MILAGRES COMO PARTE DA OBRA DE DEUS

0
152

Jesus saiu da sinagoga e foi com Tiago e João para a casa de Simão [Pedro] e André. A sogra de Simão estava de cama, com febre e eles contaram a Jesus. E ele se aproximou, segurou sua mão e ajudou-a a levantar-se. Então, a febre desapareceu e ela começou a servi-los.                                        Marcos capítulo 1, versículos 29 a 31

A cura da sogra de Pedro por Jesus é uma história muito interessante. E pode dar origem a uma série de discussões teológicas bem interessantes: por exemplo, ela caracteriza que Pedro era casado, o que derruba a tese do celibato dos padres abraçada pela Igreja Católica e também demonstra que milagres de cura são uma realidade, dentre outras coisas. 

Agora, gostaria de falar aqui sobre um aspecto menos notado no relato acima. Refiro-me ao que está ao final da última frase do texto acima: “e ela começou a servi-los“. Ou seja, assim que a sogra de Pedro ficou curada, voltou a trabalhar, servindo Jesus e seu grupo de discípulos. 

Isso fala muito sobre o significado dos milagres para Deus. Quando pedimos a Deus que faça um milagre normalmente pensamos em algo que venha a nos beneficiar: livrando-nos de um grande problema e/ou nos proporcionando algo bom. E não há nada de errado nisso.

Mas sob o ponto de vista de Deus, o significado dos milagres é algo diferente. É claro que Deus quer nosso bem, porém não é apenas isso que o move. Há muito mais em jogo. 

Basta lembrar que Jesus não curou todos os doentes com quem cruzou durante seu ministério na terra – curou muitos, mas não todos. Da mesma forma, não vemos milagres de cura acontecerem em todos os casos em que pedimos a intervenção divina. 

O que então leva Deus a realizar milagres? Jesus fez muitos milagres porque sua autoridade como Messias precisava ser autenticada, reconhecida por seus seguidores. As pessoas olhavam para quem fazia tais milagres e raciocinavam, com razão, que tal tipo de poder somente podia ter sido dado a alguém com conexão especial com Deus. E o mesmo aconteceu com os apóstolos, depois da ressurreição de Jesus – eles precisavam levar o Evangelho adiante e também precisavam ter sua autoridade espiritual reconhecida. O mesmo pode ser falado de Moisés, quando trabalhou para libertar o povo de Israel da escravidão no Egito. Ou do profeta Elias, quando lutou quase sozinho contra o culto a Baal.

Esses casos dão uma importante pista: milagres podem ser esperados quando deles depende o avanço da obra de Deus. Sempre que há encruzilhadas no caminho do Evangelho, podemos esperar a atuação de Deus sem limites.

Nessa linha de pensamento, vamos voltar a olhar para o milagre com a sogra de Pedro: repare que ela foi curada e imediatamente voltou a trabalhar na obra. Mais importante ainda, a presença do milagre aponta para a importância de Pedro na obra de Deus – se a sogra continuasse doente, o apóstolo certamente teria que deixar, pelo menos por algum tempo, a companhia de Jesus para dar assistência em casa. E esse tempo não podia ser desperdiçado, pois o ministério de Jesus na terra teve duração curta (apenas 3 anos).

É por isso que o testemunho do milagre conseguido precisa ser sempre dado. Esse testemunho frequentemente é uma das razões pela qual Deus fez o milagre. E se ele é “sonegado”, Deus certamente vai ficar decepcionado. 

Concluindo, milagres acontecem basicamente para ajudar no avanço da obra de Deus. Simples assim. E quando antes entendermos isso, mais facilmente iremos compreender a forma de Deus agir. 

Com carinho

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.