O NOVO FILME SOBRE O ÊXODO

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Assisti no fim de semana anterior ao mais novo filme sobre o Êxodo, dirigido pelo famoso cineasta Ridley Scott, conhecido por filmes como “O Gladiador”. 

Para aqueles que não se lembram bem dessa história, o livro bíblico do Êxodo (o segundo do Velho Testamento) relata os fatos relacionados com a libertação do povo de Israel após 430 anos de escravidão no Egito. Deus levanta um libertador, Moisés, para cobrar do faraó a saída do seu povo e depois liderá-lo na viagem até a Terra Prometida (Palestina). É durante a luta pela libertação do povo que ocorrem as famosas dez pragas, que assolaram o povo do Egito e forçaram o faraó a liberar os israelitas contra a sua vontade.

Achei o filme interessante e o recomendo àqueles que gostam de cinema. A seguir meus comentários sobre o que vi:

O novo filme não tem a pretensão de ser fiel ao relato bíblico. Isso fica muito claro desde o seu início. Na verdade, o filme é uma releitura do relato bíblico. Em outras palavras, é uma interpretação do que aconteceu feita por alguém que não é religioso.

E, sendo assim, o filme traz uma série de liberdades tomadas com o relato bíblico, embora nenhuma delas seja desrespeitosa. Portanto, pode ser assistido numa boa, pois, a meu ver, não ofende a ninguém. 

Dentre essas liberdades, por exemplo, está uma revolta armada contra o governo do faraó, liderada por Moisés. Tal fato nunca aconteceu. Como também a busca de uma explicação científica para as dez pragas, evitando catalogá-las como milagres de Deus – o rio Nilo se tornou como sangue por causa de sedimentos carreados pelas águas, que causaram a mortandade de peixes, que geraram rás, vermes, doenças e assim por diante. 

Outra liberdade interessante é a descrição de Deus como um menino, sério e compenetrado. Muita gente pode achar isso estranho, pois estão acostumadas a pensar Deus como um senhor de barbas brancas. Essas pessoas se esquecem que essa imagem de Deus também é fruto da imaginação de um artista, nesse caso Michelangelo, conforme as pinturas do teto da Capela Sistina, no Vaticano.

É claro que Deus não é um menino, mas também não é um senhor de barabas brancas e ar severo. Ambas as visões estão erradas. Na verdade o ser humano não consegue imaginar e retratar Deus como Ele é de fato. Simples assim.

Agora, para mim a coisa mais interessante do filme é o retrato de Moisés que é apresentado: um homem com senso de missão, incomodado com a escravidão do seu povo, mas também cheio de dúvidas e hesitando em entrar numa parceria com Deus. 

A Bíblia não fala explicitamente dessa hesitação de Moisés, exceto bem no início da história, quando ele foi convocado por Deus para sua missão. Mas acho que o retrato apresentado pelo filme é bastante coerente e importante, sob o ponto de vista espiritual. Eu me explico.

Outros filmes – como o famoso “Dez Mandamentos”, com Charlton Heston – mostram Moisés como um super herói. Um homem acima de tudo e todos. E, ao fazer isso, prestam um desserviço à causa de Deus. Isso porque levam as pessoas a concluir que a obra de Deus somente pode ser feita por pessoas especiais – santos(as) no jargão da Igreja Católica.

Ora, o que leva as pessoas a fazerem coisas extraordinárias é sua fé em Deus e não suas qualidades individuais. É através dessa fé que o Espírito Santo atua e produz os milagres – foi por isso Jesus ensinou que com fé se pode até remover montanhas. 

E não é preciso ter qualidades especiais para ter fé. Isso está ao alcance de qualquer um(a). Logo, quem faz o obra de Deus são pessoas comuns, como você e eu, como eram Pedro (simples pescador), Paulo (fabricante de tendas) e tantos outros(as).

Ao mostrar Moisés como um homem com dúvidas e hesitações, sem entender bem os planos de Deus e o que estava acontecendo ao seu redor, o filme acerta na mosca. Afinal, não deve ter sido nada fácil para aquele homem cumprir sua missão – basta lembrar que o processo de libertação durou quase dois anos e foram preciso dez pragas e muitos avanços e recuos. E, ao longo desse processo, os israelitas se voltaram contra Moisés, por não verem os resultados que esperavam.  

Finalmente, gostaria de falar ainda sobre a sensação de admiração que senti quando o filme mostrou os milagres acontecendo em sucessão. Quando o enorme poder do Egito – o país mais rico e forte daquela época – foi esmagado. Quando a mão de Deus pesou contra aqueles que tentaram impedir a realização da sua vontade.

Nesse momento eu me lembrei do outro filme famoso sobre Moisés – “Os Dez Mandamentos” -, da cena em que o faraó volta para seu palácio, depois de perder grande número de soldados. Ele tinha se arrependido de ter deixado o povo de Israel ir embora e foi com seu exército em sua perseguição. Foi aí que o mar Vermelho se abriu para que Israel pudesse passar. O exército de faraó tentou ir atrás e o mar se fechou sobre eles, afogando a todos. 

Ao chegar em casa e ser perguntado pela rainha o que tinha acontecido – ela queria saber se Moisés estava morto -, o faraó, ainda chocado com o que tinha visto, declarou o seguinte, referindo-se ao povo de Israel: “o seu Deus é o Deus“. 

Esse é o ensinamento maior de tudo isso. Servimos ao Deus verdadeiro. Não há outro como Ele – nunca houve e nunca haverá. E nada pode ficar no seu caminho.  

Com carinho 

1 Comentário


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    Isabelle

    uau, adorei sua resenha! Vou assistir hoje e estava procurando resenhas de teístas sobre o filme, para me preparar, hehehe. Obrigada!

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