UMA BOA CAUSA JUSTIFICA QUALQUER COISA?

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Cerca de 69 anos atrás, os Estados Unidos jogaram, na cidade de Hiroshima (Japão), a primeira bomba atômica. O mundo da época assistiu, em estado de choque, à morte quase instantânea de dezenas de milhares de pessoas. E os efeitos posteriores da radiação ainda se fazem presentes até hoje. Dias depois, foi lançada uma segunda bomba, na cidade de Nagasaki, com resultados semelhantes.

A lógica usada pelo governo norte-americano para justificar o uso das duas bombas foi forçar a rendição do Japão, acabando de vez com a guerra e poupando milhares de vidas. Essa ainda é a posição oficial dos Estados Unidos hoje em dia. 

Portanto, a tese oficial é que foi necessário fazer algo ruim (sacrificar dezenas de milhares de vidas) para obter algo muito bom (o fim da guerra, poupando dezenas de milhares de vidas). É claro que essa conta somente faz sentido quando se considera que as vidas sacrificadas eram japonesas e as vidas poupadas de soldados americanos. Em outras palavras, para o governo norte americano a vida de um americano vale muito mais do que a vida de uma pessoa de outro país. 

Eu entendo essa posição, embora não concorde com ela, pois, pela lógica do mundo, o dever de um governo é, antes de tudo, zelar pelo bem estar do seu próprio povo. Portanto, o governo americano tinha que estar mais preocupado com seus soldados do que com o povo japonês.

E vemos a mesma lógica presente nos dias de hoje, na guerra entre Israel e os palestinos. Justificando suas ações com a defesa da segurança do seu próprio povo, Israel fez uma incursão na faixa de Gaza e matou quase duas mil pessoas, a maior parte composta de civis.    

E as discussões sobre se esse tipo de ação – se está certo ou errado – são intermináveis. No passado, muitos defenderam que os Estados Unidos deveriam fazer um bloqueio naval do Japão, não deixando passar combustíveis, alimentos e outros produtos dos quais aquele país precisava para continuar lutando, o que forçaria a rendição japonesa, evitando as bombas atômicas. Os de posição contrária respondiam que os japoneses eram fanáticos e usavam pilotos suicidas, colocando  em risco a segurança da frota naval americana. E a discussão nunca chegou a conclusão alguma.

Na guerra atual, os que são contra as ações de Israel acusam o governo daquele país de cometer um massacre. Os que defendem o outro lado alegam que Israel não pode viver com foguetes sendo continuamente lançados, pelos palestinos, sobre seu território. Mais uma vez, não se chega a nenhuma conclusão.

Considerando tudo isso, qual deve ser a posição dos cristãos? Essa não é uma resposta fácil de dar. Muitos evangélicos estão do lado de Israel, não por concordar com o governo daquele país, mas sim porque entendem que Israel tem direito divino à Palestina, pois aquele território foi dado por Deus à Abraão, Patriarca de Israel, conforme relato da Bíblia.

Eu confesso que aceito menos esse argumento “espiritual” do que o argumento secular (um governo tem obrigações antes de tudo com sua própria população). Primeiro, porque quem pode afirmar com certeza que o atual governo de Israel é o legítimo sucessor de Abraão. Ninguém pode ter certeza disso. Depois porque o Jesus que encontro na Bíblia nunca iria aprovar a morte de inocentes, seja pelo motivo que for. 

Minha posição pessoal – e você tem todo o direito de discordar dela – é que cabe ao mais forte usar de misericórdia e limitar o uso de seu poder ao estritamente necessário. Isso os Estados Unidos não fizeram com o Japão, quando lançaram as bombas, nem Israel tem feito com os palestinos. Para mim, essa é a posição que a Bíblia nos orienta a seguir.

Afinal, misericórdia é algo muito precioso para Deus. Tanto assim, que Ele a usa com cada um de nós, quando não nos pune pelos pecados que cometemos, oferecendo, em lugar da justa punição, sua Graça, representada pelo sacrifício de Jesus na cruz. É por esse caminho que deve começar qualquer raciocínio para resolver a situação atual entre Israel e os palestinos.

Com carinho 

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