PAI, MÃE E O QUINTO MANDAMENTO

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Parte de uma série sobre os Dez Mandamentos

Honra a teu pai e a tua mãe, como o Senhor teu Deus te ordenou, para que se prolonguem os teus dias e para que te vá bem na terra que o Senhor teu Deus te dá.”                                          Deuteronômio capítulo 5, versículo 16

O mandamento para honrar pai e mãe tem duas características diferentes dos outros. Primeiro, é um mandamento positivo, ou seja estabelece algo que precisa ser feito, enquanto a maioria dos demais mandamentos tem cunho negativo (“não faça isso ou aquilo”). Ocorre que mandamentos positivos geram duas dificuldades adicionais para quem deseja cumpri-los: é preciso definir com clareza o que deve ser feito e também saber quando já se fez o bastante.

A outra diferença desse mandamento em relação aos demais é ter uma promessa ligada ao seu cumprimento. E se trata de uma promessa muito importante e especial.

O que é “honrar” pai e mãe


A palavra “honrar” (em hebraico, “kabed”) significa “dar peso ou importância”. E esse é o significado do mandamento: os pais precisam ter importância e peso nas vidas dos seus filhos. Ou seja, aquela situação muito comum, onde os pais idosos são deixados em um “depósito” de velhinhos e os filhos nem vão lá visitá-los, é uma clara violação do andamento. Os pais podem até estar bem cuidados no tal asilo, mas se não mantiverem sua importância e peso na vida dos filhos, o mandamento está sendo violado. Simples assim. 

A explicação para essa exigência de Deus é fácil de entender. Durante a infância, a criança precisa ser protegida e cuidada pelos seus pais – são eles que se interpõem entre ela e os problemas do mundo. Essa necessidade de proteção vai diminuindo ao longo do tempo, até que a situação se inverte, quando os pais chegam à velhice. Aí são eles que passam a depender da proteção dos filhos. 

E se os pais têm obrigação de zelar e prover as necessidades dos seus filhos enquanto eles não podem fazer isso, nada mais justo que aconteça a recíproca quando são os pais que se vêem limitados. É justo.

Mas há mais. Para o povo de Israel, para quem esse mandamento foi originalmente transmitido, havia uma razão adicional. Ocorre que a Aliança que Deus fez com esse povo estava baseada no sangue, isto é as pessoas entravam nela ao nascer. Portanto, os pais funcionavam como “porta de entrada” para os filhos. Daí vinha a grande importância dos pais. 

Hoje, na Nova Aliança, caracterizada pelo sacrifício de Jesus na cruz, os pais continuam a ser “porta de entrada”, mas de forma diferente: eles têm responsabilidade de encaminhar seus filhos no caminho da fé em Cristo, levando-os à igreja, ensinando-lhes a vontade de Deus, dando-lhes o exemplo, etc. Trata-se de papel de enorme importância. 

Ora, tudo isso deixa claro que o quinto mandamento é dirigido para adultos e não para crianças. É preciso ter entendimento pleno para poder “honrar” pai e mãe. Portanto, é errado os pais cobrarem obediência dos filhos pequenos citando esse mandamento. Não é sobre isso que o quinto mandamento fala.

Uma pergunta que ouço com frequência é: e se os pais tiverem sido maus – abandonado ou tratado mal os filhos na infância e adolescência -, ainda assim o quinto mandamento se aplica? Sei que a resposta não será fácil de aceitar para muitos(as), mas não há exceções ao mandamento. Ele é válido sempre – a Bíblia não diz que somente devem ser honrados pais bons e amorosos. Todos devem ser honrados.

Mas não é exigido dos filhos amarem os pais ou fecharem os olhos para os desmandos deles. Nada disto. O mandamento é para que os filhos não abandonem os pais à própria sorte, especialmente quando eles ficarem velhos. E os pais que tiverem descumprido suas obrigações terão que se entender com Deus pelo que fizerem de errado. A Ele cabe a punição (Efésios capítulo 5, versículo 3).



A promessa
O quinto mandamento é o único com promessa. E, na verdade, há duas versões para o que é prometido. A primeira está no livro do Deuteronômio (ver a citação no início deste post). A outra versão aparece em Efésios capítulo 5, versículos 2 e 3, sendo ligeiramente diferente: “Honra a teu pai e tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa, para que te vá bem e sejas de longa vida sobre a terra”.


Em ambas as versões a promessa é composta de duas partes. A primeira fala em prolongar a vida sobre a terra – viver mais tempo – o que é bastante simples de entender.

A segunda parte refere-se a “ir bem”, ou seja ter uma vida recheada de coisas positivas. Na versão do Deuteronômio, o texto fala em ir bem na terra de que Deus deu (a Palestina ou Terra Prometida). Isso faz sentido porque o público original dos Dez Mandamentos era o povo de Israel, herdeiro dessa terra. 

Já na carta aos Efésios, escrita cerca de 1.500 anos depois do Deuteronômio, o público era constituído tanto de israelitas como gentios (não judeus). Aí Paulo tirou a referência à terra que Deus tinha dado, pois ela não se aplicava ao seu público ouvinte. Mas manteve o mesmo sentido, preservando o conceito de “ir bem”. O sentido é exatamente o mesmo.

Resumindo, a promessa relacionada com esse mandamento está relacionada com longevidade e ter uma vida boa, o que acredito seja o desejo de cada pessoa. Portanto, se você não foi convencido a cumprir o quinto mandamento pelas razões que apresentei na primeira parte deste post, acredito que a promessa a ele atrelada seja motivo suficiente para que você faça isso.  

Com carinho

 
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Vinicius Moura

Nasci em 1951. Já estou entrando naquela idade em que as pessoas não mais buscam aventuras, mas, de certa forma, este blog é uma aventura para mim, pois não sei bem o que esperar dele. Sou evangélico desde o nascimento. Sou também autodidata e venho me dedicando a esse tipo de estudo há mais de 20 anos. Tenho a oferecer, no papel de mediador deste blog, a experiência que acumulei ao longo de todos esses anos. Quero mostrar para as pessoas um cristianismo que liberta o ser humano – do pecado, das ansiedades, da falta de sentido, etc – e não uma religião dogmática, que aprisiona, pela imposição de um monte de regras e através da culpa.

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