MILAGRES COMO PARTE DA OBRA DE DEUS

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Jesus saiu da sinagoga e foi com Tiago e João para a casa de Simão [Pedro] e André. A sogra de Simão estava de cama, com febre e eles contaram a Jesus. E ele se aproximou, segurou sua mão e ajudou-a a levantar-se. Então, a febre desapareceu e ela começou a servi-los.                                        Marcos capítulo 1, versículos 29 a 31

A cura da sogra de Pedro por Jesus é uma história muito interessante. E pode dar origem a uma série de discussões teológicas bem interessantes: por exemplo, ela caracteriza que Pedro era casado, o que derruba a tese do celibato dos padres abraçada pela Igreja Católica e também demonstra que milagres de cura são uma realidade, dentre outras coisas. 

Agora, gostaria de falar aqui sobre um aspecto menos notado no relato acima. Refiro-me ao que está ao final da última frase do texto acima: “e ela começou a servi-los“. Ou seja, assim que a sogra de Pedro ficou curada, voltou a trabalhar, servindo Jesus e seu grupo de discípulos. 

Isso fala muito sobre o significado dos milagres para Deus. Quando pedimos a Deus que faça um milagre normalmente pensamos em algo que venha a nos beneficiar: livrando-nos de um grande problema e/ou nos proporcionando algo bom. E não há nada de errado nisso.

Mas sob o ponto de vista de Deus, o significado dos milagres é algo diferente. É claro que Deus quer nosso bem, porém não é apenas isso que o move. Há muito mais em jogo. 

Basta lembrar que Jesus não curou todos os doentes com quem cruzou durante seu ministério na terra – curou muitos, mas não todos. Da mesma forma, não vemos milagres de cura acontecerem em todos os casos em que pedimos a intervenção divina. 

O que então leva Deus a realizar milagres? Jesus fez muitos milagres porque sua autoridade como Messias precisava ser autenticada, reconhecida por seus seguidores. As pessoas olhavam para quem fazia tais milagres e raciocinavam, com razão, que tal tipo de poder somente podia ter sido dado a alguém com conexão especial com Deus. E o mesmo aconteceu com os apóstolos, depois da ressurreição de Jesus – eles precisavam levar o Evangelho adiante e também precisavam ter sua autoridade espiritual reconhecida. O mesmo pode ser falado de Moisés, quando trabalhou para libertar o povo de Israel da escravidão no Egito. Ou do profeta Elias, quando lutou quase sozinho contra o culto a Baal.

Esses casos dão uma importante pista: milagres podem ser esperados quando deles depende o avanço da obra de Deus. Sempre que há encruzilhadas no caminho do Evangelho, podemos esperar a atuação de Deus sem limites.

Nessa linha de pensamento, vamos voltar a olhar para o milagre com a sogra de Pedro: repare que ela foi curada e imediatamente voltou a trabalhar na obra. Mais importante ainda, a presença do milagre aponta para a importância de Pedro na obra de Deus – se a sogra continuasse doente, o apóstolo certamente teria que deixar, pelo menos por algum tempo, a companhia de Jesus para dar assistência em casa. E esse tempo não podia ser desperdiçado, pois o ministério de Jesus na terra teve duração curta (apenas 3 anos).

É por isso que o testemunho do milagre conseguido precisa ser sempre dado. Esse testemunho frequentemente é uma das razões pela qual Deus fez o milagre. E se ele é “sonegado”, Deus certamente vai ficar decepcionado. 

Concluindo, milagres acontecem basicamente para ajudar no avanço da obra de Deus. Simples assim. E quando antes entendermos isso, mais facilmente iremos compreender a forma de Deus agir. 

Com carinho

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