O MUNDO FOI CRIADO EM SETE DIAS?

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O relato da criação do mundo contido no capítulo 1 do Gênesis fala que o universo foi feito em 7 dias. E isso sempre gerou muitas dúvidas. Será que os “dias” citados na Bíblia são mesmo períodos de 24 horas? E como reconciliar esse relato com as descobertas recentes da ciência que apontam para uma idade do universo de alguns bilhões de anos? Será que o relato bíblico está errado? São essas as dúvidas que vou procurar esclarecer a seguir:

A teoria da terra “jovem”
Aqueles que fazem uma leitura literal do texto do Gênesis defendem que Deus usou mesmo um período de 7 dias de 24 horas para criar o universo. Essa doutrina é apelidada de “teoria da terra jovem” pois esse entendimento leva forçosamente à conclusão que a terra tem cerca de 10 mil anos apenas de idade, ou seja é bem “jovem”. 

Ora, tal teoria não pode ser reconciliada com o entendimento da ciência, que defende uma idade de cerca de 4 bilhões de anos para nosso planeta – esse cálculo é feito a partir de diversos tipos de estudos, como os que estudam a idade das rochas (análises geológicas). E “brigar” contra fatos científicos bem comprovados é muito ruim.

Os(as) que defendem a “teoria da terra jovem” fazem diversos “contorcionismos” para justificar a divergência da sua abordagem com os estudos científicos – por exemplo, alegam que os instrumentos de medição existentes não conseguem fazer avaliações corretas da idade da terra. 

Mas acho sua posição muito frágil e assim é preciso encontrar outra explicação. Afinal, sabemos que a Bíblia não tem erro e deve haver uma explicação convincente.

“Dias” como períodos de tempo indefinidos
Não há qualquer necessidade de defender sete dias normais para aceitar o texto de Gênesis – há outra interpretação possível e muito melhor. 

A palavra no texto original que quer dizer “dia” (“yom” em hebraico) pode significar tanto 24 horas como também um período de tempo qualquer – ela é usada dessa segunda forma em Oseias capítulo 6, versículo 2. 

E o texto bíblico contem pelo menos quatro indícios claros de que não está se referindo a períodos de 24 horas no relato da criação do universo. 

Em primeiro lugar, o sol é criado apenas no terceiro “dia” (versículos 14 a 19). Portanto, não faria sentido considerar os dois primeiros períodos de tempo descritos como dias comuns, referenciados ao nascer ou ao por do sol. 

Os defensores da “terra jovem” tentam argumentar que poderiam ter sido períodos de tempo com duração de 24 horas mesmo sem ainda existir o sol. Os dois primeiros dias não seriam dias medidos pelo avanço do sol mas ainda assim períodos de tempo equivalentes a 24 horas cada um. Em outras palavras, seriam dias simbólicos.

Ora, essa explicação é uma contradição, pois são os(as) defensores da “terra jovem” que fazem uma leitura literal do texto bíblico. E não podem fazer isso onde lhes interessa e, quando deixa de ser conveniente, passam para uma leitura simbólica. Isso não faz sentido.

O segundo ponto que comprova não estarmos lidando com dias normais é a indicação dos versículos 11 e 12, onde Deus ordenou a terra a produzir plantas. Isto é, Ele não criou as plantas já maduras, mas sim deu condições ao solo para germinar as sementes nele lançados. Ora, as plantas não crescem do dia para a noite – no caso das árvores, podem ser precisos vários anos. E o texto não leva em conta o tempo necessário para esse crescimento – trata como se tivesse sido instantâneo.

Ora, Deus poderia ter eliminado o tempo necessário para as plantas crescerem mas o processo de criação não se deu assim: Ele estabeleceu as leis da natureza, deu o impulso inicial e as coisas começaram a ocorrer como previsto – natureza funciona como um relógio. Esse é o espírito do texto. Assim, o tempo necessário para o crescimento das plantas demonstra que se passou um tempo longo, nessa fase, muito maior do que um dia normal de 24 horas.

Em terceiro lugar, o texto diz que o homem foi criado no sexto dia e o detalhamento do que aconteceu nesse dia especial está contido no capítulo 2 do Gênesis. Ora, ao ler esse outro capítulo, fica claro que as atividades relatadas – a nomeação de todos os animais, a criação da mulher, etc – ocuparam bem mais do que 24 horas. Esse é um argumento parecido com o anterior.

Finalmente, o texto da criação conclui o relato do que Deus fez em cada “dia” dizendo que “houve tarde e manhã“. Isto porque o dia sempre foi contado, na tradição hebraica, a partir do por do sol. Agora, no relato do sétimo “dia” – aquele em que Deus “descansou” – o texto não fala que “houve tarde e manhã“. Ou seja, não há declaração sobre o fim do sétimo “dia”. Em outras palavras, o sétimo “dia” ainda não acabou. 

E essa interpretação faz sentido.:O relato do Gênesis está dizendo apenas que Deus criou tudo nos seis períodos anteriores e o sétimo “dia” se refere ao período de tempo em que a criação passa a funcionar normalmente – é exatamente onde estamos hoje. Por isso esse sétimo “dia” não acabou e nem vai acabar tão cedo (só no final dos tempos). 

Palavras finais
Ficou claro, eu espero, que a descrição da criação do mundo relatada no Gênesis não se refere a sete dias de 24 horas cada um. O texto está apontando para sete períodos de tempo de duração indefinida – cada “dia” desses durou muitas centenas de milhões de anos.

E assim torna-se perfeitamente possível reconciliar o texto bíblico da criação com os achados científicos que indicam que o universo tem bilhões de anos de idade.

Com carinho    

1 Comentário


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    Saulo Santos

    A palavra de Deus e verdadeira e não tem contradição só mente não entendem pq não usa o o coração com os ouvidos ouvem mais não compreende com o coração longe do eterno Deus

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