FARISEUS, ONTEM E HOJE

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Fariseus, ontem

O ministério de Jesus na terra não foi tranquilo – Ele enfrentou a hostilidade de diversos grupos de pessoas, por questões políticas e religiosas. E foi essa hostilidade que o levou a ser preso e crucificado.

Esses grupos de judeus hostis a Jesus eram bem diferentes entre si. Havia, por exemplo, o grupo formado pelos principais sacerdotes e líderes religiosos, chamados saduceus. Agora, existia outro grupo, mais numeroso, integrado por homens que buscavam cumprir com rigor a Lei Mosaica, conforme apresentada na Torá (os primeiros cinco livros do Velho Testamento), os chamados fariseus. É sobre esse grupo que eu gostaria de falar aqui, pois ele foi muito importante no ministério de Jesus. 

Os Evangelhos contam em muitas passagens que “escribas e fariseus” abordaram Jesus com perguntas, na maioria das vezes capciosas. Os escribas – pessoas especializadas em produzir manuscritos contendo textos da Torá – eram normalmente citados junto com os fariseus porque normalmente pertenciam a esse grupo, de certa forma eram “farinha do mesmo saco”.  

Os fariseus eram grandes estudiosos da Lei – por isso muitas vezes são referidos nos Evangelhos como “intérpretes da Lei”. Tinham inclusive divergências teológicas importantes com os sacerdotes (os saduceus) – por exemplo, os fariseus acreditavam em ressurreição enquanto os sacerdotes não. 

Os fariseus acabaram por se tornar, aos olhos do povo, nos “guardiões” da Lei – eram eles quem diziam estava ou não transgredindo os mandamentos no dia a dia. E é por causa disso que quase todas as discussões teológicas envolvendo Jesus foram feitas com os fariseus e não com os sacerdotes – essas discussões se deveram à forma diferente como Jesus interpretava a Lei e entendia aquilo que os seres humanos eram orientados por Deus a fazer.

Infelizmente os fariseus causaram mais mal do que bem para o povo judeu. No afã de garantir que a Lei não fosse violada, acabaram por aprisionar as pessoas numa “camisa de força” formado por um extenso e confuso conjunto de regras de comportamento – apenas para garantir a obediência ao mandamento de observar o sábado, havia quase uma centena de regras. As pessoas tinham que obedecer tudo isso, sob os olhares vigilantes dos fariseus e quem errava era logo criticado.  

Os fariseus eram, portanto, muito legalistas, mas sua influência negativa não acabava aí. Costumavam também ser hipócritas, já que exigiam das pessoas um comportamento que eles mesmos não seguiam integralmente – o que importava mesmo eram as aparências. Às vezes escapavam de certas regras, consideradas desagradáveis, usando subterfúgios – por exemplo, Jesus citou o caso de alguns deles que, para não ajudar financeiramente seus próprios pais, alegavam ter prometido seus bens para o Templo de Jerusalém. 

Em conclusão, os fariseus seguiam uma religião que, ao invés de libertar, escravizava. E Jesus se insurgiu contra esse estado de coisas e atacou os fariseus fortemente (por exemplo Lucas capítulo 12, versículos 1 a 12). 

Em consequência, os fariseus passaram boa parte do ministério de Jesus tentando fazê-lo “escorregar”, para poderem acusá-lo de herege e/ou pecador. Toda hora, faziam-lhe perguntas que eram verdadeiras “pegadinhas”. Por exemplo, certa vez lhe perguntaram se era justo que os judeus pagassem impostos aos romanos – se Jesus dissesse que sim, seria acusado de colaboracionista com os invasores; se dissesse o oposto, poderia ser denunciado aos romanos por instigar a revolta. Jesus saiu-se brilhantemente, respondendo: “dai a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus” (Marcos capítulo 12, versículos 13 a 17).


Fariseus, hoje

A igreja evangélica, infelizmente, está cheia de fariseus nos dias de hoje. Líderes religiosos que ficam estabelecendo regras de comportamento e cobrando seu cumprimento pelos fiéis. E essas regras alcançam diversas áreas das vidas das pessoas, como a forma de se vestir, os lugares que podem frequentar, o que lhes permitido fazer para se divertir, que tipo de música podem ouvir, como podem se relacionar com o sexo oposto e assim por diante. 

São tantas as regras e tal o rigor na sua aplicação que as pessoas se sentem sufocadas – recebo muitas manifestações aqui no blog falando sobre isso.

O pior é que, muitas vezes, esses líderes estimulam os membros das igrejas que dirigem a tomar conta uns dos outros, denunciando qualquer desvio observado. 

Os “fariseus” não acabaram nos tempos de Jesus, o que é uma pena. Mudaram de roupagem e estão por aí, bem vivos e influentes, causando o mesmo tipo de estrago que causaram 2.000 anos atrás. Então, muito cuidado com eles.

Com carinho 

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