JURO DIZER A VERDADE: O NONO MANDAMENTO

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Parte de uma série sobre os Dez Mandamentos

– Senhorita Luz: “O senhor quer mesmo que eu lhe diga a verdade?”

– Fausto: “Diga a mentira que a senhorita considerar a mais digna de ser a verdade.”                       Extrato da peça “Meu Fausto” de Paul Valery

O nono mandamento – “não dirás falso testemunho contra o teu próximo” (Êxodo capítulo 20, versículo 16) – trata da mentira. De acusar outra pessoa de coisas que não tenha cometido e isso inclui o perjúrio num tribunal.

Outra forma de ver o mesmo mandamento é entendê-lo como um chamado para controlar o uso da língua, o que inclui mentira, fofocas, etc. Existe uma parábola na tradição judaica na qual um rei pediu algo a dois servos: ao primeiro pediu a coisa mais maravilhosa do mundo e ao outro a mais destrutiva. Ambos trouxeram uma língua humana. Isso porque a língua é capaz de gerar coisas lindas – louvor a Deus, palavras de amor, etc -, mas também pode destruir reputações e gerar muita amargura.

A questão do controle da língua é tão importante que dois dos Dez Mandamentos lidam com ela – o outro é o terceiro mandamento, que proíbe tomar o nome de Deus em vão. Há ainda na Bíblia uma passagem em Tiago capítulo 3 que fala do mau uso da língua em grande detalhe. Em resumo, trata-se de tema de grande relevância.


O mal causado pela mentira

O que me preocupa não é que tenhas mentido e sim que de agora em diante, não poderei mais acreditar em ti.Nietzsche 

 Esse é o problema com a mentira: destrói as relações entre as pessoas e, em um nível maior, o próprio tecido social. A perda de confiança e credibilidade sempre cobra um alto preço.

O Brasil sofre muito com esse problema: os políticos não têm qualquer pudor em mentir para enganar as pessoas. Em contrapartida, a sociedade não mais acredita nos políticos e eles perderam a capacidade de liderar as pessoas. 

A questão da mentira na mídia é também muito preocupante, pois visa manter o público desinformado. Lembro bem de um caso que se tornou emblemático. Era o ano de 1984 e a campanha das “Diretas Já” – que pedia o direito de poder eleger o Presidente da República através do voto direto – estava em pleno andamento. No dia 25/1/1984, houve uma grande manifestação em São Paulo e a Rede Globo, querendo agradar o Governo Militar, apresentou o ocorrido como se fosse uma comemoração pelo aniversário da cidade, que ocorreu na mesma data. E até hoje a Rede Globo paga um alto preço pois uma boa parte da sociedade recusa-se a dar credibilidade a esse grupo de comunicação.

Uma sociedade que não tem como ponto de partida o combate à mentira, punindo pesadamente o perjúrio, acaba pagando um preço alto. E infelizmente esse é exatamente o caso do nosso país, onde mentir passou a ser um meio de vida para muitas pessoas importantes.


Há mentiras e mentiras 

As mentiras não são iguais no que tange ao cumprimento do nono mandamento. Algumas podem ser admitidas como, por exemplo:

  • Aquelas necessárias para alcançar um bem maior – como salvar a vida de um inocente. 
  • As integradas ao jogo social, fruto da cortesia, e são consideradas inofensivas. Por exemplo: “você ficou muito bem com essa cor de cabelo”, ou “gostei muito do presente que você me deu”. Em nenhuma cultura do mundo as pessoas esperam a pura verdade nessa troca de “afagos” e até se ofenderiam se a verdade fosse mesmo dita. 
  • O mentira dita de boa fé, ou seja quando a pessoa pensava estar falando a verdade.

As mentiras que verdadeiramente violam o nono mandamento são as que objetivam auferir vantagens para o mentiroso(a), a fofoca, que é extremamente destrutiva, e as fruto da hipocrisia, que visam apenas preservar a imagem irreal do mentiroso(a).

Com carinho

 
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Vinicius Moura

Nasci em 1951. Já estou entrando naquela idade em que as pessoas não mais buscam aventuras, mas, de certa forma, este blog é uma aventura para mim, pois não sei bem o que esperar dele. Sou evangélico desde o nascimento. Sou também autodidata e venho me dedicando a esse tipo de estudo há mais de 20 anos. Tenho a oferecer, no papel de mediador deste blog, a experiência que acumulei ao longo de todos esses anos. Quero mostrar para as pessoas um cristianismo que liberta o ser humano – do pecado, das ansiedades, da falta de sentido, etc – e não uma religião dogmática, que aprisiona, pela imposição de um monte de regras e através da culpa.