AS COISAS QUE DEUS NOS CONTA

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Conta a tradição que quando Albert Einstein elaborou a Teoria da Relatividade Geral, somente 10 pessoas em todo o mundo conseguiram entender inteiramente o significado do que ele tinha criado. Por causa disso, muitas pessoas passaram a achar que Deus tinha lhe revelado diretamente as informações necessárias para a elaboração daquela teoria brilhante e revolucionária. Einstein passou a ser visto por muita gente como se fosse um profeta.

Essa história nos joga diretamente na discussão do conceito de “revelação”. Essa palavra quer dizer literalmente “tirar o véu”, ou seja mostrar algo que estava escondido. Na teologia, revelação é aquilo que Deus conta para o ser humano a respeito de quem Ele é, o que faz (fez) e que deseja


Um exemplo de revelação é o fato de Jesus ter sido concebido por obra e graça do Espírito Santo, com a participação de uma mulher, Maria. Ora, ninguém iria imaginar ou afirmar tal coisa se tal fato não tivesse sido revelado por Deus, conforme contado na Bíblia.


Há três tipos de revelação. A primeira, e mais simples de entender, é a revelação pessoal, aquela dada por Deus (ou em nome d´Ele, por um profeta) para determinada pessoa. Por exemplo, Deus contou para Moisés que ele iria ser o libertador do povo de Israel, escravizado no Egito havia mais de 400 anos (Êxodo capítulo 3). Ou ainda, Deus disse para o rei Ezequias, através do profeta Isaías, que ele iria morrer em determinado tempo (Isaías capítulo 38). Eu mesmo já recebi algumas revelações pessoais. E o mesmo pode acontecer com você.

Agora, revelações pessoais não servem para estabelecer doutrina, indicando para todas as pessoas o que Deus espera delas. O fato de eu ter recebido uma missão de Deus nada tem a ver com o que Ele espera de você. São coisas distintas. Revelações pessoais valem apenas para quem são dirigidas. Simples assim.

O outro tipo de revelação é a geral, aquela à qual todas as pessoas têm acesso. A revelação geral é o próprio universo – sua organização extremamente complexa, seu funcionamento como se fosse um relógio, obedecendo leis físicas traduzidas por equações matemáticas, etc. Isso indica uma mente fantástica e um poder inimaginável para conceber e colocar isso em prática. Isso indica a existência de Deus e fala das suas características. 

O terceiro tipo de revelação é a chamada especial, que está disponível para muitos(as) mas não para todos(as). E é importante entender que o conceito de “especial”  não significa que a revelação é válida apenas para umas pessoas e não para outras. A revelação especial é válida para todo mundo, igualmente, mesmo para aquelas pessoas que não tiveram acesso a Ela.

As revelações geral e especial permitem estabelecer doutrina. E a maioria das diferenças religiosas se deve justamente a diferentes entendimentos sobre a revelação restrita. Por exemplo, os judeus não aceitam a revelação contida no Novo Testamento e continuam apenas com o Velho Testamento. Enquanto isso, os muçulmanos pensam que Deus lhes deu uma revelação especial adicional (além da Bíblia), que foi codificada no Corão. E nada impede que outras pessoas pensem terem recebido revelações especiais – como é o caso de Joseph Smith, fundador do movimento Mórmon. 

Os(as) cristãos(as) entendem que a revelação especial de Deus para o ser humano está na Bíblia, formada pelo Velho e o Novo Testamentos. E que essa revelação está toda contida nesse conjunto de livros – nada há a excluir dali e nada há a acrescentar. 

Agora, Deus pode cobrar as pessoas pela não aceitação do conteúdo de suas revelações? E quem pode ser cobrado do quê? 

Todo mundo pode ver o universo e seu funcionamento e, portanto, todos podem ver a presença da “mão” de Deus ali. Por isso a Bíblia declara que ninguém pode ser desculpado por não reconhecer que Deus existe, isto é por não reconhecer a revelação geral. Ela pesa igualmente sobre todos igualmente.

Os(as) ateus materialistas não aceitam a revelação geral, pois se recusam a ver Deus por trás da ordem existente. E tentam de todas as maneiras encontrar mecanismos naturais que permitam explicar o funcionamento universo sem precisar incluir Deus na explicação. 

A revelação especial, o conteúdo da Bíblia, somente pode ser cobrada de quem a conhece. Por exemplo, uma mulher que sempre viveu num estado muçulmano, e nunca teve acesso à Bíblia, não pode ser cobrada por não fazer o que nela está escrito. E assim como essa mulher muçulmana, muitos outras pessoas estão na mesma situação. E a própria Bíblia é clara sobre isto ao dizer que Deus não leva em conta a ignorância. 

Finalmente, a revelação pessoal é válida apenas para quem é dirigida. Somente aquela pessoa precisa obedecer seu conteúdo.

E é com base nesses princípios que Deus irá julgar cada um de nós.

Com carinho    

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