EXISTE DESTINO?

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Chegou a hora dele”, foi o que ouvi alguém da minha igreja dizer ao falar sobre a morte trágica de determinada pessoa. Esse tipo de declaração é comum, pois existe na sociedade uma cultura “fatalista” que atribui ao destino determinados acontecimentos na vida das pessoas. 

Será que a doutrina cristã dá suporte à ideia de destino? Acredito que não e explico o por quê. A Bíblia ensina que temos livre arbítrio – a capacidade de fazer escolhas por conta própria – e tal visão é incompatível com um destino pré-estabelecido por Deus. Afinal, se tal destino existisse, as pessoas não poderiam fugir dele e assim não poderiam fazer de fato escolhas livres.

Portanto, o que acontece com as pessoas é em boa parte fruto das suas próprias escolhas. Mas é claro que há coisas que acontecem independentemente da vontade delas – por exemplo, serem atingidas por uma viga que cai de um viaduto.

Na verdade, tal tipo de fato pode parecer inesperado para quem estava passando debaixo do viaduto mas foi fruto das escolhas livres feitas por outras pessoas – no caso, os construtores do viaduto ou o projetista, quem quer que tenha cometido o erro que levou ao acidente.  

Portanto, não é correto nesse caso falar num destino que vitimou determinada pessoa – o acidente também é fruto de escolhas feitas, mas nesse tipo de caso feitas por outras pessoas que não a vítima.

Agora, ainda pode haver dúvida quanto a duas questões adicionais. A primeira é a onisciência de Deus – se Ele sabe tudo, inclusive o que vamos fazer, será que não há nesse fato prova de haver um destino?

Na realidade, não. É preciso entender que Deus nos conhece melhor do que nós mesmos – lembre-se que Ele pode até ler nossos pensamentos. Portanto, Deus sabe o que vai acontecer porque conhece como todos pensam e as escolhas que farão no futuro. 

Um exemplo desse tipo de situação, mas em grau menor, ocorre quando os pais acertam de antemão o que os filhos vão escolher ou fazer em determinadas circunstâncias, somente pelo fato de conhecê-los muito bem – as roupas que vão escolher, o tipo de divertimento que lhes interessa, etc. Os filhos fazem suas escolhas livremente, mas os pais sabem de antemão o que vai acontecer em muitas situações.

E assim também ocorre com Deus, mas em grau muito maior – Ele sabe tudo que vai acontecer não porque tenha predefinido todas as coisas mas sim pela abrangência do seu conhecimento (onisciência).

A outra dúvida que pode surgir é referente aos planos de Deus. Sabemos que Ele é onipotente e soberano, portanto, seus planos sempre se realizam. Assim, realmente há coisas pré-definidas por Deus. Por exemplo, Ele estabeleceu que Jesus viria ao mundo, sofreria e seria morto. 

Mas os planos de Deus não estabelecem um destino fixo para as pessoas. Por exemplo, se Deus tivesse pré-estabelecido que Judas seria o traidor de Jesus, como aquele homem poderia ser culpado por ter cometido o tipo de ato previsto para ele, cumprindo o plano de Deus? Não seria justo que Judas fosse condenado por tal tipo de situação.

Na verdade, Deus não estabeleceu quem seria o traidor e sim que haveria uma traição. Afinal, Jesus iria incomodar os poderosos e naturalmente seria perseguido por eles. E quando seus discípulos fossem colocados sob pressão, algum dentre eles iria acabar cedendo – a corda sempre tem um ponto mais fraco. Acabou sendo Judas, mas poderia ter sido outro. Por isso, mesmo o plano de Deus tendo sido cumprido, Judas ainda assim foi inteiramente responsável pelo que fez.

Concluindo, a Bíblia não dá suporte para o conceito de destino – as próprias escolhas das pessoas ou as escolhas feitas por terceiros definem aquilo pelo qual elas irão passar. Tudo isso é fruto direto do livre arbítrio. Simples assim.

Com carinho   

2 Comentários


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    Wesley Schinkein Moreira

    Aonde está escrito na bíblia a respeito do livre arbítrio?

    • Caro Wesley

      A expressão “livre arbítrio” é usada na teologia mas você não encontrá-la na Bíblia. Agora, o “conceito” do livre arbítrio, isto é a capacidade do ser humano de fazer escolhas morais (escolher entre o certo e o errado) este é bíblico. E pode ser percebido em muitas passagens diferentes. Por exemplo:

      “Hoje invoco os céus e a terra como testemunhas contra vocês, de que coloquei diante de vocês a vida e a morte, a bênção e a maldição. Agora escolham a vida, para que vocês e os seus filhos vivam, e para que vocês amem o Senhor, o seu Deus, ouçam a sua voz e se apeguem firmemente a ele. Pois o Senhor é a sua vida, e ele dará a vocês muitos anos na terra que jurou dar aos seus antepassados, Abraão, Isaque e Jacó”. Deuteronômio 30:19-20

      Aí está Moisés falando para ou judeus que eles podiam escolher entre dois caminhos: fazer a vontade de Deus (a benção) ou o contrário dela (a maldição). Ora, se há uma escolha é porque há livre arbítrio.

      Veja outro exemplo:

      “Se, porém, não agrada a vocês servir ao Senhor, esco­lham hoje a quem irão servir, se aos deuses que os seus antepassados serviram além do Eufrates, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra vocês estão vivendo. Mas eu e a minha família servi­remos ao Senhor”. Josué 24:15

      A fala de Josué acima é muito parecida com a de Moisés: em ambos os casos, o povo foi colocado diante de uma escolha de vida. Precisaram exercer seu livre arbítrio.

      Vemos esse conceito presente também no fato de Deus nos responsabilizar por aquilo que fazemos. Ora, isso só é possível se temos direito de escolher livremente, pois ninguém pode ser culpado de um ato que foi forçado a fazer.

      Poderia citar muitos outros exemplos, mas acho que já deu para você ter uma noção de como tratar essa questão.

      Abs

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