está muito claro. 

Jesus não pediu isso por uma razão muito simples: em outro momento Ele tinha nos dado o mandamento para sermos o “sal da terra” (Mateus capítulo 5, versículo 13), isto é somos chamados para fazermos a diferença na sociedade e não podemos fazer isso isolados(as), protegidos(as) numa “bolha”, separados da sociedade. Simples assim.

Viver no meio do mundo que nos cerca implica obviamente correr o risco de sermos impactados pelas tentações e  más influências da sociedade. E não há como fugir disso e isso também vale para os(as) jovens.

É claro que antes de serem expostos a tal tipo de risco, eles(as) precisam ter adquirido certo grau de maturidade emocional e espiritual, já tendo sido esclarecidos(as) sobre os caminhos de Deus. Assim, o grau de exposição permitido para um jovem de quinze anos evidentemente precisará ser menor do que o risco permitido para alguém com vinte anos. Para cada faixa de idade há limites de grau de exposição e risco a serem respeitados.

A outra razão que concorre para tornar a tese da “bolha protetora” ruim é o fato dessa proteção não poder ser mantida por toda a vida dos(as) jovens. Mais cedo ou mais tarde, as exigências da vida prática vão se impor, como a necessidade de trabalhar ou de estudar longe de casa, e eliminar tal tipo de proteção. E quando isso acontece os(as) até então mantidos(as) numa “bolha” estarão totalmente despreparados(as) para os desafios da vida, podendo inclusive entrar numa crise – já vi isso acontecer.

Portanto, não se deve tentar proteger demais os(as) jovens. Essa também não é uma boa opção.

A abordagem certa é ir ensinando os(as) jovens o que precisam saber e ir aos poucos permitindo sua exposição aos riscos da vida. Dosando esses riscos, mas não impedindo os(as) jovens de vivê-los. 

Dito assim, até parece tarefa fácil o fazer o que é certo, mas não é.

Essa calibragem precisa não é coisa trivial. Deixar por um lado que nossos(as) jovens vivam a realidade, e corram os riscos com ela relacionados, ao mesmo tempo dando-lhes condição de funcionarem de fato como o “sal da terra”.

O segredo, penso eu, está em deixá-los(as) viver no mundo mas ensiná-los a não fazer concessões que descaracterizem seu chamado para uma vida verdadeiramente cristã. Ensiná-los a dizer não quando for necessário, sem preocupação de parecer careta. Mostrar que viver no mundo não precisa significar fazer tudo aquilo que o mundo espera que façam.

Com carinho  

 
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Vinicius Moura

Nasci em 1951. Já estou entrando naquela idade em que as pessoas não mais buscam aventuras, mas, de certa forma, este blog é uma aventura para mim, pois não sei bem o que esperar dele. Sou evangélico desde o nascimento. Sou também autodidata e venho me dedicando a esse tipo de estudo há mais de 20 anos. Tenho a oferecer, no papel de mediador deste blog, a experiência que acumulei ao longo de todos esses anos. Quero mostrar para as pessoas um cristianismo que liberta o ser humano – do pecado, das ansiedades, da falta de sentido, etc – e não uma religião dogmática, que aprisiona, pela imposição de um monte de regras e através da culpa.

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