JESUS E A MULHER SAMARITANA

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[Jesus] foi a uma cidade da Samaria, chamada Sicar … cansado do caminho, assentou-se junto da fonte. Era quase a hora sexta. Veio uma mulher tirar água. Disse-lhe Jesus: Dá-me de beber… Respondeu-lhe a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou samaritana? (porque os judeus não falam com os samaritanos). Jesus disse-lhe: Se tu soubesses… quem é o que te fala… tu lhe pedirias e ele te daria água viva… Qualquer que beber desta água tornará a ter sede; mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede… Respondeu-lhe a mulher: Senhor, dá-me dessa água, para que não mais tenha sede… Disse-lhe Jesus: Vai, chama o teu marido, e vem cá. A mulher respondeu: Não tenho marido. Disse-lhe Jesus: Disseste bem… porque tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu marido… Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta… Eu sei que o Messias vem; e quando ele vier, nos anunciará tudo. Jesus disse-lhe: Eu o sou… Deixou, pois, a mulher o seu cântaro, e foi à cidade, e disse àqueles homens: Vinde, vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito. Porventura não é este o Messias? João capítulo 4, versículos 5 a 30 

O relato do encontro de Jesus com a mulher samaritana é muito rico em ensinamentos e não seria possível estudá-los todos num único post. Por isso vou me concentrar em apenas três deles:


O relacionamento de Jesus com a mulher samaritana

Os primeiros ouvintes dessa história foram judeus, pessoas que viviam num ambiente cultural bem diferente do nosso. E para aquelas pessoas, o relato do encontro de uma mulher com um homem sedento, à beira de um poço, apontava para uma situação bem conhecida: o homem estava em busca de uma esposa e a encontra junto ao poço – por exemplo, foi assim que Jacó encontrou Rebeca (Gênesis capítulo 29, versículos 9 a 14) e Moisés conheceu Zípora (Êxodo capítulo 2, versículos 16 a 21). 

Assim, o relato deve ter despertado muita curiosidade desde o começo pois todos sabiam que Jesus não tinha se casado. Havia algo de intrigante naquela história. 

E não foi por acaso que o autor do relato fez questão de encaixar nele a informação que a mulher samaritana estava no sexto relacionamento, ou seja era imprópria para ser esposa de quem quer que fosse. Ou seja, há uma reviravolta na direção do relato – deixa de haver expectativa de um relacionamento de cunho amoroso.

Aí o relato volta a surpreender pois passa a descrever a formação de um relacionamento entre Jesus e aquela mulher, só que de cunho inteiramente espiritual. A mulher aceitou Jesus como o Messias de Israel e passou a dar testemunho sobre Ele – na verdade, ela é a primeira pessoa no relato bíblico a fazer isso.

Temos aqui uma pessoa que aceitou Jesus e passou a confessá-lo publicamente e essas são exatamente as condições para salvação descritas em Romanos capítulo 10, versículo 9. Em outras palavras, aquela mulher se converteu, passando a ter uma relação espiritual com seu Salvador, como acontece com cada um(a) de nós.

Jesus aceitou a todos(as)

Judeus e samaritanos não se davam bem, conforme o texto acima atesta, por diversas razões. Samaria era habitada por um povo de sangue misturado (israelitas com gentios) e os judeus não toleravam isso. Os samaritanos não reconheciam o Templo de Jerusalém como o ponto principal de culto a Deus e também tinham diferenças em relação aos livros que aceitavam como canônicos. 

Por causa disso tudo, os samaritanos eram detestados pelos judeus, que se recusavam até a falar com eles. Jesus tinha, portanto, todas as razões para não falar com aquela mulher e ela mesmo se surpreendeu que Ele tenha feito isso. 

Além disso, aquela mulher era tida como uma devassa por causa dos seus inúmeros relacionamentos amorosos. E nenhum judeu estrito seguidor da sua religião se dignaria a ter qualquer tipo de contato com ela. E Jesus certamente surpreendeu a todos ao ter mantido uma conversa amistosa com ela, falando-lhe do seu ministério e se revelando como o Messias.

Há aí um importante ensinamento: Jesus não discriminou as pessoas. Aceitou a todos que vieram até Ele, não importando sua etnia, origem social e nem mesmo os seus pecados passados. Basta lembrar que Jesus aceitou a conversão de um dos malfeitores pregados em cruzes ao seu lado, mesmo esse homem tendo reconhecido que estava sendo punido com justiça (Mateus capítulo 27, versículos 38 a 44). 

O que sempre importou a Jesus foi a sinceridade do coração da pessoa que se dirigia a Ele e a capacidade dela de se arrepender dos seus erros. 

Infelizmente, a maioria de nós não é assim. Somos rápidos em apontar os defeitos e pecados dos outros, lentos em perceber os nossos e mais lentos ainda em perdoar. Na verdade, pessoas que cometem pecados considerados mais graves dificilmente são perdoadas pela comunidade cristã onde militam – sempre serão olhadas meio de esguelha.

Jesus soube usar cada oportunidade 
Repare que durante a conversa entre Jesus e aquela mulher, ela rapidamente reconheceu seu erro – sua vida estava longe de ser exemplar. 

Mas Ele não perdeu tempo em ficar criticando o passado dela, repisando seus erros, dizendo-lhe que era corria o risco de ir para o inferno. Nada disso. Bem diferente do que vejo os líderes religiosos fazerem hoje em dia.

Agora, isso não quer dizer que Jesus aprovou o comportamento da mulher samaritana – repare que foi Ele quem provocou o tema. Mas não perdeu tempo com discursos moralistas e usou a oportunidade para falar construir algo positivo – a conversão da mulher. 

E esse é mais um ensinamento importante: precisamos usar bem as oportunidades que se apresentam diante de nós. Precisamos nos preocupar em construir coisas positivas, em mudar a vida da pessoa que se abre para ouvir o Evangelho de Jesus. 

A mudança de vida das pessoas não se dá pelo medo de ir para o inferno – essa abordagem somente leva à hipocrisia e/ou à revolta com Deus. Ela se dá pela convicção íntima de que é preciso mudar, que os caminhos atuais não são bons. Que há coisa muito melhor à frente, se a estrada tomada passar a ser outra.

Com carinho 

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